Faculdade de Ci?ncias da Sa?de Mestrado Integrado em Medicina Universidade da Beira Interior Estudo retrospectivo das crises convulsivas na fase aguda do AVC no ano de 2008. Frequ?ncia e implica??es cl?nicas. Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais Centro Hospitalar Cova da Beira, E.P.E. Catarina Andreia Ramos Oliveira Covilh?, Maio de 2009 Disserta??o de Mestrado Integrado em Medicina Faculdade de Ci?ncias da Sa?de Mestrado Integrado em Medicina Universidade da Beira Interior Estudo retrospectivo das crises convulsivas na fase aguda do AVC no ano de 2008. Frequ?ncia e implica??es cl?nicas. Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais Centro Hospitalar Cova da Beira, E.P.E. Por Catarina Andreia Ramos Oliveira Orientada por Doutor Francisco Alvarez Covilh?, Maio de 2009 i Disserta??o apresentada ? Universidade da Beira Interior para cumprimento dos requisitos necess?rios ? obten??o do grau de Mestre em Medicina, sob orienta??o cient?fica do Doutor Francisco Alvarez, docente da Faculdade de Ci?ncias da Sa?de da Universidade da Beira Interior. ii DEDICAT?RIA Dedico este trabalho a todos os que me s?o queridos e me permitiram a realiza??o de um sonho? iii AGRADECIMENTOS Ao meu orientador, Dr. Francisco Alvarez, por ter aceite o meu convite para orienta??o da minha disserta??o de Mestrado, pelo apoio, ajuda, disponibilidade, dedica??o e paci?ncia demonstradas durante a realiza??o do trabalho. Ao Dr. Pedro Rosado e t?cnico Pedro pela ajuda na obten??o e interpreta??o de exames complementares de diagn?stico. Ao Servi?o Administrativo e respectivos funcion?rios, pelo aux?lio prestado na recolha dos processos cl?nicos. Aos meus colegas, pela entreajuda e incentivo prestados. Aos meus pais e irm?o, pelo apoio incondicional. Ao Andr?, pela compreens?o, apoio, ajuda e paci?ncia demonstrada em todos os momentos. iv LISTA DE ABREVIATURAS ACM ? Art?ria Cerebral M?dia AIT ? Acidente Isqu?mico Transit?rio AVC ? Acidente Vascular Cerebral CHCB ? Centro Hospitalar Cova da Beira DM ? Diabetes Mellitus DPOC ? Doen?a Pulmonar Obstrutiva Cr?nica ECG ? Electrocardiograma EEG - Electroencefalograma E.P.E. ? Entidade P?blica Empresarial F ? Feminino FA ? Fibrilha??o Auricular FAE ? F?rmacos anti-epil?pticos HTA ? Hipertens?o Arterial ILAE ? International League Against Epilepsy ITU ? Infec??o do Trato Urin?rio M ? Masculino PLEDs ? Periodic lateralized epileptic discharges RM ? Resson?ncia Magn?tica SNC ? Sistema Nervoso Central SU ? Servi?o de Urg?ncia TC ? Tomografia Computadorizada v TC-CE ? Tomografia Computadorizada Cr?nio-encef?lica TOAST ? Trial of Org 10172 in Acute Stroke Treatment U-AVC ? Unidade de Acidentes Vasculares Cerebrais vi RESUMO: Introdu??o: Os Acidentes Vasculares Cerebrais s?o um grave problema de sa?de p?blica. Trata-se de uma doen?a s?bita que tem sido reconhecida como um factor de risco para o desenvolvimento de crises convulsivas e epilepsia secund?ria, identificada como a causa mais frequente nos idosos. A maioria das convuls?es ocorre nas primeiras 24h ap?s o AVC. O objectivo do trabalho ? determinar a frequ?ncia das crises nos doentes internados com o diagn?stico de AVC agudo na U-AVC do CHCB e seu perfil. Materiais e m?todos: Estudo retrospectivo, do ano de 2008, por consulta de processos cl?nicos dos doentes admitidos na U-AVC do CHCB, com o diagn?stico de AVC agudo e que apresentaram crises ap?s o AVC. Efectuou-se uma an?lise descritiva dos casos. Resultados: Dos 257 doentes internados na U-AVC com diagn?stico confirmado de AVC, foram presenciadas crises convulsivas em 6 doentes, 2 do sexo feminino e 4 do sexo masculino, com uma frequ?ncia total de 2,33%. Os 6 doentes sofreram enfarte isqu?mico, registando uma frequ?ncia de 2,91% relativamente a este grupo, sendo 4 deles de origem cardioemb?lica, um aterotromb?tico e o restante de causa indeterminada. Tamb?m 4 deles apresentaram localiza??o cortico-subcortical e os outros dois, subcortical. As crises apresentadas foram, na sua maioria, parciais simples, e manifestaram-se nas primeiras 24h ap?s o ingresso hospitalar. Exames de imagem de controlo e EEG foram realizados em 3 dos doentes e todos eles foram tratados com f?rmacos anti-epil?pticos. Discuss?o/conclus?es: A frequ?ncia de convuls?es p?s AVC apresentada pelos doentes admitidos na U-AVC est? de acordo com alguns estudos, mas n?o com a maioria, que sugerem a ocorr?ncia de uma frequ?ncia superior, assim como o facto das crises estarem descritas apenas em doentes que sofreram AVC isqu?mico, j? que a maior parte dos dados sugere que estas ocorrem mais frequentemente ap?s AVCs hemorr?gicos. Em rela??o ? localiza??o, os enfartes afectaram tanto a zona cortical quanto a subcortical na sua maioria, e tiveram como origem mais comum, a cardioemb?lica, o que est? de acordo com a literatura. Relativamente ?s crises convulsivas, estas manifestaram-se mais por crises parciais simples, tendo sido tratadas com um FAE. Palavras-chave: Acidente vascular cerebral, factores de risco cerebrovasculares, AVC isqu?mico, AVC hemorr?gico, enfarte cortical, enfarte subcortical, crises convulsivas, epilepsia, f?rmacos anti-epil?pticos. vii ABSTRACT Introduction: The stroke is a common public health problem. It has been recognized as a risk factor for developing seizures and secondary epilepsy, being identified as the most frequent in the elderly. Most seizures occur within the first 24 hours after stroke onset. The main objective of the study is to determine the frequency and profile of seizures in patients diagnosed of acute stroke admitted to the stroke unit of the Centro Hospitalar Cova da Beira (CHCB). Patients and methods: Retrospective study during 2008, reviewing clinical records of patients admitted to the stroke unit of the CHCB, with diagnosis of acute stroke and who had seizures after stroke. A descriptive study was done. Results: Two hundred and fifty seven patients were admitted to the stroke unit with a confirmed diagnosis of stroke. Seizures ocurred in 6 patients (2.33%), 2 females and 4 males. All these patients suffered an ischemic stroke (2.91% for this group), 4 diagnosed with cardioembolic infarction, 1 with atherothrombotic infarction and 1 with undetermined stroke. Function neuroimaging studies showed cortico-subcortical infarcts in 4 patients and subcortical infarcts in the others. Near all crises were partial and were observed during the