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Título: Patologia da tiróide associada ao consumo de amiodarona
Autor: Lopes, Zita Maria Teixeira Castro
Palavras-chave: Amiodarona
Amiodarona - Tiróide - Aspectos fisiológicos
Amiodarona - Hipertiroidismo
Amiodarona - Hipotiroidismo
Amiodarona - Antiarrítmico
Dronedarona
Data de Defesa: Abr-2013
Editora: Universidade da Beira Interior
Resumo: A amiodarona é um antiarrítmico rico em iodo, usado no tratamento de taquiarritmias, com efeitos adversos muitas vezes subvalorizados, entre os quais se destacam as alterações sobre a tiroide. Apesar de a maioria dos pacientes permanecer eutiroideia, a amiodarona interfere no metabolismo das hormonas da tiroide, por mecanismos intrínsecos ao próprio fármaco ou pelo seu alto conteúdo em iodo. Quando clinicamente evidente, esta disfunção da tiroide iatrogénica pode manifestar-se como hipotiroidismo ou hipertiroidismo e ocorre em glândulas da tiroide normais ou com patologia subjacente. Como fatores de risco para a ocorrência do hipotiroidismo, estão a tiroidite de Hashimoto, sexo feminino e áreas geográficas com alto conteúdo em iodo envolvente. O sexo masculino e baixos níveis de iodo estão associados ao desenvolvimento do hipertiroidismo. O mecanismo mais aceite para o desenvolvimento do hipotiroidismo induzido pela amiodarona é a incapacidade de escapar do efeito de Wolff-Chaikoff agudo ou, ainda, por falhas na organificação do iodo e síntese das hormonas da tiroide. O tratamento não apresenta dificuldades, bastando a introdução da levotiroxina sódica, lentamente, sem necessidade de suspender a amiodarona. Por outro lado, o hipertiroidismo induzido pela amiodarona pode estar relacionado com o aumento da síntese de hormonas da tiroide em glândulas com patologia subjacente (tipo I), ou associado a uma tiroidite destrutiva, em glândulas aparentemente normais (tipo II). Ao contrário do hipotiroidismo, o seu diagnóstico e tratamento nem sempre são fáceis de estabelecer, sendo necessário distinguir o tipo de hipertiroidismo, para melhor abordagem terapêutica. A preocupação em relação a estes e outros efeitos adversos durante a administração prolongada da amiodarona, tem impulsionado o desenvolvimento de novos compostos que a possam substituir. Nesse sentido, destaca-se a dronedarona, mas esta já demonstrou eficácia inferior à da amiodarona, pelo que se mantém a necessidade de descobrir novos fármacos alternativos. Enquanto não se descobre uma alternativa, o uso da amiodarona continua frequente, devendo-se considerar os seus efeitos adversos sobre a tiroide. Por isso, o seu uso deve ser acompanhado de uma avaliação da função da tiroide rigorosa, que permita diagnosticar e tratar precocemente a patologia da tiroide que, muitas vezes passa despercebida.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/1615
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