Browsing by Author "Almeida, Ema Cristina Roque"
Now showing 1 - 1 of 1
Results Per Page
Sort Options
- Estudo da estabilidade de opiáceos e cocaína em Dried Saliva SpotsPublication . Almeida, Ema Cristina Roque; Soares, Sofia Pires Seixo; Rosado, Tiago Alexandre Pires; Alba, Maria Eugénia GallardoO consumo de drogas remonta há inúmeros anos e continua, nos dias de hoje, a representar um problema a nível global. A cocaína (COC) é umas das drogas mais consumidas a nível mundial e atua como estimulante do sistema nervoso central (SNC), enquanto que os opiáceos, lícitos ou ilícitos, atuam como depressores do mesmo. De forma a detetar e quantificar estas drogas podem ser utilizadas várias amostras biológicas, destacando-se a utilização do fluido oral, que nos últimos anos tem vindo a aumentar por se tratar de uma amostra de recolha fácil e não invasiva. Uma das maiores limitações dos laboratórios de toxicologia reside na dificuldade de armazenar amostras antes e após análise até a sua destruição ou ordem devido aos sistemas clássicos de armazenamento. Além disso devido ao elevado volume de amostras que alguns laboratórios recebem, tal obriga a que muitas vezes estas amostras tenham de ser guardadas até à sua análise, podendo estar comprometida a estabilidade dos analitos nelas presentes. Por este motivo o parâmetro da estabilidade, é cada vez mais um parâmetro fundamental que deve ser estudado em qualquer desenvolvimento e validação de um método bioanalítico. Existem atualmente diferentes sistemas de tratamento de amostras, dentre eles os dried saliva spots (DSS). Os DSS, uma variação dos dried blood spots (DBS), consistem em dispositivos que permitem a recolha e o tratamento de amostras de fluido oral com a vantagem do rápido processamento laboratorial e baixo custo. Assim sendo, o presente estudo tem como principal objetivo avaliar a influência de diferentes conservantes (ácido ascórbico, fluoreto de sódio e azida de sódio) na estabilidade da COC e opiáceos, bem como dos seus metabolitos, em amostras de fluido oral utilizando como técnica de extração os DSS e como técnica de identificação e quantificação a cromatografia gasosa acoplada à espetrometria de massa em tandem (GC-MS/MS). Os analitos englobados no estudo foram a COC, ecgonina metilester (EME), benzoilecgonina (BEG), cocaetileno (COET), norcocaína (NCOC), morfina (MOR), codeína (COD) e 6- monoacetilmorfina (6-MAM). O procedimento de extração previamente otimizado, resultou na aplicação de 50 µL de fluido oral, com conservante, nos spots que foram deixados a secar 12 horas. A extração foi realizada com a adição de 3 mL de metanol, seguido de agitação durante 5 minutos, centrifugação, evaporação à secura do sobrenadante, derivatização e posterior injeção no sistema de GC-MS/MS. Os parâmetros suscetíveis de influenciar a estabilidade como a temperatura, luz, concentração do conservante e tempo de armazenamento foram avaliados recorrendo a um desenho experimental (DOE, do inglês design of experiments), uma ferramenta estatística que permite avaliar de forma multivariada estes parâmetros e o modo como interagem entre si. No caso do ácido ascórbico, a BEG, a COD e a MOR apresentaram o fator tempo como aquele com maior influência na estabilidade. Relativamente ao fluoreto de sódio nenhum dos fatores teve influência estatisticamente significativa, e a azida de sódio foi descartada uma vez que apresentava piores resultados relativamente à resolução cromatográfica dos analitos em estudo. Assim, as melhores condições que permitem observar um aumento da estabilidade, e por isso as escolhidas para realizar o estudo de estabilidade a longo prazo, foram temperatura ambiente, presença de luz e 1% de fluoreto de sódio. No que diz respeito à estabilidade a longo prazo os resultados revelaram que, nas condições referidas, a COD foi estável apenas 1 dia, a EME manteve-se estável durante 3 dias, a COC, o COET, a NCOC e a 6-MAM foram estáveis por 7 dias, a MOR apresentou estabilidade de 14 dias e a BEG manteve-se estável ao longo de todo o estudo (136 dias). Este estudo permitiu avaliar quais as melhores condições para maximizar a estabilidade da COC, opiáceos e respetivos metabolitos em amostras de fluido oral, permitindo ainda avaliar a utilização dos DSS como dispositivos de recolha, armazenamento e tratamento das amostras. É ainda importante salientar que este é o primeiro estudo que deteta estas drogas de abuso em amostras de fluido oral com recurso à técnica de DSS e que avalia a sua estabilidade.