first 24h after admission. Control imaging and electroencephalogram studies were available in 3 patients and all were treated with anti- epileptic drugs. Discussion / Conclusions: The frequency of seizures related to stroke found in this series is similar with previous studies. However, others authors reported a higher frequency of seizures and a higher occurrence of them in patients with hemorrhagic stroke. Regarding the location, strokes affected both cortical and subcortical areas and the main etiology was cardioembolic stroke, as previously reported. Simple partial seizures were the most common type and all were controlled with just one anti-epileptic drug. Key-words: Stroke, cerebrovascular risk factors, ischemic stroke, hemorrhagic stroke, cortical infarction, subcortical infarction, seizures, epilepsy, antiepileptic drugs. viii ?NDICE DE TABELAS Tabela 1 ? Classifica??o das crises convulsivas ............................................................. 10 Tabela 2 ? Classes de f?rmacos e f?rmacos.................................................................... 11 Tabela 3 ? Dados dos pacientes ...................................................................................... 13 Tabela 4 ? Dados dos pacientes ...................................................................................... 15 Tabela 5 ? Dados dos pacientes ...................................................................................... 16 Tabela 6 ? Dados dos pacientes: exames de imagem e EEG.......................................... 17 Tabela 7 ? Tempo de internamento e complica??es....................................................... 24 ix ?NDICE DE FIGURAS Figura 1 ? Tra?ado de EEG do paciente 2 ...................................................................... 19 Figura 2 ? Continua??o do tra?ado de EEG do paciente 2 ............................................. 19 Figura 3 ? Tra?ado de EEG do paciente 3 ...................................................................... 20 Figura 4 ? Continua??o do tra?ado de EEG do paciente 3 ............................................. 20 Figura 5 ? Continua??o do tra?ado de EEG do paciente 3 ............................................. 21 Figura 6 ? Tra?ado de EEG do paciente 4 ...................................................................... 22 Figura 7 ? Continua??o do tra?ado de EEG do paciente 4 ............................................. 23 x ?NDICE DE ILUSTRA??ES Ilustra??o 1 ? RM do paciente 2 ..................................................................................... 19 Ilustra??o 2 ? TC-CE de controlo do paciente 3............................................................. 20 Ilustra??o 3 ? TC-CE de controlo do paciente 4............................................................. 22 Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo ?NDICE I. INTRODU??O ........................................................................................................ 1 II. MATERIAIS E M?TODOS ..................................................................................... 8 ? Crit?rios de inclus?o ..............................................................................................8 ? Crit?rios de exclus?o ..............................................................................................8 ? Vari?veis.................................................................................................................9 III. RESULTADOS....................................................................................................... 12 IV. DISCUSS?O DOS RESULTADOS....................................................................... 25 V. BIBLIOGRAFIA..................................................................................................... 33 Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 1 I. INTRODU??O Os Acidentes Vasculares Cerebrais s?o um grave problema de sa?de p?blica em Portugal e em todo o mundo (1). Representam a terceira causa de morte nos pa?ses desenvolvidos e a primeira no nosso pa?s, embora a sua incid?ncia e mortalidade tenham diminu?do nos ?ltimos anos nesses mesmos pa?ses (1, 2). Apesar disso, a mortalidade por AVC e sua incid?ncia, continuam elevadas em muitos outros. Factores s?cio- econ?micos, estilos de vida, dieta, diferentes factores de risco e condi??es ambientais, podem justificar esta diferen?a de incid?ncias (2). A evolu??o da situa??o em Portugal mostra uma tend?ncia favor?vel, traduzida nos indicadores dispon?veis, no entanto, encontra-se ainda afastada do n?vel de outros pa?ses (1, 3). Trata-se de uma doen?a s?bita, que afecta uma zona localizada do enc?falo, produzindo sintomas e sinais deficit?rios, causados pela perda de fun??o da ?rea afectada (1). Dividem-se em isqu?micos e hemorr?gicos, ocorrendo, mais frequentemente, em indiv?duos com factores de risco vascular. A maior parte dos conhecimentos actuais sobre factores de risco para o AVC ? proveniente do Estudo de Framingham, um dos maiores estudos epidemiol?gicos j? realizados (2). Estes factores dividem-se regularmente em modific?veis e n?o modific?veis, consoante existam, ou n?o, interven??es eficazes para os controlar (1, 4). Os factores de risco n?o modific?veis incluem: idade avan?ada (a incid?ncia duplicando em cada d?cada ap?s os 55 anos), sexo masculino (at? aos 75 anos), ra?a negra e hist?ria familiar (2, 4). Os modific?veis mais documentados s?o a HTA, DM, dislipid?mias, FA, tabagismo, alcoolismo, obesidade e sedentarismo (1, 2, 4). Destes, a idade e a HTA s?o considerados os mais importantes (1). Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 2 Nos ?ltimos anos tem-se assistido a um progresso acentuado nas terap?uticas farmacol?gicas, procedimentos diagn?sticos e terap?uticos e nos cuidados durante a estadia hospitalar e, tamb?m, ap?s a alta. Estes cuidados dever?o iniciar-se t?o precocemente quanto poss?vel e continu?