Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/1942
Título: Influência do calão cigano nas línguas portuguesa e castelhana em contextos de comunicação de massa
Autor: Moureau, Géraldine Chantal
Orientador: Vieira, Cristina da Costa
Palavras-chave: Calão cigano
Influência na língua portuguesa
Influência na língua espanhola
Influência comunicação social
Data de Defesa: 2010
Editora: Universidade da Beira Interior
Resumo: No âmbito do mestrado em Estudos Ibéricos, conta-se com a realização de uma dissertação de fim de curso cujo tema é livre. Perante a diversidade dos projectos susceptíveis de investigação, que no meu caso se encontravam na área científica da cultura e da sociolinguística, destacou-se o tema das línguas minoritárias face às línguas hegemónicas da Península Ibérica. Deste modo, decidi estudar as influências dos falares românis, denominados caló em Espanha e calão cigano ou caló2 em Portugal, no contexto da comunicação mediática e da linguagem musical. Parece-me interessante romper com o cliché habitual do cigano-mendigo e equilibrar os fluxos de dom entre os dois povos (ciganos e não ciganos). Há que salientar que o povo cigano, que recebe a denominação politicamente correcta de Rom, se caracteriza pela sua presença espalhada por todo o território ibérico, o que lhe impede de ter uma organização política e linguística. Portanto, compreendemos que os falares românis podem ser chamados dialectos e não línguas, devido à sua falta de homogeneidade e de associação a um Estado política e geograficamente definido. Por ser um povo cuja matriz cultural sempre foi oral, é através dos documentos dos não ciganos que os historiadores, filólogos e ciganólogos podem estudar esta etnia. Relativamente às influências linguísticas, tive a necessidade de restringir os seus efeitos apenas aos léxicos das línguas castelhana e portuguesa por razões de limitação temporal e material. A análise dos comunicados mediáticos permitirá classificar o vocabulário do inventário nos registos de língua. Quanto à parte musical, as letras das canções seleccionadas servirão para ilustrar a viagem de um vocábulo români até às línguas portuguesa e castelhana e também porque a música é uma dimensão cultural de grande difusão mediática, tendo por isso uma ligação temática com o estudo dos falares calão cigano e caló nos media (até porque a difusão da música é feita nos meios audiovisuais). Com efeito, o canto pode servir de ponte entre as comunidades linguísticas e de modo de divulgação das palavras até ao grande público. Antes de apontar os objectivos do trabalho, algumas linhas explicativas parecem-me necessárias para fundamentar a escolha do meu tema de dissertação. Em primeiro lugar, foi o meu interesse pelas minorias culturais e linguísticas que me orientou para a comunidade dos Roma. A etnia cigana conhece uma fase de crise, neste caso linguística, portanto requer auxílio por parte não só dos seus líderes mas também dos responsáveis governamentais, autárquicos, académicos, sociais e religiosos e de estudantes interessados pela problemática. Este trabalho seria o início de uma contribuição minha, com a expectativa de poder apontar a rica influência români nas duas línguas hegemónicas ibéricas mas também assimilar alguns factos discriminatórios e denunciar a inércia que os cerca. A questão das relações linguísticas inter-étnicas pareceu-me uma abordagem interessante na medida em que apontava para factos relativos à comunicação e à integração do povo cigano no seio da Península Ibérica. Os valores e o património cultural do povo aqui em causa, que sempre lutou contra as agressões culturais, sociais, económicas e até linguísticas parece-me um tema abundante que merece ser defendido, estudado e sobretudo compreendido. Também porque geralmente os lusófonos e hispanófonos desconhecem a origem das palavras calós que residem no seu idioma, e os identifica como palavras próprias do calão carcerário actual. Por outro lado, no decurso de um trabalho semestral de Linguística Comparada, tive a oportunidade de aprofundar o meu conhecimento sobre o mosaico linguístico ibérico. As estatísticas falam por si: só 1% do povo espanhol fala eusquera, mas esta língua tem um estatuto oficial, ou pelo menos co-oficial, já que é um idioma reconhecido na comunidade autónoma basca. No caso do caló de Espanha, contamos aproximadamente 40.000 pessoas3 que usam esta língua no seu quotidiano e que a consideram como materna, mas o caló nunca conseguiu atingir o reconhecimento estatal. Encontramos a mesma problemática no país vizinho. Queria descobrir qual é exactamente o lugar que esse falar ocupa no seio da Península Ibérica. Além disso, na cadeira de Culturas Regionais Peninsulares, tive a ocasião de aprofundar temas como os diferentes planos das diversidades cultural e linguística no seio da Península Ibérica, o que reiterou o meu desejo de abordar a temática aqui em causa. E por último, sendo mestranda no curso de Estudos Ibéricos, vi neste tema um aspecto interessante: o tema abrange tanto uma questão espanhola como portuguesa. Além do mais, o castelhano e o português são as duas línguas que escolhi para aprofundar durante o meu percurso académico. Uma dissertação na área da cultura e da linguística ibéricas permitirá que eu continue nesse caminho.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/1942
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