Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/3372
Título: Reflexões e propostas metodológicas para a aprendizagem da fala e da escrita por crianças com Trissomia 21
Autor: Duarte, Cristina Isabel Fernandes
Orientador: Pereira, Reina Marisol Troca
Palavras-chave: Sindrome de Down - Ensino especial
Aprendizagem da fala - Criança com deficiência
Aprendizagem da escrita - Criança com deficiência
Dificuldade de aprendizagem - Métodos pedagógicos
Criança com deficiência - Aprendizagem - Métodos pedagógicos
Data de Defesa: 2009
Resumo: Todas as crianças têm o direito a uma vida escolar e social, cada uma com as suas dificuldades, com o seu ritmo de aprendizagem ou mesmo com diferentes motivações. Nos séculos anteriores ao século XVIII, toda a criança com qualquer deficiência era apedrejada ou maltratada. Foi a partir deste século que alguns estudos começaram a ser realizados. Todavia, foi só no século XX, e durante a Revolução Francesa, que a ideia de que poderiam existir crianças com deficiências específicas começou a aparecer, com autores como Thorndike ou Spearman. Iniciou-se então uma luta pela igualdade de direitos tanto a nível escolar como social. Assim sendo, à criança devem ser dadas oportunidades de integração social e escolar. É logo durante a gravidez que se poderá percepcionar a má formação do feto correspondente ao cromossoma 21, que indicará que a criança virá a sofrer de Trissomia 21. Desde então é necessário ajudar os pais a tomarem consciência do que poderão fazer para ajudar o seu filho a ter uma boa, digna e saudável vida. Contudo, só quando nasce é possível realizar um estudo físico mais aprofundado para se perceber as lesões existentes e que órgãos estão afectados, já que esta é uma deficiência cujas lesões dependem de criança para criança não sendo nenhuma igual. Poderão existir lesões tanto a nível físico como sensorial ou mesmo psicológico. Fisicamente são crianças pequenas, com feições faciais muito próprias: orelhas pequenas, com uma prega perto dos olhos e uma língua muito desenvolvida, o que dificulta a articulação de sons. O pescoço é curto, o tronco tende a ser recto e o cabelo é fino e em pouca quantidade. Os dedos das mãos são curtos e largos, enquanto que a pele sofre alterações com os anos: no início é relaxada tendendo, de seguida, a engrossar e a perder a elasticidade. Podem ainda sofrer de problemas de coração, de deficiências auditivas ou mesmo visuais. Por outro lado, as insuficiências psicológicas que possam apresentar, em conjunto com estas características físicas vão aumentar as complicações na articulação de sons e na progressiva aquisição de palavras. Tanto os pais, como os educadores que acompanham a criança diariamente terão que ter em consideração que ela vai iniciar o seu processo de comunicação através de gestos ou expressões faciais que têm que tentar perceber para que ela não se sinta constrangida ou perdida num mundo que ela sente que não a compreende, o que poderá conduzir a sentimentos de revolta ou desmotivação. Para estas crianças é necessário criar um processo logo desde que nasce, para assim se poderem perceber certas atitudes ou comportamentos, ou mesmo para se acompanhar todo o seu desenvolvimento. Uma boa e especializada educação é assim imprescindível. Uma Educação Especial é pretendida, tendo em consideração que estas crianças são diferentes e precisam de ajuda para ultrapassar as dificuldades com que já nasceram, tendo cada educador que conhecer, em particular, as suas características. Aspirando todas as crianças atingirem a sua escolaridade, têm igualmente o direito a um Plano Educativo Individualizado. Só assim poderão vir, mais tarde, a integrar-se socialmente. Este plano deve incluir todo um conjunto de métodos e técnicas capazes de fazer ultrapassar algumas das dificuldades, mesmo as físicas. Crianças com Trissomia 21 aprendem muito através do contacto visual e não tanto através da audição, daí a dificuldade que apresentam em discriminar sons ou mesmo palavras. É então através de palavras escritas que poderá iniciar-se o processo de aprendizagem, claro que depois de aprender a falar, nunca esquecendo que terá de existir um suporte de imagem para que consigam juntar a imagem à sua respectiva significação. Jamais se pode esquecer que são crianças que têm o seu ritmo de aprendizagem, não se podendo exigir muito, e que aprendam logo tudo de uma vez. Quando se verificar que conseguem relacionar a palavra com a imagem, passar-se-á à etapa seguinte, onde vão aprender a formar frases. Nada disto será conseguido se a criança não tiver o apoio esperado de todos os educadores que a rodeiam, inclusive dos pais, ou mesmo se lhe forem impostos tempos para atingir os seus objectivos. Tudo isto implica uma intervenção precoce com um plano bem estruturado logo desde que nasce. Só assim ela se desenvolverá e conseguirá integrar-se socialmente. Contudo, ter-se-ão que ter em conta alguns aspectos no inicio desta intervenção, como sendo ao seus problemas físicos ou o contexto social em que está inserida. Este plano deve ser flexível para possibilitar uma aprendizagem geral da criança, à medida que vai tendo um contacto realista com o mundo que a rodeia. Existem várias terminologias para este deficiência: Trissomia 21, Síndrome de Down (nome atribuído devido ao nome do médico que descobriu a má formação genética - Langdon Down) e Mongolismo (nome atribuído popularmente pela aparência física). Para mim não faria sentido atribuir estas duas últimas denominações, já que me parecem algo discriminatórias. Assim sendo, optei pela terminologia Trissomia 21, pois esta deficiência é proveniente de uma desordem cromossomática, sendo reconhecidos os mecanismos etiológicos desencadeadores do genótipo e do fenótipo da pessoa em causa, desencadeando alterações físicas e psicológicas. Durante o processo de fecundação existe uma alteração genética de um dos cromossomas do par 21 por permuta com outro cromossoma de outro par de cromossomas. Trissomia 21 será então a denominação científica que eu optei por utilizar ao longo deste trabalho. Aprender a falar é uma das competências que crianças com Trissomia 21 têm que adquirir. Só mais tarde lhes será exigido a aprendizagem da leitura e da escrita, já que uma das suas maiores dificuldades é a capacidade de reter alguma informação na sua memória. Devido a este obstáculo o professor poderá ensinar a falar usando o suporte de imagens que deverão ficar ao alcance da criança para que ela possa lembrarse do que se referem sempre que as virem. Ao longo do tempo, ela apresentará avanços e recuos quanto ao seu desenvolvimento, o que ficará anotado no seu processo ou no seu currículo. Este convirá conter todos os aspectos inerentes à sua aprendizagem e ao longo de todos os anos, ficando anotados todos os aspectos relevantes ao seu progresso, tanto em família, como na escola ou mesmo socialmente. Assim sendo, este currículo deverá funcionar como um processo de construção social e pessoal da criança que possua Trissomia 21. Portadores de Trissomia 21 poderão vir a integrar-se socialmente como qualquer outra criança. Está nas mãos dos pais, dos educadores, dos médicos e da sociedade fazer com que isto se torne uma realidade.
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/3372
Designação: Dissertação apresentada à Universidade da Beira Interior para a obtenção do grau de Mestre em Língua, Cultura Portuguesa e Didáctica
Aparece nas colecções:FAL - DL | Dissertações de Mestrado e Teses de Doutoramento

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