-los desde o processo de admiss?o hospitalar at? aos cuidados domicili?rios, de enfermagem, fisioterapia e de apoio e reinser??o social quando o caso assim o justifica (5). Assim, pretende-se que todos os doentes com AVC tenham acesso, na fase aguda, a cuidados diferenciados, vocacionados para o tratamento de tais situa??es, como sendo as U-AVC (5). Nestas U-AVC existem procedimentos estandardizados tecnol?gicos e de cuidados humanos, que possibilitam o tratamento mais adequado a cada situa??o (5). Nem sempre ? f?cil saber se o processo que levou ao AVC foi hemorr?gico ou isqu?mico (3). A defini??o correcta de etiologia vascular e a diferencia??o entre um evento isqu?mico e hemorr?gico, s? ? poss?vel com o estudo de imagem do cr?nio (3). A hemorragia tem normalmente um quadro dr?stico, com in?cio muito brusco e sem flutua??es do d?fice (3). Acompanha-se mais frequentemente de cefaleia, n?usea, v?mitos e, muitas vezes, de altera??o do estado de consci?ncia (3). O AVC ? consequ?ncia de uma hemorragia em apenas cerca de 20% dos casos (3). A hemorragia intraparenquimatosa ou cerebral resulta da rotura de vasos que irrigam o par?nquima nervoso (3). A rotura vascular pode tamb?m ocorrer num defeito cong?nito da parede arterial (aneurisma sacular) (3). Neste caso, o sangue vai para o espa?o subaracnoideu e origina a hemorragia subaracnoideia ou hemorragia men?ngea, que se expressa por um quadro particular (3). A isqu?mia constitui cerca de 80% de todos os AVCs podendo ter tamb?m um in?cio brusco nas suas manifesta??es (quando a causa ? emb?lica), ou instalar-se progressivamente, com ou sem flutua??es (se se tratar de uma trombose) (3, 6). A Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 3 embolia pode ter origem arterial (33% do total de casos) em placas de ateroma ulceradas nas art?rias, mais frequentemente nas extra cranianas cervicais. Pode tamb?m ter origem card?aca (34% dos casos de embolia) (3). Enfartes isqu?micos que resultam da oclus?o de pequenos vasos ou doen?as das art?rias penetrantes (lacunas), com manifesta??es cl?nicas, radiol?gicas e patol?gicas ?nicas, s?o designados de enfartes lacunares (2, 6). Estes ocorrem em regi?es profundas do c?rebro ou tronco cerebral (2). Al?m destes, h? ainda a referir os enfartes de etiologia pouco frequente, que devem ser investigados quando ocorrem em doentes jovens, na aus?ncia de qualquer dos factores habituais de risco vascular, quando existe uma doen?a sist?mica associada ou h? incid?ncia familiar de AVC (3, 6). Existem tamb?m enfartes de causa indeterminada, quando se desconhece a causa ap?s exclus?o de todas as outras poss?veis (3, 6). Trata-se de uma percentagem razo?vel de casos que, normalmente, ? maior em pacientes com menos de 45 anos de idade (2). Um AIT ? um d?fice neurol?gico tempor?rio, focal, de inicio s?bito e com intensidade m?xima quase imediatamente, relacionado com isqu?mia cerebral, da retina, ou coclear e desaparecimento da sintomatologia at? ?s 24 horas ap?s instala??o (2). Segundo as novas guidelines, recentemente publicadas, a dura??o dos sintomas do AIT ? inferior a 1 hora (7). A maioria dura entre 5-20 minutos, sendo os epis?dios com dura??o superior a uma hora usualmente causados por pequenos enfartes (2). Para se classificar como AIT, o epis?dio tem de ser seguido por uma recupera??o completa (2). Aproximadamente 80% dos enfartes isqu?micos ocorrem na circula??o carot?dea (ou anterior) e 20% na circula??o vertebro-basilar (ou posterior) (2). No diagn?stico do AVC s?o fundamentais a hist?ria e o exame cl?nicos, especialmente porque a imagem de TC-CE pode n?o ser evidente nas primeiras 6 horas (fase hiperaguda) (3). As provas de imagem mais habituais s?o, para al?m da TC, a RM, Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 4 incluindo estudos de difus?o e perfus?o, e exames vasculares em doentes concretos (arteriograf?a convencional, Angio-RM, Angio-TC). Tamb?m ? necess?rio realizar uma avalia??o laboratorial, radiografia do t?rax, ECG e estudos ecocardiogr?fico e neurossonol?gico (eco-Doppler carot?deo e Doppler transcraniano) (3). No diagn?stico diferencial das patologias que mais frequentemente se podem confundir com AVC agudo, devemos considerar as encefalopatias metab?licas e t?xicas, as crises epil?pticas n?o convulsivas ou convulsivas, a enxaqueca com aura, as sequelas dos traumatismos cranianos (hematoma subdural e epidural), as encefalites e abcessos cerebrais e a s?ndrome conversiva ou d?fice funcional (3). O tratamento do AVC come?a na sua fase aguda e continua depois com as medidas profil?cticas secund?rias e de fisioterapia. Na fase aguda utilizam-se medidas de car?cter geral e terap?uticas espec?ficas. As medidas gerais incluem a monitoriza??o das constantes vitais e do estado neurol?gico do doente, o suporte das fun??es b?sicas, a preven??o e tratamento das complica??es, nomeadamente as infec??es, a hiperglic?mia, aspira??o e pneumonia, as situa??es de baixo d?bito card?aco, a agita??o, a dor, as crises convulsivas e n?o convulsivas, os v?mitos, a hipertens?o intracraniana, a trombose venosa profunda e embolia pulmonar e as ?lceras de dec?bito, entre outras (2, 8). As medidas espec?ficas incluem o uso de trombol?ticos seguido de anti-agregantes plaquet?rios ou anticoagulantes no AVC isqu?mico, a drenagem cir?rgica nos hemorr?gicos e os tratamentos da hipertens?o intracraniana (agentes osm?ticos, hiperventila??o, craniectomia) nos dois tipos de AVC (1, 2). A doen?a cerebrovascular tem sido reconhecida como um factor de risco para o desenvolvimento de crises convulsivas e epilepsia secund?ria, sendo identificada como a causa mais frequente nos idosos (9-11). Cerca de 10% de todos os pacientes que Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 5 sofrem um AVC apresentam convuls?es, desde o in?cio dos sintomas at? anos mais tarde (10). As crises s?o descritas como convulsivas e n?o convulsivas, dependendo da proemin?ncia de recursos motores (12). As crises convulsivas s?o descargas el?ctricas cerebrais transit?rias, excessivas e desorganizadas que se propagam para todas as regi?es do c?rebro, levando a uma altera??o de toda a actividade cerebral (13, 14). Dois ter?os dos indiv?duos que apresentam uma crise convulsiva n?o a apresentar?o novamente. O restante um ter?o dos indiv?duos continuar?o a apresentar crises convulsivas recorrentes ? condi??o denominada epilepsia (15). A epilepsia ? descrita como uma altera??o na actividade el?ctrica do c?rebro, tempor?ria e revers?vel, que produz manifesta??es motoras, sensitivas, sensoriais, ps?quicas ou neurovegetativas (14). Engloba um grupo heterog?neo de doen?as com m?ltiplas causas e manifesta??es (12). As crises podem classificar-se em dois grandes grupos, parciais e generalizadas (12). As primeiras referem-se ?s que, geralmente, a primeira altera??o cl?nica ocorre no