Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/1841
Título: A língua portuguesa numa perspectiva transversal: o discurso pedagógico na aula de matemática
Autor: Silva, Carla Isabel Abrantes
Palavras-chave: Supervisão pedagógica
Data de Defesa: 2013
Editora: Universidade da Beira Interior
Resumo: O interesse pela formação de professores, sendo esta encarada como um processo contínuo, não deve alhear-se das experiências pessoais e profissionais desenvolvidas ao longo da vida,entendendo-se o ambiente de trabalho, em sala de aula, como um importante contexto formador, quer na construção de uma consciência colectiva, quer no desenvolvimento de uma prática reflexiva, conducente a uma escola que se pretende de excelência. A importância desta investigação, que recaiu na observação da interacção verbal professor-aluno/aluno-professor, na aula de Matemática, prendeu-se com o facto de, por um lado, ser sentida a necessidade de se realizarem investigações, em contexto de sala de aula, conducentes a uma reflexão sobre a prática e, por outro, o facto de ser reconhecido o papel de relevo que a Língua Portuguesa desempenha na aquisição de múltiplos saberes. A sua vertente transversal tem desencadeado preocupações linguísticas e mudanças nas concepções e práticas dos professores, em geral, e dos professores de Matemática, em particular, visto diferentes estudos apontarem como causa para o insucesso, nesta disciplina, as dificuldades no domínio da língua materna. Por último, o discurso oral surge, em sala de aula, como estratégia de eleição para o discurso que se estabelece entre os diferentes intervenientes, constituindo a pergunta um elemento de relevo nas práticas discursivas do professor, não só pela regularidade com que é utilizada mas também pelas suas potencialidades. Tendo em conta que a presente investigação está direccionada para a análise de fenómenos educativos, pretendeu-se pôr em prática um modelo de investigação-acção, assente numa metodologia, tendencialmente qualitativa, recorrendo, por vezes, a dados quantitativos. Utilizaram-se os mecanismos que se mostraram mais adequados (observação de aulas, questionários, sessões de formação), permitindo obter resultados que foram alvo de estudo estatístico, análise de conteúdo e cruzamento de dados. O estudo envolveu três professores de Matemática e três turmas, uma do ensino básico e duas do ensino secundário, pertencentes a uma mesma escola, situada na área metropolitana de Lisboa. Foi com base nos pressupostos apresentados que surgiram as seguintes questões investigativas, sobre as quais se debruçou o presente estudo: Será que os professores de Matemática consideram que a sua competência linguística em Língua Portuguesa influencia a aprendizagem na sua disciplina? Os professores de Matemática terão consciência do tipo/qualidade do seu discurso oral, nomeadamente, no que diz respeito ao questionamento em contexto de sala de aula? Que desempenhos em língua revelam os professores de Matemática, nomeadamente, no que se refere às perguntas orais na sala de aula? A reflexão sobre a importância da Língua Portuguesa e o tipo/qualidade do questionamento em sala de aula poderão trazer melhorias ao ensino-aprendizagem da Matemática? Recaindo a investigação na procura de respostas para as referidas questões investigativas, foi possível concluir que, de uma forma geral, os professores de Matemática que participaram nesta investigação mostraram preocupações com o bom uso da língua materna, quer através do recurso à expressão escrita, quer ao nível da oralidade, tendo A Língua Portuguesa numa Perspectiva Transversal - O Discurso Pedagógico na Aula de Matemática consciência da importância da mesma na aprendizagem da Matemática. No entanto,reconheceram alguma dificuldade em relacionar os conceitos matemáticos com os conceitos do quotidiano, apontando como lacuna questões referentes à formação de professores. As aulas tiveram como base a interacção verbal, na qual a pergunta desempenhou um papel fundamental. Inicialmente, os professores não apresentaram uma consciência sobre a importância do questionamento, situação que se foi alterando ao longo do estudo. O mesmo permitiu constatar que o nível cognitivo das perguntas, a que mais recorreram os professores, se situa nas questões que apelam ao pensamento convergente e a perguntas de rotina, verificando-se, em traços gerais, a ausência de questões de estímulo ao raciocínio e à reflexão, que poderiam originar situações de discussão. Os professores consideraram que a ausência de perguntas divergentes prende-se, por um lado, com o facto de os professores não organizarem as suas estratégias de ensino nesse sentido, e, por outro, porque as mesmas exigem um maior controlo na gestão da sala de aula, visto as respostas poderem ser bastante diversificadas e a sua análise mais complexa. Quanto ao questionamento apresentado pelos alunos, o mesmo foi reduzido e de nível cognitivo baixo, indo ao encontro de diferentes estudos realizados nesta área. Em traços gerais, o estudo desenvolvido permitiu uma reflexão mais fundamentada sobre o modo de questionar e as consequências deste para a aprendizagem dos alunos. Observou-se uma tomada de consciência do tipo de questionamento de cada um dos professores, assim como de cada aluno. Constatou-se que a comunicação realizada, através do discurso oral, funciona como um suporte que favorece, em termos globais, a aprendizagem na aula de Matemática e que o sucesso nesta disciplina se relaciona, directa ou indirectamente, com o domínio da língua materna.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/1841
Aparece nas colecções:FAL - DL | Dissertações de Mestrado e Teses de Doutoramento

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