Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/1481
Título: Síndrome de mononucleose no Centro Hospitalar Cova da Beira
Autor: Faustino, Helena Isabel Gomes
Palavras-chave: Mononucleose
Mononucleose - Diagnóstico
Mononucleose - Tratamento
Vírus Epstein-Barr
Citomegalovírus
Data de Defesa: Abr-2013
Editora: Universidade da Beira Interior
Resumo: Introdução: A Síndrome de mononucleose, causada pelo vírus Epstein-Barr (VEB) e/ou Citomegalovírus (CMV), é uma doença aguda, com repercussão sistémica conhecida, comum em adolescentes e adultos jovens. Clinicamente inespecífica e variável, pode ser simuladora de patologias, nomeadamente bacterianas, epidemiologicamente relevantes. Apesar do componente fundamentalmente benigno e autolimitado, é importante o seu diagnóstico precoce e correcto, particularmente em doentes imunodeprimidos, cujas complicações poderão ser fatais. Assim, propôs-se avaliar o comportamento e evolução da doença num grupo de doentes internados. Materiais e métodos: Estudo retrospectivo, transversal e descritivo, onde se analisou um conjunto de variáveis, através da consulta de processos clínicos de uma amostra seleccionada de 47 doentes com mais de 15 anos, internados com diagnóstico de mononucleose nos Serviços de Medicina e Infecciologia do Centro Hospitalar Cova da Beira entre 2005 e 2011. Para tratamento estatístico dos dados recorreu-se ao software SPSS 19.0 e, no âmbito da análise estatística inferencial, aos testes de Fisher e de Friedman, definindo-se um nível de significância de 0,05. Resultados: Os 47 doentes estudados, 19 do género feminino e 28 do género masculino, apresentaram uma média de idades de 29 anos e permaneceram internados, em média, nove dias. A incidência da doença aumentou entre 2005 e 2008, ano em que atingiu um pico máximo de 25,5%, diminuindo para cerca de cinco casos por ano desde então. Dentro do espectro de comorbilidades encontradas em 34% dos doentes, a Diabetes Mellitus, hipertensão arterial, VIH e hepatite C constituíram as mais frequentes. Dentro da multiplicidade de manifestações clínicas, a febre constituiu o achado mais comum, seguindo-se a odinofagia e linfadenopatia periférica, particularmente cervical. Entre outros, o rash evidenciou-se numa minoria dos casos. Laboratorialmente, verificou-se leucocitose associada a linfocitose absoluta, presença de linfócitos atípicos no sangue periférico e elevação da enzimologia hepática e dos parâmetros inflamatórios. A função hepática manteve-se praticamente preservada, com níveis normais de bilirrubina, albumina e glicose. Contudo, embora sem trombocitopenias evidentes, salientam-se tempos de protrombina elevados. O monoteste, requisitado em 85,2% dos doentes, positivou em metade dos casos. Para confirmação do diagnóstico, realizaram-se as serologias específicas para os agentes causais. Assim, o CMV constituiu a principal etiologia (53,2%), seguido do VEB e, numa menor percentagem, da co-infecção destes dois agentes. Em 74,5% dos casos foi realizada ecografia abdominal. Embora pouco objectiváveis à palpação abdominal, a esplenomegalia e a hepatomegalia foram detectadas ecograficamente em 51,4% e 17,1% dos casos, respectivamente, evidenciando-se a associação das duas numa menor percentagem. Radiografia do tórax, tomografia computadorizada do pescoço, tórax e abdómen e ecocardiograma foram outros exames imagiológicos realizados. Ao longo do internamento, apenas 6,4% dos doentes desenvolveu complicações, sendo a corioretinite a mais frequente. Relativamente ao modo como evoluiu a doença, constatou-se que apenas 5,6% dos casos evoluíram desfavoravelmente, associando-se estes à coexistência de VIH e ao desenvolvimento de complicações. No âmbito do tratamento, realizou-se sempre terapia de suporte, restringindo-se o ganciclovir ao tratamento da corioretinite. Metade dos doentes recebeu antibioterapia, maioritariamente com amoxicilina/ácido clavulânico, cuja administração resultou em rash (14,3% dos casos). Utilizaram-se anti-histamínicos e corticóides em 17,9% dos casos, na sua maioria, para tratamento do rash. Conclusões: A Síndrome de mononucleose constitui uma doença, na sua generalidade, benigna e autolimitada, com evolução favorável em indivíduos previamente saudáveis e na maioria daqueles com comorbilidades associadas. Indivíduos imunodeprimidos, nomeadamente VIH-positivos, revelam evoluções desfavoráveis, com desenvolvimento de complicações, potencialmente fatais.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/1481
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