EEG, indicando activa??o inicial de um sistema de neur?nios limitados a uma parte de um hemisf?rio cerebral (12). As crises parciais podem dividir-se, por sua vez, em parciais simples e parciais complexas, sendo a perda de consci?ncia o sinal que as diferencia (12). As crises generalizadas apresentam como tipo mais comum as crises t?nico-cl?nicas (tamb?m designadas por grande mal) (12). Fazem parte das crises epil?pticas generalizadas ainda as crises de aus?ncia, as t?nicas, as cl?nicas e miocl?nicas. Dentro desta classifica??o existem in?meros S?ndromes epil?pticos descritos de acordo com a localiza??o das crises ou etiologia (12). A incid?ncia da epilepsia por idades ? bimodal, na maior parte dos estudos, sendo tradicionalmente mais comum nas crian?as do que nos adultos, principalmente at? ao primeiro ano de vida (12). O segundo pico ocorre depois dos 60 anos de idade, embora Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 6 nos pa?ses em desenvolvimento esta distribui??o bimodal n?o seja t?o evidente (12). Tamb?m se registam diferen?as na incid?ncia de epilepsia relativamente ao sexo, sendo o sexo masculino afectado 1.0-2.4 vezes mais do que o feminino (12). Em in?meros estudos, a epilepsia apenas pode ser identificada, aproximadamente, entre um quarto e um ter?o dos casos (12). Doen?as perinatais, atraso mental, paralisia cerebral, traumatismo craniano, infec??es do SNC, doen?a cerebrovascular (dentro da qual se destaca os AVCs, tanto isqu?micos como hemorr?gicos), tumores cerebrais, doen?a de Alzheimer e abuso de ?lcool e hero?na est?o associados ao aumento do risco de epilepsia (12). Tradicionalmente, decidir se um individuo tem uma crise epil?ptica generalizada ou parcial, tem sido o ponto crucial na avalia??o e tratamento dos pacientes com crises de in?cio recente (12). A avalia??o inicial de um paciente com suspeita de ter sofrido crises convulsivas, come?a com a hist?ria cl?nica detalhada e exame f?sico (12). Em seguida pode recorrer-se ao EEG, exame importante no diagn?stico de epilepsia (12). Quando o EEG ? anormal, ? ?til para localizar a regi?o epileptiforme em pacientes com crises parciais ou para distinguir os tipos de crises (12). Os exames de neuroimagem t?m-se tornado cada vez mais importantes no diagn?stico e tratamento da epilepsia, especialmente em pacientes com convuls?es n?o trat?veis, que s?o considerados para cirurgia (12). A TC-CE pode ajudar no diagn?stico de tumores ou outras altera??es estruturais que possam causar convuls?es, sendo normais na maioria dos pacientes com epilepsia (12). No entanto, a RM tornou-se a t?cnica de imagem standard na avalia??o do paciente com crises (particularmente nas parciais), embora a TC possa ser utilizada em situa??es de emerg?ncia, quando se suspeita de les?o cerebral estrutural ou nos indiv?duos que est?o impossibilitados de fazer RM (12). levetiracetam, lamotrigina, gabapentina, oxcarbazepina, topiramato, entre outros (12). Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 7 Habitualmente, estas crises s?o controladas com um FAE (12). Inicia-se geralmente com monoterapia e vai-se ajustando a dose de acordo com a sua resposta, uma vez que se trata de uma classe de f?rmacos potencialmente t?xicos (12). A escolha dos FAE baseia-se na sua efic?cia contra um tipo espec?fico de convuls?es. Actualmente, continuam a ser usados como primeira linha f?rmacos cl?ssicos como a carbamazepina, o ?cido valpr?ico, a fenito?na (apesar dos seus efeitos adversos favorecerem outros f?rmacos), mas disp?e-se de FAE de nova gera??o como o Estes ?ltimos s?o recomendados para o tratamento das crises parciais, assim como em alguns tipos de crises generalizadas prim?rias, onde demonstram uma boa efic?cia, j? comprovada (12). Como os dados publicados sob a frequ?ncia das crises convulsivas na fase aguda do AVC s?o relativamente escassos, especificamente na popula??o portuguesa, o presente trabalho tem como objectivos a determina??o da frequ?ncia de crises convulsivas nos doentes internados com o diagn?stico de AVC agudo, na U-AVC do CHCB durante o ano de 2008, e an?lise do seu perfil cl?nico. Ap?s uma breve revis?o te?rica acerca dos dois temas principais desta disserta??o, AVC e convuls?es, pretende-se analisar e discutir os dados recolhidos dos processos dos doentes e compar?-los com os estudos j? realizados neste ?mbito. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 8 II. MATERIAIS E M?TODOS Estudo retrospectivo dos doentes que sofreram um AVC e apresentaram crises convulsivas ap?s o epis?dio, internados na U-AVC, no CHCB, durante o ano de 2008. O estudo conta com a aprova??o do Conselho de Administra??o e da Comiss?o de ?tica do Hospital. ? Crit?rios de inclus?o: ? Doentes internados e observados na U-AVC com diagn?stico de AVC agudo (enfarte cerebral, hemorragia intracraniana ou AIT). ? Crise convulsiva durante o internamento, presenciada e registada no processo cl?nico pelo m?dico ou enfermeiro. ? Crit?rios de exclus?o: ? Diagn?stico, ? alta, de transtorno diferente de AVC. ? Epilepsia diagnosticada previamente ao AVC. ? Diagn?stico de AVC sem apresenta??o de crise convulsiva durante o internamento. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 9 ? Vari?veis: ? Principais: ? Tipo de AVC o Isqu?mico aterotromb?tico, cardioemb?lico, lacunar, de outra etiologia determinada ou de causa indeterminada (de acordo com a classifica??o TOAST (6)) o Hemorragia intracerebral ou subaracnoideia ? Localiza??o do AVC o Cortical o Subcortical o Cortico-subcortical o Anterior (carot?deo) o Posterior (vertebro-basilar) ? Tipo de crise o Crises parciais (tabela 1) o Crises generalizadas (tabela 1) ? Tempo decorrido entre os sintomas iniciais do AVC e as crises Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 10 Crises convulsivas (auto-limitadas) Generalizadas Parciais (in?cio focal) Aus?ncia Simples Cl?nica T?nico-cl?nicas Miocl?nica Miocl?nicas Motora Cl?nicas Sensitiva At?nicas Af?sica T?nicas Complexas (altera??o da consci?ncia) Generaliza??o secund?ria T?nico- cl?nicas Tabela 1 - Classifica??o das crises convulsivas (modificado das refer?ncias 12, 14, 16, 17) ? Secund?rias: o Idade; o Sexo; o Factores de Risco Cerebrovasculares; o Tratamento pr?vio ao AVC com f?rmacos que potencialmente possam diminuir o limiar da crise ou que causam epilepsia; o Dados electroencefalogr?ficos; o Tratamento das crises; o Tempo de internamento; o Complica??es durante o internamento. