Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/1786
Título: A "hora do conto" no jardim de infância
Autor: Torres, Carla Georgiana Ferreira
Orientador: Sardinha, Maria da Graça Guilherme D'Almeida
Palavras-chave: Educação pré-escolar
Jardim de infância
Aprendizagem da leitura
Hora do conto
Data de Defesa: 2009
Editora: Universidade da Beira Interior
Resumo: Desde os tempos mais remotos que o homem sentiu necessidade de contar histórias. Uma vez que ainda não existia ausência de qualquer espírito científico, isso fez com que se contassem histórias sobre o desconhecido: bruxas, fadas, dragões, explicavam, o que a própria razão desconhecia. Era um mundo tecido com palavras mágicas, que tinham o poder de desvendar as incógnitas da natureza e despertar os ouvidos mais desatentos. Ficção e realidade cruzavam-se, dando origem a maravilhosas narrações, perante as quais ainda hoje nos deleitamos, graças à criatividade e beleza das suas palavras. De facto, as crianças aprendiam a falar e a socializarem-se por imitação do adulto e do que estes lhes transmitiam com as suas próprias histórias deste modo o imaginário e cultura relacionavamse, numa simbiose de adaptação ao quotidiano de cada família. Com as narrativas orais, a criança, ao mesmo tempo que escuta vai construindo na sua mente outras histórias, isto porque, enquanto ouve, está como que a explorar a desenvolver o seu lado emocional. Com isso vai descobrindo a riqueza dos sons, do ritmo, das palavras, que se vão arquivando na sua memória. É hoje ponto assente, que toda a criança desperta cedo para o imaginário, e que as narrativas ajudam, na “arrecadação” de símbolos e imagens que, posteriormente, as levam ao conhecimento tanto dos heróis, dos cenários e dos espaços como das cores e das formas. A partir do momento em que a criança compreende a história e o seu significado, ou seja, o que se pretende ensinar com ela, a criança vai construindo o seu mundo imaginário e mais ainda começa a vivenciá-lo, apercebendo-se assim “da realidade” que deixa de ser o “faz-de-conta” para se apresentar como verdadeira e real. Os Professores e Educadores de Infância sabem, ou deviam saber, como é importante, diríamos mesmo fundamental, estimular esse mundo do imaginário da fantasia pois ele é sem dúvida, um factor essencial do desenvolvimento da reflexão e do espírito crítico. Ora, sendo o objectivo primeiro da escola formar cidadãos íntegros, responsáveis, capazes de intervir na sociedade a que pertencem, têm necessariamente de ser Ela a criar condições para que o aluno possa construir a sua identidade psicológica, individual e social. Nestes jogos de faz-de-conta, mais do que cumprir regras, a criança aprende a ser cidadão, aprende a crescer, brincando. No primeiro capítulo deste trabalho, pretendemos abordar a importância da Hora do Conto no Jardim-de-Infância isto porque, hoje em dia, deparamo-nos com uma realidade triste mas infelizmente bem presente na nossa sociedade. As crianças têm um contacto muito pequeno com a leitura, seja ela oral, ou a presente nos livros. Acreditamos que a responsabilidade desta situação, se deve a três factores muito presentes na realidade portuguesa: o avanço significativo dos meios de comunicação; a longa permanência dos pais fora de casa e, por último, o próprio dia-a-dia da sociedade. No início deste ano lectivo, verificamos que o nosso grupo constituído por crianças de 4 e 5 anos, também não fugia a essa realidade, pois quase todos mostravam ter pouco contacto com a literatura oral e até mesmo com a presença dos livros. Ao apercebermo-nos desta situação, tentámos colmatá-la e daí a realização deste trabalho, do qual esperamos vir a colher frutos uma vez que lançamos as sementes que se traduziram na adopção de um conjunto de medidas que levarão as crianças a sentir o gosto, o prazer que um livro proporciona. Todos sabemos que as histórias são de uma extrema utilidade, pois ensinam a criança a suportar problemas de crescimento, e a ultrapassar dependências, adquirindo um sentido de auto-aceitação e de auto-estima. A literatura infantil é fundamental para a sua formação. Ler e contar histórias é uma forma de desenvolver o gosto pela fantasia, incentivando na criança a sua criatividade e gradualmente o seu gosto literário. Foi com esse objectivo que instituímos a “Hora do Conto”, tempo esse destinado unicamente ao do criança/livro, tentando guiá-las na sua descoberta, fazê-las sentir a alegria, o prazer, que lhes proporcionava a história, que se esconde por detrás daquela capa dura, que pouco ou nada lhes diz. Todas as semanas, escolhíamos um conto para ser trabalhado em contexto na sala de aula tentando sempre respeitar os seguintes objectivos: criar e incentivar na criança o gosto pelo livro; enriquecer o seu vocabulário; conduzi-la pelo mundo do “faz de conta”, incutindo-lhe valores, desenvolvendo-lhe a imaginação e a criatividade. Em suma, estimulando-a para a descoberta do prazer que a leitura envolve. Para este trabalho seleccionámos três contos tradicionais: “Os Três Ursinhos”, “O Gato das Botas” e “A Carochinha”. Trabalhámo-los em todos os contextos, pois sabemos por experiência que a interdisciplinaridade leva a criança a uma melhor compreensão do que lhe está a ser ensinado, uma vez que os assuntos são abordados, em diferentes vertentes e situações. Nestas obras foram referidos valores como a amizade, a partilha, o esforço, a dádiva, mas também, os chamados anti-valores como sejam a preguiça, a mentira, a desobediência. Esta dualidade entre o bem e o mal, sempre presente nos contos, permitirá à criança, uma reflexão mais atenta sobre a melhor atitude a tomar perante situações quotidianas. A criança compara as suas reacções com as das personagens envolvidas, conseguindo facilmente aperceber-se se está a proceder bem ou mal. No segundo capítulo, elaborámos vários pontos de investigação, partindo do enquadramento teórico dos contos tradicionais. Abordamos o maravilhoso, o papel da ilustração, a leitura e a sua respectiva motivação, compreensão e aprendizagem, e por fim, os comportamentos emergentes no Jardim-de-Infância. No terceiro capítulo, não só expusemos algumas características do desenvolvimento da criança no Pré–Escolar (o chamado desenvolvimento cognitivo segundo Piaget) como fizemos a caracterização dos alunos que fazem parte da nossa amostra. Falámos ainda da “Hora do Conto” e da importância de que este tempo se reveste para a formação de futuros leitores. A finalizar este capítulo, apresentamos toda a nossa prática pedagógica, de acordo com as histórias seleccionadas, explicamos as actividades realizadas dentro da sala de aula, e referimos os trabalhos elaborados pelas crianças. No quarto e último capítulo fizemos uma análise atenta e rigorosa aos diferentes paços que tivemos que dar para a execução do nosso projecto, uma vez que, era para nós importante, demonstrar como chegamos a determinadas conclusões. Foi uma investigação feita com gosto pois relembramos conhecimentos e aprendemos coisas novas, o que é sempre uma mais valia, sobretudo numa profissão como a nossa em que temos que estar constantemente a inovar, a criar, diríamos mesmo “a sonhar”. No final, apresentamos a respectiva bibliografia, seguida de um corpo de anexos que julgamos pertinente.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/1786
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