Percorrer por autor "Lopes, Maria de Sousa Silva"
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- Enurese noturna nos jovens: caracterização patológica e abordagem terapêuticaPublication . Lopes, Maria de Sousa Silva; Silvestre, Samuel Martins; Bento, VandaA presente dissertação encontra-se organizada em três capítulos. O primeiro capítulo aborda as atividades desenvolvidas durante o estágio na Farmácia Colonial, e o conhecimento que delas derivou. O segundo capítulo é o retrato do trabalho desenvolvido aquando do estágio na Unidade Local de Saúde de Castelo Branco (ULSCB). O terceiro capítulo aborda o trabalho de investigação intitulado “Enurese Noturna nos Jovens: Caracterização Patológica e Abordagem Terapêutica”. A Enurese Noturna (EN) é a emissão involuntária de urina durante a noite, após os 5 anos de idade. A etiologia do distúrbio ainda não é clara, tendo sido propostas várias teorias fisiopatológicas. Apesar de existirem poucos dados epidemiológicos em Portugal nos jovens (pré-adolescentes e adolescentes), a revisão da literatura estrangeira aponta para uma diminuição da prevalência com a idade e para um aumento progressivo dos doentes com graves sintomas enuréticos. Os estudos apontam também para uma franca dificuldade em tratar estes doentes. O presente trabalho nasceu da necessidade e do interesse em estudar a EN nos jovens. Os objetivos a que nos propusemos foram caracterizar a população de jovens com EN, a partir da consulta de Nefrologia Pediátrica no Hospital Fernando Fonseca (HFF), verificar a abordagem terapêutica utilizada, bem como a resposta e adesão ao tratamento. Para tal, realizou-se um estudo longitudinal retrospetivo, descritivo, baseado na consulta dos processos clínicos dos jovens com primeira consulta entre Janeiro de 2005 e Dezembro de 2011. Os dados recolhidos foram analisados utilizando o programa Microsoft Excel®. No estudo foram incluídos 38 jovens (sendo 26/38 (68,4%) do sexo masculino), com idades entre os 9 e os 15 anos (11,6 ± 1,69 anos). A EN era Primária em 35/38 (92,1%) e Polissintomática em 29/38 (76,3%). Dos doentes que tinham indicação para a realização de ecografia com avaliação da capacidade vesical, 13/20 (65,0%) tinham capacidade vesical reduzida. A maioria dos doentes, 23/38 (60,5%), tinha episódios de EN mais de uma vez por semana. Em 31/38 (81,6%) doentes havia pelo menos uma comorbilidade associada. Nos doentes com EN Monossintomática (n=9), o alarme foi recomendado a 5/9 (55,5%), não tendo sido adquirido por nenhum. A Desmopressina em monoterapia foi prescrita a 8/9 (88,8%), tendo havido resposta positiva em 4 casos e nos restantes doentes não foi possível apurar se houve benefício. A associação Desmopressina com Oxibutinina foi eleita como estratégia terapêutica para 1/9 (11,1%), não tendo sido possível avaliar a resposta à mesma. Nos doentes com EN Polissintomática (n=29) o alarme foi recomendado a 8/29 (27,6%) mas em apenas três casos houve compra, resultando em cura num destes casos. A Desmopressina em monoterapia foi usada em 8/29 (27,6%), tendo-se verificado resposta positiva em todos os doentes. A Oxibutinina em monoterapia foi prescrita a 5/29 (17,2%) tendo havido resposta positiva em três casos e nos restantes não foi possível apurar se houve benefício. A associação Desmopressina com Oxibutinina foi usada em 15/29 (51,7%), tendo-se observado resposta positiva em dez doentes, em quatro não houve resposta e no restante caso não foi possível apurar. Em 11/24 (45,8%) doentes que não abandonaram a consulta houve problemas de adesão. Das abordagens terapêuticas efetuadas nos casos em análise resultou uma taxa de cura global de 18/38 (47,4%). No total, abandonaram a consulta de seguimento 14/38 (36,8%) dos jovens. Os resultados obtidos sugerem que o tratamento destes doentes é particularmente difícil, não só pelos quadros clínicos complexos, mas também, e principalmente, pela baixa adesão ao tratamento e às consultas de seguimento. Não obstante, a Desmopressina em monoterapia ou a sua associação com a Oxibutinina, revelaram-se opções terapêuticas com bons resultados, quando os doentes aderem à terapeutica. Face aos resultados observados, é fundamental que os profissionais trabalhem com o doente e a sua família no sentido de desenvolverem conjuntamente a melhor estratégia para a resolução do problema.