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 11 F?rmacos/Classes Causam convuls?es Ciclosporina Pentilenotetrazol (PTZ) Estriquinina Picrotoxina Tacrolimus Memantina Levotiroxina Isoniazida Baixam o limiar da crise convulsiva Simpaticomim?ticos (Aminofilina e Teofilina) Anti-depressivos tric?clicos Anti-histam?nicos Anti-paludismo Anti-psic?ticos (Clozapina) Ansiol?tico (Buspirona) Antibi?ticos (Fluoroquinolonas) Tabela 2 ? Classes de f?rmacos e f?rmacos que causam crises convulsivas ou baixam o seu limiar (14, 17-19) Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 12 III. RESULTADOS No ano de 2008, num total de 257 doentes internados na U-AVC do CHCB com diagn?stico confirmado de AVC, 34 apresentaram hematomas, 17 sofreram AIT, e os restantes 206 enfartes. Destes, apenas 6 apresentaram crises convulsivas, registando uma frequ?ncia total de 2,33%, aos quais se referem os resultados aqui apresentados. Todos os 6 pacientes foram v?timas de AVC isqu?mico, com uma frequ?ncia de 2,91% relativamente a este tipo de enfartes. Os doentes encontram-se numerados de 1 a 6. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 13 Paciente Idade Sexo Factores de Risco Tratamento Pr?vio 1 94 F ? Hipertens?o arterial ? Hipercolesterolemia pura ? Aterosclerose coron?ria ? Fibrilha??o auricular ? Insufici?ncia card?aca congestiva ? Doen?as da circula??o ? Ictus ? Nitroglicerina ? Omeprazol ? Espironolactona ? Amiodarona ? Clopidogrel ? Trimetazidina ? Macrogol ? Citicolina ? Aceclofenac ? Furosemida ? Mesoglicano s?dico 2 66 F ? Hipertens?o arterial ? Dislipidemia ? Hipotiroidismo ? Doen?a card?aca ? Lisinopril ? Atorvastatina ? Levotiroxina s?dica ? Trimetazidina ? Bisoprolol 3 83 M ? Hipertens?o arterial ? DPOC ? Hiperuric?mia ? Fibrilha??o auricular ? Teofilina ? Lisinopril + hidroclorotiazida ? Salmeterol + Fluticasona ? Colchicina ? Diazepam ? O 2 domic?lio 4 52 M ? Hipertens?o arterial ? Diabetes mellitus ? Hipercolesterolemia pura ? Alcoolismo ? Tabagismo Sem dados 5 79 M ? Hipertens?o arterial ? Insufici?ncia card?aca ? Fibrilha??o auricular Abandono da terap?utica 6 71 M ? Hipertens?o arterial ? Diabetes mellitus Sem dados Tabela 3 ? Dados relativos aos pacientes: idade, sexo, factores de risco e tratamento pr?vio; F ? feminino; M ? masculino; DPOC ? doen?a pulmonar obstrutiva cr?nica; Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 14 Verifica-se que a m?dia de idades destes pacientes ? de 74 anos, sendo 4 do sexo masculino e 2 do sexo feminino. Relativamente aos factores de risco apresentados pelos doentes, todos eles sofriam de hipertens?o arterial e 3 deles, de fibrilha??o auricular. Dos 4 doentes que dispomos de dados, 3 estariam medicados para as patologias que apresentavam e o outro havia abandonado a terap?utica. Como j? descrito atr?s, os 6 pacientes foram v?timas de AVC isqu?mico, sendo 4 deles de origem cardioemb?lica, 1 de causa aterotromb?tica e 1 indeterminado. Foram observadas les?es subcorticais em 2 pacientes e cortico-subcorticais nos restantes casos, todos no territ?rio anterior (carot?deo). Dos sintomas apresentados, os mais frequentes foram: hemipar?sia, disartria e desvio da comissura labial (tabela 4). Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 15 Paciente Cl?nica Tipo de AVC Localiza??o Causa 1 ? Dor precordial ? Hemipar?sia esquerda Isqu?mico Cortico- subcortical anterior Cardioemb?lico 2 ? Disartria ? Afasia global ? Diminui??o for?a do membro inferior direito Isqu?mico Subcortical anterior Cardioemb?lico 3 ? Disartria ? Hemipar?sia Esquerda ? Desvio da comissura labial ? Confus?o Mental Isqu?mico Cortico- subcortical anterior Cardioemb?lico 4 ? Parestesias no membro superior esquerdo ? Dor forte na parte posterior do pesco?o com irradia??o para o bra?o Isqu?mico Cortico- subcortical anterior Aterotromb?tico 5 ? Afasia motora ? Diminui??o for?a muscular ? direita ? Desvio comissura labial Isqu?mico Subcortical anterior Cardioemb?lico 6 ? Disartria ? Hemipar?sia esquerda ? Desvio comissura labial ? Descoordena??o motora do membro superior esquerdo Isqu?mico Cortico- subcortical anterior Indeterminado Tabela 4 - Dados sobre os pacientes: cl?nica ? entrada no hospital, tipo de AVC, sua localiza??o e causa Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 16 Do total de 6 doentes, 5 apresentaram crises no primeiro dia ap?s os sintomas, e um no 4? dia. Apenas 2 doentes manifestaram crises generalizadas, enquanto os restantes sofreram crises parciais simples motoras, passando o tratamento por monoterapia com fenito?na ou valproato de s?dio. Destes 6 doentes, 3 deles realizaram EEG ap?s a crise. Paciente Tipo de crise Dia de aparecimento Terap?utica Atitude 1 Parcial simples motora 1? Fenito?na - 2 Parcial simples motora 4? Valproato de s?dio EEG/RM 3 Parcial simples motora 1? Fenito?na EEG 4 Parcial simples motora 1? Valproato de s?dio EEG 5 Generalizada t?nico-cl?nica 1? Fenito?na - 6 Generalizada t?nico-cl?nica 1? - - Tabela 5 - Dados relativos aos pacientes: tipo de crise apresentada, tempo de aparecimento, terap?utica e atitude Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 17 6 H i p o d e n s i d a d e c o r t i c o - s u b c o r t i c a l f r o n t a l d i r e i t a - - - - T a b e l a 6 - D a d o s d o s p a c i e n t e s r e l a t i v a m e n t e a o s e x a m e s d e i m a g e m e E E G ; E E G - e l e c t r o e n c e f a l o g r a m a ; T C - C E - t o m o g r a f i a c o m p u t a d o r i z a d a c r ? n i o - e n c e f ? l i c a ; R M ? r e s s o n ? n c i a m a g n ? t i c a 5 H i p o d e n s i d a d e s f o c a i s c o m l o c a l i z a ? ? o s u b c o r t i c a l f r o n t a l e s q u e r d a , r e p r e s e n t a n d o p r o v ? v e i s a l t e r a ? ? e s d e e n f a r t e - - - - 4 H i p o d e n s i d a d e c o r t i c o - s u b c o r t i c a l t e m p o r o - p a r i e t a l d i r e i t a , t r a d u z i n d o p r o v ? v e l e n f a r t e r e c e n t e e m t e r r i t ? r i o d a A C M d i r e i t a H i p o d e n s i d a d e c o r t i c o - s u b c o r t i c a l h e m i s f ? r i c a d i r e i t a r e p r e s e n t a n d o e n f a r t e a g u d o e m t e r r i t ? r i o d a A C M , o u m e s m o c a r o t ? d e o d i r e i t o - A c t i v i d a d e d e l t a r ? t m i c a n a ? r e a t e m p o r a l d i r e i t a N ? o 3 H i p o d e n s i d a d e s l e n t i c u l