Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/912
Título: Casuística das intoxicações clínicas em Portugal : perfil das intoxicações no serviço de urgência geral do Hospital de São Teotónio - Viseu, E.P.E.
Autor: Cardoso, Norberto Loureiro
Palavras-chave: Intoxicação clínica
Intoxicação - Etiologia
Intoxicação clínica - Serviço de urgência
Intoxicação clínica - Agentes tóxicos
Intoxicação clínica - Tratamento
Intoxicação clínica - Flumazenilo
Data de Defesa: Out-2011
Editora: Universidade da Beira Interior
Resumo: A abordagem do doente intoxicado no serviço de urgências de um hospital exige o conhecimento de vários factores não só do indivíduo mas também do tóxico e envolvência onde ocorreu o contacto com o tóxico. Dada a enorme diversidade de substâncias que podem exercer acções tóxicas no ser humano, torna-se importante conhecer qual a sua prevalência de modo a poder responder de forma mais adequada às intoxicações atendidas nos serviços de urgência. Em Portugal, não existe até à data qualquer estudo que estabeleça qual a prevalência de intoxicações nos serviços de urgência, bem como quais os agentes tóxicos que mais frequentemente estão implicados em intoxicações clínicas, tornando-se por isso pertinente efectuar um estudo que permita analisar dados epidemiológicos, etiológicos e terapêuticos dos doentes intoxicados que recorrem aos serviços de urgência, bem como determinar os agentes tóxicos mais frequentemente envolvidos nas intoxicações clínicas, a sintomatologia apresentada pelos doentes intoxicados, o tratamento administrado ao doente e ainda classificar as intoxicações que chegam aos serviços de urgência. Estabeleceu-se como objectivo do presente trabalho traçar o perfil das intoxicações clínicas que chegaram ao Serviço de Urgência Geral do Hospital de S. Teotónio – Viseu. Para tal, efectuou-se um estudo retrospectivo onde foram analisados os episódios do serviço de Urgência Geral do Hospital de S. Teotónio – Viseu, ocorridos durante o ano de 2010 que, de acordo com a Triagem de Manchester, representaram doentes intoxicados, analisando-se indivíduos triados pelos fluxogramas de Sobredosagem e Envenenamento e Exposição a Quimicos. A recolha de dados foi efectuada por intermédio de um inquérito que permitiu analisar dados demográficos, doenças crónicas, farmacoterapia, agentes tóxicos, sintomatologia, via de entrada, tipo de intoxicação, tratamento administrado, dados cronológicos, entre outros. Posteriormente efectuou-se a análise estatística dos dados recolhidos. Durante o ano 2010, foram atendidos no serviço de urgência do Hospital de São Teotónio – Viseu, E. P. E., 95635 episódios de urgência, dos quais 0,72% representavam possíveis intoxicações. Dos 331 episódios de urgência estudados, 74,02% envolveram indivíduos do sexo feminino e 25,98% indivíduos do sexo masculino. A idade média dos intoxicados foi de 40,32 (± 15,06) anos. Maioritariamente as intoxicações eram voluntárias (87,61%) e destas 93,45% representavam intoxicações com intenção auto-agressiva ou ideação suicida. A principal via de contacto com os tóxicos foi a via oral (90,93%) e os fármacos representaram o principal tipo de tóxico implicado nas intoxicações, estando mencionados em 76,74%. O principal grupo farmacoterapêutico referido nas intoxicações medicamentosas foi o grupo dos ansiolíticos, sedativos e hipnóticos (66,14%) muito devido às intoxicações por benzodiazepinas que estavam descritas em 164 episódios de urgência. Seguidamente os antidepressivos estiveram implicados em 34,25% dos casos de intoxicações com fármacos. Os pesticidas encontram-se envolvidos em 13,58% dos casos e o principal grupo de pesticidas descrito foi o dos insecticidas derivados das piretrinas (31,11%), seguido pelos insecticidas organofosforados (15,56%). Os herbicidas foram responsáveis por 20,00% das intoxicações por pesticidas, sendo que o paraquato representou 8,89% das intoxicações por estes compostos. O tratamento não específico foi administrado em 76,43% dos indivíduos que receberam tratamento e as medidas de descontaminação gástrica foram aplicadas em 58,00% desses casos. Os antídotos foram administrados a 18,12% dos intoxicados. O flumazenilo foi administrado em 37 indivíduos, no entanto estava contra-indicado em 54,05% desses casos. A maioria dos intoxicados teve alta directamente do serviço de urgência (74,02%), 24,47% foram internados e 2 indivíduos faleceram durante o episódio de urgência. Este trabalho permitiu traçar pela primeira vez o perfil das intoxicações clínicas atendidas num serviço de urgências hospitalares, bem como fazer o levantamento de alguns dados relativos às intoxicações clínicas em Portugal.
Peer review: yes
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/912
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