Pereira, Henrique MarquesSantos, Marta Rosário dos2026-01-232026-01-232025-11-072025-09-23http://hdl.handle.net/10400.6/19791This Dissertation focuses on how severe and/or chronic mental illness influences psychosexual perspectives and experiences, particularly in relation to social stigma, discrimination, and access to supportive environments. Given that this field remains academically underexplored, the present work aims to contribute to filling the gaps and limitations associated with the study of psychosexuality in people living with severe mental illness (PLSMI). A qualitative design was employed, involving 28 participants, through online interviews that explored their lived experiences and personal perspectives on psychosexual expression and well-being. This research provided direct access to narratives that highlight both the challenges imposed by restrictive social norms, limited support, and internalized stigma, as well as the protective role of inclusive networks and positive relational contexts. Thematic analysis of the responses resulted in several core themes, including the impact of social context, the influence of stigma and prejudice, limitations on intimacy and sexual expression, and the importance of supportive environments in fostering resilience and self-acceptance. In addition to the qualitative study conducted, this Dissertation presents a critical reflection on the findings, contributions, and limitations, as well as future recommendations. These recommendations concern not only the need for further research to address the specific needs of this population but also the importance of mental health professionals adopting inclusive and holistic practices that safeguard the psychosexual rights of people living with severe mental illness.A sexualidade constitui um elemento fundamental da identidade e do bem-estar humano, mas, no caso de pessoas com doença mental grave e/ou crónica, é frequentemente moldada por barreiras sociais, culturais e institucionais que comprometem a sua expressão de uma forma livre e íntegra. O presente estudo procurou explorar, através de uma abordagem qualitativa, as experiências vividas e as perspetivas psicossexuais de indivíduos com diagnóstico de doença mental grave e/ou crónica, analisando o papel do contexto social, do estigma e da discriminação na construção da sua sexualidade e na forma como esta se integra e influencia a sua saúde mental. A investigação insere-se num enquadramento teórico que reconhece a interdependência entre saúde mental e saúde sexual, apoiando-se em conceitos como o estigma (Link & Phelan, 2001), o duplo estigma e o modelo do stress das minorias (Meyer, 2003). Estudos prévios têm demonstrado que as pessoas com doença mental grave e/ou crónica apresentam taxas elevadas de disfunção sexual e comportamentos sexuais de risco (Montejo et al., 2018), e que fatores como a ausência de apoio social, normas culturais conservadoras e patologização da sexualidade contribuem para isolamento e sofrimento psicológico (McCann et al., 2019). A amostra foi constituída por 28 participantes (idade média de 31 anos, DP = 14; 71,43% mulheres; 46,42% pertencentes à comunidade LGBTQIA+), recrutados através de redes pessoais, profissionais e plataformas online. Os critérios de inclusão exigiam uma idade mínima de 18 anos e um diagnóstico de doença mental grave e/ou crónica. A recolha de dados foi realizada por entrevista eletrónica com questões abertas, explorando perceções sobre contexto social, expressão sexual, experiências de discriminação, impacto na saúde mental e fatores protetores. A análise seguiu o método de análise temática, com codificação colaborativa e identificação de temas recorrentes. Da análise emergiram cinco temas principais e 19 subtemas: Contexto Social que incluiu experiências de ambientes positivos (acolhedores e inclusivos), negativos (marcados por machismo, LGBT-fobia e conservadorismo), apoio ou rejeição familiar, influência da religião, papel de amigos/pares, contexto laboral e diferenças geracionais; Discriminação incluindo violência interpessoal (verbal, física e social) e sexismo, frequentemente associado a desigualdade de género e insegurança; Estigma abrangendo LGBT-fobia e duplo estigma, levando à ocultação da identidade e à deterioração do bem-estar emocional; Expressão Sexual englobando vivências de estar “dentro” ou “fora do armário”, patologização da sexualidade e desvalorização da dimensão sexual, com impacto direto na autoestima e na qualidade das relações; e Saúde Mental incluindo sintomas psicológicos agravados pelo estigma, fatores protetores como redes de apoio, presença de estigma sexual e preconceito internalizado. Os resultados indicaram que o contexto social é determinante na experiência psicosexual das pessoas com doença mental grave e/ou crónica. Redes de apoio inclusivas, especialmente entre amigos, surgiram como um fator protetor, enquanto ambientes hostis amplificaram sentimentos de isolamento e inadequação. O duplo estigma foi identificado como barreira central à integração social, levando muitos participantes à ocultação da identidade sexual ou de género. A patologização da diversidade sexual e a negligência da sexualidade nos cuidados de saúde mental perpetuam barreiras e dificultam a promoção de um bem-estar integral. A discussão relaciona estes resultados com a literatura, evidenciando a importância de abordagens integradas que reconheçam a sexualidade como parte do cuidado em saúde mental. Intervenções sugeridas incluem a formação de profissionais em diversidade sexual e de género, criação de espaços seguros, promoção de redes de apoio e políticas públicas inclusivas. É sublinhada a necessidade de modelos clínicos que integrem sexualidade e saúde mental no planeamento terapêutico, alinhados com o modelo de recuperação e o modelo biopsicossocial. Entre as limitações, destaca-se a natureza auto-reportada dos diagnósticos, o uso de amostra de conveniência e a impossibilidade de validação posterior dos dados devido à recolha anónima e online. Apesar disso, o estudo contribui para a compreensão aprofundada de uma área ainda pouco investigada em Portugal e em contextos lusófonos, apontando para futuras investigações que considerem metodologias participativas e amostras mais diversas. Em suma, este trabalho evidencia que promover o bem-estar psicossexual das pessoas com doença mental grave e/ou crónica exige a redução do estigma, o reforço das redes de apoio, a formação profissional culturalmente competente e a inclusão da sexualidade no acompanhamento clínico. Estas medidas poderão contribuir para uma melhoria significativa da qualidade de vida e da saúde mental desta população.engApoio SocialDoença Mental GraveEstigmaPsicosexualidadeSaúde MentalLived Experiences and Psychosexual Health Perspectives of Severely and/or Chronically Mentally Ill People: A Qualitative Studymaster thesis204137977