o - c a p s u l a r e s b i l a t e r a i s d o t i p o i s q u ? m i c o l a c u n a r E x t e n s a h i p o d e n s i d a d e c o r t i c o - s u b c o r t i c a l , f r o n t o - t e m p o r o - p a r i e t a l c o r r e s p o n d e n d o a e n f a r t e d o t e r r i t ? r i o d a A C M d i r e i t a S u g e r i d a ; N ? o r e a l i z a d a A c t i v i d a d e t e t a e b e t a d i f u s a s e d e l t a a r r ? t m i c a i n t e r m i t e n t e n a ? r e a f r o n t o - t e m p o r a l e s q u e r d a L o c a l i z a d a s n a ? r e a p a r i e t a l c e n t r a l d i r e i t a 2 N ? o s e i d e n t i f i c a m l e s ? e s h e m o r r ? g i c a s a g u d a s ; n ? o s e d e f i n e m a l t e r a ? ? e s v a l o r i z ? v e i s d e d e n s i d a d e o u m o r f o l o g i a d o p a r ? n q u i m a e n c e f ? l i c o . S u s p e i t a d e m e n i n g i o m a p a r i e t a l e s q u e r d o - E n f a r t e a g u d o d a A C M e s q u e r d a . P e q u e n o m e n i n g i o m a n a r e g i ? o t e m p o r o - p a r i e t a l e s q u e r d a A c t i v i d a d e t e t a - d e l t a n a ? r e a p a r i e t o - t e m p o r a l e s q u e r d a L o c a l i z a d a n a ? r e a t e m p o r a l d o h e m i s f ? r i o d i r e i t o 1 H i p o d e n s i d a d e c o r t i c o - s u b c o r t i c a l f r o n t o - p a r i e t a l d i r e i t a c o r r e s p o n d e n d o p r o v a v e l m e n t e a l e s ? o i s q u ? m i c a , e m f a s e s u b a g u d a , n o t e r r i t ? r i o p o s t e r i o r d a A C M d i r e i t a - - - - P a c i e n t e T C - C E : E n t r a d a T C - C E : C o n t r o l o R M E E G : O n d a s L e n t a s E E G : P o n t a o u p o n t a - o n d a Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 18 Relativamente aos dados de imagem, todos os pacientes apresentavam TC-CE realizada ? entrada no servi?o de urg?ncia (SU) hospitalar. Destas, 4 revelaram prov?vel isqu?mia aguda. Relativamente aos outros dois pacientes, um deles realizou TC-CE de controlo que confirmou o enfarte isqu?mico e outro foi submetido a uma RM que tamb?m comprovou o diagn?stico. A doente 2 realizou RM para esclarecimento do seu diagn?stico, uma vez que tamb?m apresentava suspeita de um meningioma parietal esquerdo, confirmado pelo exame de controlo. Em rela??o ao doente 3, a RM foi pedida (apesar de n?o constar no processo), j? que o doente se encontrava com um quadro cl?nico grave de prostra??o e poderia apresentar um poss?vel diagn?stico diferencial de encefalite herp?tica. Para al?m destes exames de neuroimagem, realizou tamb?m uma pun??o lombar, com estudo do l?quor normal. Como ? vis?vel, a maioria dos doentes apresentou enfarte do territ?rio da art?ria cerebral m?dia. Apenas 3 doentes realizaram EEG, com resultados patol?gicos. Verificou-se a presen?a de actividade lenta no ritmo electroencefalogr?fico nos tr?s EEGs e complexos ponta ou ponta-onda em dois deles. O doente 3, para al?m dos complexos e das ondas lentas, apresentou ainda, ao longo do exame, actividade peri?dica (?PLEDs?) na ?rea centro-parietal direita e 7 crises electrogr?ficas na mesma ?rea, sem aparente manifesta??o cl?nica. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 19 Correla??o entre os exames de imagem e EEG nos doentes 2, 3 e 4: Ilustra??o 1 - RM do paciente 2 onde ? vis?vel a les?o parieto-temporo-occipital esquerda sugestiva de isqu?mia Figura 1- Tra?ado de EEG do paciente 2, que mostra a presen?a de actividade teta-delta quase cont?nua de projec??o fronto-temporo-occipital esquerda Figura 2 ? Continua??o do tra?ado de EEG do mesmo paciente mostrando a actividade lenta das deriva??es esquerdas Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 20 Ilustra??o 2 ? TC-CE de controlo do paciente 3 apresentando hipodensidade cortico-subcortical fronto-temporo-parietal direita Figura 3 - Tra?ado de EEG do paciente 3 com in?cio de uma crise epileptiforme de localiza??o fronto-parietal direita Figura 4 - Continua??o do tra?ado de EEG do paciente 3 que mostra o fim da crise epileptiforme Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 21 Figura 5 ? Continua??o do tra?ado de EEG do paciente 3 que mostra o padr?o ponta-onda ? direita Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 22 Ilustra??o 3 ? TC-CE de controlo do paciente 4 apresentando hipodensidade cortico-subcortical hemisf?rica direita sugestiva de enfarte Figura 6 - Tra?ado de EEG do paciente 4 que mostra o predom?nio da actividade lenta do hemisf?rio direito relativamente ao esquerdo Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 23 Figura 7 ? Continua??o do tra?ado de EEG do paciente 4 que mostra um padr?o de actividade lenta no hemisf?rio direito Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 24 Paciente Tempo de internamento (dias) Complica??es no internamento 1 7 - 2 15 Taquiarritmia por FA com resposta ventricular r?pida 3 35 Infec??o respirat?ria ITU Flebite da perna esquerda e bra?o direito 4 13 Infec??o respirat?ria ITU (Proteus mirabilis) Del?rio de priva??o alco?lica Reten??o urin?ria 5 7 Del?rio agudo 6 8 - Tabela 7 - Tempo de internamento e complica??es; ITU ? infec??o do trato urin?rio Em rela??o ao tempo de internamento, este variou entre uma e cinco semanas, apresentando uma m?dia de 14 dias de ingresso hospitalar. Nenhum dos pacientes faleceu durante o internamento. As complica??es mais frequentes foram infec??es do trato urin?rio e respirat?rio, acontecendo nos pacientes que apresentaram maior tempo de internamento. Estas complica??es n?o est?o relacionadas com as crises, assim como estas tamb?m n?o adv?m das complica??es ocorridas. