Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/2366
Título: Arquitectura inclusiva: projectar espaços invisíveis
Autor: Almeida, Bruno Gonçalo Martins Gomes d'
Orientador: Gomes, Cristina Maria dos Santos Nunes Caramelo
Palavras-chave: Design inclusivo
Estimulação sensorial
Terapia Snoezelem
Percepção do espaço
Data de Defesa: 2012
Resumo: A escolha deste tema, e não outro, foi, hipoteticamente, o facto de nem sempre a arquitectura ser observada como uma forma de expressão ou de um ponto de vista artístico, mas muitas vezes como um “tem que ser construído.” Somos rodeados por arquitectura mas nem sempre a vivemos da melhor forma, nem sempre sabemos tirar o melhor partido do que nos rodeia e nem sempre o que nos rodeia é o melhor para nós nem o que nos faz mais felizes. Esta realidade é ainda maior para indivíduos portadores de deficiência. Nota-se, hoje em dia, uma crescente preocupação para que as casas, e não só os espaços comerciais e públicos, sejam acessíveis a todas as pessoas. O Decreto-Lei nº. 163/2006 de 8 de Agosto, aprova o regime da acessibilidade aos edifícios e estabelecimentos que recebem público, via pública e edifícios habitacionais, revogando o Decreto-Lei nº. 123/97, de 22 de Maio. Pensando nisto, muitos profissionais da área da Arquitectura, Engenharia e Design de Interiores, desenvolvem os seus projectos levando em conta o desenho universal ou inclusivo. Design Universal, Total ou Inclusivo, significa "design que inclui" (o contrário de excluir) e "design para todos". São serviços e ambientes com a finalidade de serem usáveis pelo maior número de pessoas possível, independente da idade, habilidade ou situação. No Design Inclusivo, estuda-se uma série de questões que geralmente não são abordadas num projecto comum, porque neste caso consideram-se todas as possibilidades de uso, por usuários muito diferentes. Isso inclui questões sociais, históricas, antropológicas, económicas, políticas, tecnológicas, e principalmente de ergonomia e usabilidade. Por isso, o design inclusivo não é exclusivo às pessoas portadoras de deficiência. A aplicação destes princípios pode garantir, por exemplo, que uma mesma pessoa resida na mesma casa dos 0 aos 80 anos. As necessidades mudam ao longo da nossa vida. Uma casa inclusiva é por isso uma casa para toda a vida. Desde sempre que vivemos com, e de espaços e somos todos diferentes, basta perguntar a um grupo de pessoas qual a casa dos seus sonhos e de certeza que as respostas serão todas mais ou menos diferentes! Cada vez mais, caminhamos para um mundo em que mesmo diferentes, todos temos direito à igualdade de oportunidade, e os arquitectos têm um papel fundamental nesta igualdade. Daqui advém a necessidade de uma arquitectura mais inclusiva. Projectar sem barreiras e sem obstáculos, tentar com que as minorias sejam parte integrante de um mundo de igualdades, parece-nos fundamental. Não falamos apenas de deficientes físicos ou mentais, mas com a esperança média de vida a aumentar cada vez mais, todos nós de uma maneira ou de outra, vamos ter dificuldades em relação ao espaço que nos rodeia. Pensar no “projectar para todos” é essencial. Segundo o CEDIPOD (Centro de Documentação e Informação do Portador de Deficiência), mais ou menos 10% da população de um país em tempos de paz, é portadora de algum tipo de deficiência. Com base em dados do Censo 2000, o maior número é de deficientes visuais. Vivemos numa ditadura visual. Confiamos 100% na veracidade da visão e que esta é a única tradutora da verdade. E as pessoas que não vêem? Deixam de conhecer a veracidade das coisas porque não têm visão? A arquitectura não é somente uma superfície. Não é uma fotografia. Não a podemos economizar a um papel quando mais tarde ela ocupará um espaço gigante real. A arquitectura produz ambientes e desperta sensações. Daí não poder ser somente vista, ter que ser sentida! A visão é apenas uma ferramenta para percepcionar e experienciar a arquitectura. Um cego sente o espaço pela reverberação do som, a sua voz potencializa a sua localização, o tacto permite ver mais além das cores. Por isto, podemos afirmar que a arquitectura não é somente visão: é mão, pé, nariz, boca... Um arquitecto completo não somente vê, sente! Esta dissertação tem como principal objectivo analisar a importância da arquitectura inclusiva na rotina de pessoas invisuais, e mostrar se através dela podemos também melhorar a qualidade de vida de pessoas com outros tipos de deficiência ou mesmo sem qualquer tipo de incapacidades. É também propósito motivar a inclusão social e responder à seguinte questão: “Será a arquitectura exclusiva dos visuais?”. Já que a arquitectura apela a todos os nossos sentidos porque não trabalhar com diferentes materiais, diferentes níveis de luz, diferentes cores, diferentes texturas e diferentes sons. Tendo como fundo a cidade montanha da Covilhã, que pelos seus declives se torna num local difícil em termos de deslocação pedestre, o projecto final visa ser a proposta de uma A.C.A.P.O. (Associação para Cegos e Amblíopes de Portugal) que serve um público desta cidade e da sua envolvente. Mediante um estudo e análise teórica prévia, realizar-se-á uma proposta de projecto arquitectónico que motive a inclusão social para todas as pessoas com este tipo de deficiência. Este projecto terá ainda uma guest-house para qualquer pessoa cega ou amblíope que queira conhecer ou visitar a cidade.
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/2366
Designação: Dissertação apresentada à Universidade da Beira Interior para a obtenção do grau de Mestre em Arquitectura
Aparece nas colecções:FE - DECA | Dissertações de Mestrado e Teses de Doutoramento

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