Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/3333
Título: A relação médico-doente face aos avanços tecnológicos da medicina nos séculos XIX e XX : haverá sempre ganhos?
Autor: Tadeu, José Pedro de Sousa
Orientador: Gonçalves, António Lourenço Marques
Palavras-chave: Relação médico-doente
Relação médico-doente - Apoio tecnológico
Medicina - Tecnologia - Séc.19-20
Data de Defesa: 2009
Resumo: Introdução: Estes são tempos estranhos, em que estamos mais saudáveis que nunca, mas simultaneamente, mais ansiosos com a nossa saúde (Roy Porter). Os séculos XIX e XX foram os mais ricos em termos de avanços médicos, mudanças sociais e penetração da profissão médica na sociedade. Esta mudança radical da saúde levantou questões que ainda hoje se mantêm. Tentarei dar resposta a estas perguntas no texto que se segue. Objectivo: Realizar uma reflexão histórica sobre a evolução da relação médico-doente focada na influência determinante dos avanços tecnológicos verificados no campo da medicina, durante os séculos XIX e XX. Métodos: pesquisa bibliográfica em livros, artigos e conteúdos online usando palavras-chave associadas ao tema. Discussão: O século XIX foi caracterizado por revoluções em todos os sectores da sociedade. Marcado pela Revolução Napoleónica, o ensino médico foi modificado. A anatomia, o laboratório e a epidemiologia tornaram-se parte fundamental do exercício da medicina. As descobertas de novos métodos diagnósticos sucediam-se a uma velocidade estonteante. Concomitantemente, a Revolução Industrial provocou profundas alterações sóciodemográficas. O ambiente nefasto das novas metrópoles levou a novas crises sociais, com epidemias e taxas de mortalidade nunca antes vistas. Criou-se o ambiente propício ao desenvolvimento de sistemas públicos de saúde, controlados pelo Estado, que pudessem solucionar estes problemas da população. Apesar dos avanços presentes, as grandes mudanças deveram-se à intervenção do Estado na melhoria das condições de vida das pessoas. A Medicina era impotente perante a doença, embora soubesse, melhor do que nunca, diagnosticá-la. Tudo mudou no século XX. As infecções foram finalmente vencidas, a cirurgia realizava verdadeiros milagres, novas técnicas diagnósticas permitiam visualizar directamente o órgão vivo. Mas toda esta tecnologia levou a um distanciamento entre médico e doente. As novas patologias crónicas continuavam sem cura. E a medicina não conseguiu cumprir a sua promessa de curar todas as doenças. Tensões profissionais e sociais também foram parte do novo dilema da medicina: a própria humanidade. Conclusão: A melhor hora da medicina pode ser também o amanhecer dos seus problemas. Durante muitos séculos a medicina foi impotente mas não era problemática. Dos gregos até à Primeira Guerra Mundial, as suas funções eram simples. Hoje, tendo controlado muitas doenças, antes mortais, aprimorado o parto e dominado a dor, desígnio magnânimo, os seus triunfos dissolvem-se na sua desorientação. A medicina levou a expectativas inflacionadas, que o público rapidamente aceitou como verdades. Mas à medida que as expectativas sobem, mais inatingíveis se tornam. A medicina tem pois um árduo trabalho à sua frente: estabelecer os seus limites e redefinir os seus objectivos.
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/3333
Designação: Mestrado em Medicina
Aparece nas colecções:FCS - DCM | Dissertações de Mestrado e Teses de Doutoramento

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