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 25 IV. DISCUSS?O DOS RESULTADOS Durante o ano de 2008, per?odo do estudo retrospectivo, os doentes internados com o diagn?stico de AVC agudo na U-AVC que manifestaram crises convulsivas, apresentavam uma m?dia de idades de 74 anos e como factor de risco comum a todos eles, a HTA. Isto est? de acordo com a literatura em vigor, que sublinha a maior idade e a HTA como os factores de risco mais importantes para o AVC (1). Ap?s a sua chegada ao SU e por suspeita de AVC, todos os doentes realizaram TC-CE, de acordo com as recomenda??es para o diagn?stico o mais precoce poss?vel de patologia cerebrovascular (1, 2). Destes, apenas 4 revelaram prov?vel isqu?mia aguda. Relativamente aos outros 2 pacientes, um deles realizou TC-CE de controlo, que confirmou o enfarte isqu?mico e o outro foi submetido a uma RM confirmando tamb?m, o diagn?stico. Os doentes 1, 5 e 6 n?o dispunham de dados de neuroimagem de controlo, sugerindo que estes exames, apesar de convenientes, n?o s?o fundamentais no processo de avalia??o e atitude relativamente aqueles que t?m diagn?stico confirmado de AVC, e que, ap?s as crises e respectivo tratamento, apresentam o mesmo estado cl?nico. No total dos doentes, foram presenciadas crises convulsivas numa frequ?ncia de 2,33%. Este valor encontra-se de acordo com o estudo realizado por Lossius et al., afirmando que a frequ?ncia de convuls?es p?s AVC, em v?rios estudos, est? entre os 2,3% e os 43% (20). Esta varia??o reflecte diferen?as no tipo de estudo populacional, desenho do estudo, m?todos e dura??o (20). No entanto, esta frequ?ncia apresentada ? menor que a grande parte dos estudos analisados (9, 10, 21). Tamb?m vai contra o maior estudo prospectivo que foi realizado neste ?mbito, de Bladin et al. que apresenta uma frequ?ncia de 8,9% de crises convulsivas em doentes com diagn?stico de AVC (9, Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 26 10, 22, 23). Neste mesmo estudo, verificou-se que as crises ocorriam em 8,6% dos pacientes que haviam sofrido enfarte isqu?mico e em 10,6% daqueles que haviam sofrido hemorragia, sendo por isso a ocorr?ncia de convuls?es p?s AVC agudo, mais frequente nestes ?ltimos (11, 22-24). Todos os outros estudos analisados confirmam esta observa??o, como, por exemplo, o estudo de Szaflarski et al., que indica uma frequ?ncia de convuls?es em pacientes com AVC isqu?mico de 2,4%, enquanto que para os doentes que sofreram AVC hemorr?gico, foi significativamente maior, 8,4% (9). Estes resultados n?o est?o completamente de acordo com os obtidos pelo presente estudo, j? que, relativamente ? frequ?ncia de crises convulsivas em pacientes com diagn?stico de AVC isqu?mico, temos 2,91% e nos casos de AVC hemorr?gico, n?o foram registadas crises. Este facto poder-se-? dever a que, alguns dos casos graves de AVC hemorr?gico pass?veis de cirurgia, sejam transferidos para uma outra unidade hospitalar mais diferenciada, onde existe neurocirurgia, ou tamb?m pelo facto de muitas das crises convulsivas poderem passar despercebidas, devido ? agita??o que ocorre nestes doentes. Tamb?m n?o se verificou a ocorr?ncia de qualquer crise convulsiva em pacientes que haviam sofrido AIT. Relativamente ? localiza??o do enfarte isqu?mico, na sua maioria ela foi cortico- subcortical e todos no territ?rio anterior. Estes dados s?o concordantes com outros estudos j? realizados, uma vez que, estes afirmam que os enfartes que mais frequentemente s?o causadores de convuls?es, s?o os corticais, envolvendo principalmente a circula??o anterior (9, 10, 21, 22, 24-26). Apesar destes achados, as crises tamb?m podem ocorrer, como ali?s acontece no presente estudo, na isqu?mia subcortical (10, 11, 25). Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 27 Em rela??o ? causa dos AVCs, no estudo realizado, a maioria teve origem cardioemb?lica, estando de acordo com a maior parte da literatura consultada (9, 24- 26), apesar da exist?ncia de alguns estudos que questionam esse facto (22). Pelos resultados obtidos, as crises mais frequentes p?s AVC s?o as parciais simples motoras. Estes dados est?o em concord?ncia com os estudos consultados, onde afirmam que, o tipo mais comum de convuls?es, nestes doentes, ? a parcial simples (10, 11, 24-26). Segundo alguns estudos, as crises que aparecem numa fase precoce s?o, fundamentalmente, as parciais e numa fase mais tardia, as generalizadas (10, 23, 25, 26). Os restantes tipos de crises s?o, contudo, provavelmente mais dif?ceis de identificar, uma vez que, at? o pr?prio doente pode n?o a reconhecer e/ou pensar tratar- se de uma situa??o decorrente do AVC de que foi v?tima, e subestimar a crise, n?o a relatando. Tamb?m seria de esperar que as crises generalizadas observadas tivessem um in?cio focal, o que n?o se verificou, ou n?o foi presenciado, e, por isso mesmo, n?o est? relatado. Nenhum doente apresentou status epilepticus, que segundo o estudo realizado por Rumbach et al., pode ocorrer em cerca de 19% dos doentes que manifestam crises no per?odo p?s AVC, podendo, ou n?o, ser a primeira manifesta??o epil?ptica (27). Noutros estudos, o status epilepticus aparece como sendo menos frequente, apesar de poss?vel (10, 23, 26). A maioria destas crises ocorreu nas primeiras 24 horas ap?s a chegada dos doentes ao hospital, o que ? concordante com a maioria dos estudos que fazem a compara??o entre a ocorr?ncia de crises precoces ou tardias (10, 22, 23, 25, 26, 28, 29). Lambrakis e Lancman indicam que, entre 24 e 62% das convuls?es, ocorrem precocemente (26). A distin??o entre convuls?es precoces e tardias, ? feita a partir da segunda semana em alguns dos estudos (22, 25, 28, 29), enquanto noutros, as crises s?o consideradas tardias ap?s 4 semanas (20, 26). Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 28 A maioria dos estudos analisados concluiu que os pacientes com crises precoces t?m um risco menor de recorr?ncia relativamente ?s crises tardias (22, 26). Ao contr?rio do que esses autores sugerem, segundo o trabalho realizado por Kilpatrick et al. as crises precoces nem sempre s?o benignas, estando associadas a um risco significativo de recorr?ncia (30). Relativamente ao tratamento pr?vio ao AVC com f?rmacos que potencialmente possam diminuir o limiar da crise ou que causam epilepsia, um doente tomava teofilina, que est? provado poder baixar o limiar da crise e outro levotiroxina, que pode ser respons?vel por crises (19). Nenhum doente apresentava dem?ncia pr?via, que, segundo uma investiga??o, pode estar relacionada com o aumento do risco de crises tardias, que n?o se verificaram (31). Assim como tamb?m nenhum doente exibia dist?rbios metab?licos, associados ao aumento do risco de crises precoces (23). No entanto, 3 doentes apresentavam fibrilha??o auricular e 3 doen?a/insufici?ncia card?aca, que podem contribuir para a ocorr?ncia de crises convulsivas precoces (23). Um dos doentes teve, entre v?rias complica??es, del?rio de priva??o alco?lica, que pode ocasionar convuls?es e, portanto, ser uma poss?vel causa de crises. ? ent?o fundamental diagnosticar poss?veis causas concomitantes, que possam necessitar de tratamento espec?fico. Todos os 6 doentes foram