Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/1613
Título: Competências essenciais de comunicação clínica no curso de medicina da UBI : avaliação e revisão curricular
Autor: Leite, Rita Almeida
Palavras-chave: Prática da medicina - Comunicação clínica
Prática da medicina - Competência comunicacional
Profissional de saúde - Competência comunicacional
Estudante de medicina - Formação em comunicação
Data de Defesa: Mai-2013
Editora: Universidade da Beira Interior
Resumo: Introdução: O intuito primordial do percurso académico com seis anos em Medicina é dotar os alunos de um conjunto de conhecimentos e competências que lhes permitam exercer uma prática médica eficaz e segura. Estas competências revelam-se cada vez mais necessárias a nível de uma comunicação clínica adequada aos contextos e às pessoas, com repercussões positivas na qualidade da prática médica e na satisfação do utente e do profissional de saúde. É fundamental que o médico consiga interagir na entrevista clínica de modo a gerar confiança e empatia, recolhendo a informação útil e motivando para o cumprimento da terapêutica e para as mudanças de comportamento imprescindíveis para alcançar os melhores resultados. Desta forma, é essencial preparar os alunos para comunicar eficazmente e identificar os pontos fracos e fortes da sua formação nesta área. Objectivos: 1) Analisar de forma descritiva a avaliação de competências essenciais de comunicação clínica pelos alunos dos 5º e 6º anos do curso de Medicina da FCS-UBI do ano lectivo 2011-2012, que estão a um passo da prática médica; 2) Analisar comparativamente os resultados por subgrupos: sexo, preferência de área na Medicina (se médica, cirúrgica ou médico-cirúrgica) e ano curricular e 3) Analisar o currículo da FCS-UBI, identificando os pontos fracos e fortes da formação em comunicação clínica. Materiais e Métodos: Estudo de investigação, observacional e descritivo. Foi desenvolvido com base no instrumento Kalamazoo Consensus Statement, com respostas abertas e fechadas (escala de Likert de 5 níveis). O questionário foi aplicado através da mailing-list da FCS-UBI e pessoalmente, garantindo sempre o anonimato das respostas. Participaram 105 alunos dos 5º e 6º anos do Mestrado Integrado de Medicina da FCS-UBI (matriculados no ano lectivo 2011-2012), com uma média de 24,1 anos. A maioria dos participantes foi do sexo feminino (80,9%), frequentava o 5º ano (59,1%) e tinha preferência pelas áreas médico-cirúrgica (45,7%) e médica (44,8%). A análise estatística incluiu a descrição dos resultados obtidos e a comparação das amostras, realizada com base no SPSS® (Statistical Package for the Social Science) versão 19.0 e Microsoft Office Excel 2007®. Utilizaram-se frequências relativas e absolutas, médias, desvios-padrão, número máximo e número mínimo. Dada a ausência de distribuição normal dos dados, realizaram-se testes não paramétricos para comparar as amostras, considerando-se significativos os resultados com p<0,05. Foram também realizadas uma revisão dos conteúdos programáticos do curso relativos às competências comunicacionais e entrevistas aos docentes responsáveis dessas unidades pedagógicas.Resultados: Os alunos reconheceram a importância da comunicação clínica na prática médica. Reconheceram também que o curso de Medicina da UBI dá a devida importância a estas competências e sentem-se preparados para as exercer. Na hierarquizição de competências de entrevista clínica, os alunos priorizaram a relação médico-doente como a componente mais importante, seguida da realização de história clínica. Todas as competências comunicacionais foram avaliadas positivamente pelos alunos, com relevo para Utilizar uma linguagem acessível ao paciente, Perguntar ao paciente se este tem mais preocupações ou queixas e Estimular o paciente a falar sobre as suas preocupações. As competências comunicacionais com avaliação mais baixa foram Dar más noticias e Lidar com reclamações feitas por doentes. O sexo feminino avaliou melhor a Importância das competências de comunicação clínica na prática médica. Os alunos com maior interesse pela área médica auto-avaliaram-se tendencialmente pior do que aqueles com maior interesse nas áreas médico-cirúrgica ou cirúrgica. Relativamente a esta variável, foram observadas diferenças estatisticamente significativas nas competências Preparação no que se refere às competências de comunicação clínica e quase significativas em Colocar adequadamente questões abertas e fechadas, Encorajar uma parceria entre o médico e o paciente, Permitir ao paciente que complete o seu raciocínio e Recolher a informação necessária sobre o paciente, em que se observaram valores mais baixos no subgrupo com maior interesse pelas áreas médicas. Quanto à comparação dos resultados com a variável ano curricular, houve uma diferença quase estatisticamente significativa em Estabelecer uma relação (rapport) com o doente, em que os alunos do 6º ano obtiveram uma media mais elevada. De resto não foram observadas mais diferenças estatisticamente significativas. A análise curricular confirmou que as competências de comunicação clínica são leccionadas durante o curso na unidade curricular “Bases Psicológicas da Medicina”, especificamente na unidade pedagógica de “Comunicação clínica e relação médico-doente”. As entrevistas realizadas aos docentes responsáveis pela unidade curricular indicaram duas ideias principais: 1) a necessidade de definir melhor um perfil de competências comunicacionais desejável no aluno que termina o mestrado em Medicina; e 2) garantir a formação nas valências comunicacionais, éticas e jurídicas, integrando de forma equilibrada a informação / conhecimentos e as competências nestas áreas. Conclusão: Os alunos inquiridos reconhecem a importância da comunicação na prática médica. Reconhecem que a FCS-UBI lecciona de forma eficaz as competências chave de comunicação e entrevista clínicas. Sentem-se efectivamente preparados para as exercer. Os resultados indicam como pontos a melhorar no ensino da comunicação clínica no curso de Medicina da FCS-UBI a comunicação de más notícias e a capacidade de lidar com reclamações.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/1613
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