A pretexto do centenário comemorativo da publicação da Lei da Separação do Estado das Igrejas, a 20 de abril de 1911, propomo nos refletir neste texto sobre o princípio de separação entre a religião e a política, entre a esfera privada das convicções religiosas e a esfera pública da vida cívico jurídica, na medida em que tal princípio é uma questão de civilização e expressão de um acréscimo de consciência frente à imediatez solidária da crença primordial («Urglaube») e à doação primária de sentido, tais como a experiência do sagrado/profano, o mythos que a narra e a dos poderes que assim se constituem (experiências que, como sabemos, são solidárias em todas as hierofanias fundadoras).