tratados em regime de monoterapia, que se trata do mais recomend?vel pela literatura consultada, referindo que a maior parte dos doentes que apresentam convuls?es p?s AVC, respondem bem ? terap?utica com apenas um antiepil?ptico (10, 25, 26). Os f?rmacos de elei??o no tratamento foram a fenito?na e o valproato de s?dio. Apenas metade dos doentes realizou EEG, como m?todo utilizado para avaliar a convuls?o e, possivelmente ajudar na orienta??o do tratamento e predizer quais Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 29 pacientes est?o em risco de desenvolver outras convuls?es, nomeadamente os que apresentam actividade ponta-onda ou PLEDs (23). Verificou-se a presen?a de actividade lenta no ritmo electroencefalogr?fico, compat?vel com as les?es em dois dos pacientes (2 e 4), que s?o os achados electroencefalogr?ficos mais frequentemente encontrados nestes pacientes, de acordo com a literatura (23). Os complexos ponta ou ponta-onda, relatados em outros dois pacientes (2 e 3), est?o associados a um risco aumentado de desenvolvimento de convuls?es (10). O paciente 3 apresentou ainda PLEDs, que s?o mais frequentemente observados em pacientes com crises precoces (23). Os restantes EEGs n?o constavam do processo cl?nico e/ou n?o foram requeridos, apesar de serem exames recomend?veis. O tempo de internamento destes doentes na U-AVC foi, em m?dia, de 2 semanas. As complica??es apresentadas n?o se relacionaram com as crises, pois ocorreram num intervalo de tempo relativamente grande e adv?m das patologias de base dos doentes, ou est?o relacionadas com maior tempo de internamento e consequente risco de infec??o hospitalar. Assim, o progn?stico dos doentes n?o foi influenciado pelas crises ocorridas, talvez pelo tratamento precoce e n?o ocorr?ncia de status epilepticus em nenhum deles. Seria importante o seu seguimento p?s alta, para controlo do tratamento, sua toxicidade e poss?vel repeti??o de crises. Como nenhum dos doentes estudados faleceu durante o internamento, podemos considerar que n?o existe mortalidade associada ?s crises convulsivas apresentadas. Isto pode dever-se ao facto de, estando os doentes sempre monitorizados na U-AVC, as crises serem percebidas mais facilmente e tratadas precocemente, evitando recorr?ncias e prevenindo as complica??es habituais decorrentes das crises, como traumatismos, mordeduras da l?ngua, pneumonias de aspira??o, entre outras. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 30 O estudo realizado teve bastantes limita??es, uma vez que nem todos os processos inclu?am a informa??o pretendida, como dados relativos ao doente, nomeadamente a exames efectuados e seus resultados. A maior discord?ncia que existe entre o estudo presente e os demais consultados, ? o facto das crises convulsivas ocorrerem mais frequentemente em doentes v?timas de AVC hemorr?gico. Este facto poder-se-? explicar pela necessidade de alguns casos graves de hemorragia precisarem de ser submetidos a cirurgia, sendo transferidos para uma outra unidade hospitalar mais diferenciada, onde existe neurocirurgia. Como se tratou de um estudo retrospectivo, muitas das crises convulsivas podem ter passado despercebidas, foram desvalorizadas ou confundidas com agita??o, e n?o constam, nem foram relatadas nos processos dos doentes analisados, levando a que a frequ?ncia de doentes que apresentaram convuls?es p?s AVC, fosse menor do que as frequ?ncias apresentadas na maior parte dos estudos consultados. Isto tamb?m pode estar relacionado com o facto de que os outros tipos de crises s?o mais dif?ceis de identificar, at? pelo pr?prio doente. Pode referir-se ainda que, para al?m de prospectivo, o intervalo de tempo do estudo deveria ter sido maior, como ocorre na maioria da literatura j? publicada e, se poss?vel, com acompanhamento dos doentes p?s- internamento, em consulta, para seguimento da sua cl?nica e monitoriza??o da terap?utica. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 31 Em resumo, relativamente ? realidade analisada dos doentes internados na U- AVC do CHCB, durante 2008, com diagn?stico de AVC agudo, 6 doentes apresentaram crises convulsivas presenciadas durante o internamento, com uma frequ?ncia de 2,33%, sendo todos os AVCs do tipo isqu?mico e localiza??o anterior, na sua maioria cortico- subcortical. Das crises descritas, as mais frequentes foram as parciais simples motoras, tratadas com f?rmacos anti-epil?pticos, no regime de monoterapia habitual, com um bom controlo sobre as crises. As convuls?es manifestadas no per?odo agudo p?s AVC s?o uma das complica??es poss?veis e, como j? referido, a causa mais comum, apesar de rara, de epilepsia em pessoas idosas. Trata-se de um fen?meno algo comum, na maioria dos estudos e, por isso, uma das complica??es a que se deve estar atento durante o internamento. Para isso, ? importante abordar o doente em rela??o a fen?menos sensitivos e aut?nomos ou outras crises parciais simples que ele possa apresentar. Tamb?m seria fundamental, uma vigil?ncia apertada aos doentes que se apresentam com maior risco e potencial de desenvolvimento dessas crises, nomeadamente os que tomam f?rmacos antes ou durante o internamento, que possam causar ou baixar o limiar de convuls?es. Um aspecto bastante positivo a salientar nos dias de hoje, ? a cria??o das U-AVC, que possibilitam uma melhor vigil?ncia e tratamento nestes casos. A necessidade de monitoriza??o destes pacientes, pode justificar a cria??o destas unidades em todos os centros hospitalares, para uma melhor resposta ? popula??o, que nem sempre ? abrangida por elas. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 32 O acesso poss?vel e mais r?pido a todos os exames complementares necess?rios tamb?m seria conveniente na avalia??o diagn?stica e progn?stica dos doentes, mas nem sempre ? poss?vel e/ou estritamente necess?rio nos doentes que n?o sofrem complica??es, uma vez que n?o altera a institui??o do tratamento, que dever? ser sempre precoce. A inclus?o nestes estudos, de acompanhamento dos doentes em consulta, prev?-se importante, devido ? toxicidade apresentada pelos FAE e tamb?m pelo facto destes doentes manifestarem, normalmente, outras morbilidades associadas, o que pode conduzir a uma poss?vel altera??o ou abandono dos f?rmacos. Crises Convulsivas na fase aguda do AVC: Estudo retrospectivo 33 V. BIBLIOGRAFIA 1. Ferro J. 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