Lopes, Cláudia Manuela Silva SantosPinto, Aurora Maria Gomes Ribeiro Castanheira2025-12-032025-12-032025-06-112025-02-28http://hdl.handle.net/10400.6/19429Introdução: De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 1,71 biliões de indivíduos são portadores de condições musculoesqueléticas a nível mundial (1). Estas condições podem cursar com dor crónica, limitação de movimentos e, em casos mais graves, incapacidade funcional (2,3). No contexto da prática cirúrgica, as exigências ergonómicas, os movimentos repetitivos e de esforço, e as posturas incorretas e estáticas, colocam os cirurgiões numa posição vulnerável para o surgimento dessas condições (4). A presente revisão tem como finalidade avaliar a prevalência geral de distúrbios musculoesqueléticos (DME) nos cirurgiões, a prevalência por região anatómica e a prevalência por patologia diagnosticada, bem como as suas possíveis implicações. Metodologia: Foi conduzida uma revisão sistemática em conformidade com as diretrizes PRISMA. A pesquisa de artigos científicos foi executada em duas bases de dados, PubMed e B-On, utilizando os termos “Work-related Musculoskeletal Disorders”, “Surgeon”, “Prevalence”, “Impact”, “Questionnaire” e “Survey”. Determinou-se a inclusão de estudos transversais, publicados entre 2014 e 2024, em língua portuguesa e inglesa, e cujo objetivo principal incluísse o estudo da prevalência de DME em médicos de especialidade cirúrgica ou médico-cirúrgica. Complementarmente, estipulou-se a inclusão de estudos que avaliem o impacto que esses mesmos distúrbios podem condicionar. Para apreciação da qualidade metodológica dos estudos foi elegida a ferramenta Joanna Briggs Institute (JBI) Critical Appraisal Checklist for Analytical Cross-Sectional Studies (5). Resultados: A prevalência global de DME exibiu uma variação entre 47.4% e 97%, com destaque para as regiões cervical, lombar e membros superiores. Patologias como a epicondilite lateral e a síndrome do túnel cárpico foram reportadas, com prevalências a atingir 18.7% e 15.6%, respetivamente. No que concerne às consequências que advêm deste tipo de distúrbios, até 33.3% dos cirurgiões relataram situações de absenteísmo, e até 85% necessitaram de tratamento para as suas condições, inclusive intervenções cirúrgicas. Conclusão: Os resultados da presente revisão alertam para a elevada prevalência de DME nos cirurgiões e para as repercussões nocivas que os mesmos acarretam. Para que sejam destacadas estas repercussões e realçada a importância desta temática na saúde das populações, é essencial a condução de mais estudos epidemiológicos, de avaliação de risco e de análise do impacto a longo prazo (2,6,7). Percecionar os fatores envolvidos e o papel da prática cirúrgica no desenvolvimento destes distúrbios, é fundamental para que sejam elaboradas estratégias eficazes com vista à preservação da segurança e bem-estar dos cirurgiões, bem como da prestação exímia de cuidados.Introduction: According to the World Health Organization (WHO), approximately 1.71 billion individuals worldwide suffer from musculoskeletal conditions (1). These conditions can lead to chronic pain, restricted movement, and, in severe cases, functional disability. In the context of surgical practice, ergonomic demands, repetitive and strenuous movements, and improper static postures place surgeons in a vulnerable position for developing these conditions. This systematic review aims to assess the overall prevalence of musculoskeletal disorders among surgeons, the prevalence by anatomical region and the prevalence by diagnosed pathology, as well as their possible implications. Methodology: A systematic review was conducted following PRISMA guidelines. The search for scientific articles was carried out in two databases, PubMed and B-On, applying the terms “Work-related Musculoskeletal Disorders,” “Surgeon,” “Prevalence,” “Impact,” “Questionnaire,” and “Survey.” The inclusion of cross-sectional studies published between 2014 and 2024 in Portuguese and English that evaluated the prevalence of MSDs in surgical or surgical-medical specialists was determined. Additionally, it was established the inclusion of studies addressing the potential impact of these disturbances. To assess the methodological quality, the Joanna Briggs Institute (JBI) Critical Appraisal Checklist for Analytical Cross-Sectional Studies was selected (5). Results: The overall prevalence of MSDs ranged from 47.4% to 97%, with a notable prevalence in the cervical, lumbar, and upper limb regions. Conditions such as lateral epicondylitis and carpal tunnel syndrome were reported, with prevalence up to 18.7% and 15.6%, respectively. Regarding the consequences resulting from these disorders, up to 33.3% of surgeons reported episodes of absenteeism, and up to 85% required treatment for their conditions, including surgical interventions. Conclusion: The findings of this review highlight the high prevalence of MSDs among surgeons and their detrimental repercussions. To emphasize these repercussions and underscore the importance of this topic in public health, it is essential to conduct further epidemiological studies, risk assessments, and long-term impact analyses (2,6,7). Understanding the contributing factors and the role of surgical practice in the development of these disorders is crucial for devising effective strategies that preserve the safety and wellbeing of surgeons and delivery of high-quality patient care.porCirurgiõesDistúrbios MusculoesqueléticosImpactoPrevalênciaSaúde OcupacionalDistúrbios musculoesqueléticos nos cirurgiões: revisão sistemáticamaster thesis204046270