Percorrer por autor "Neves, Beatriz dos Anjos Ramos"
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- Avaliação Epidemiológica e Neurobiológica da Exposição Intrauterina ao Paracetamol e suas Implicações na Etiopatogenia das Perturbações do Espetro do Autismo: Uma Revisão NarrativaPublication . Neves, Beatriz dos Anjos Ramos; Fontes, Maria Silvina Salvado; Santos, Vítor Hugo JesusIntrodução: O paracetamol é diversamente utilizado como analgésico e antipirético durante a gravidez, sendo considerado seguro em doses terapêuticas. No entanto, estudos recentes sugerem uma possível associação entre a exposição pré-natal a este fármaco e alterações no neurodesenvolvimento infantil, sobretudo perturbações do espetro do autismo e perturbação de hiperatividade e défice de atenção. As perturbações do espetro do autismo são caracterizadas por défices na comunicação e interação social, comportamentos estereotipados e respostas sensoriais atípicas, com uma prevalência crescente a nível global. Assim, é fundamental esclarecer a relação entre a exposição intrauterina ao paracetamol e o risco de perturbações do espetro do autismo, visando apoiar decisões clínicas e políticas de saúde mais seguras, diminuindo, possivelmente, a prevalência destas perturbações. Objetivos: Analisar de forma narrativa as evidências epidemiológicas e neurobiológicas sobre a exposição intrauterina ao paracetamol e o seu impacto no neurodesenvolvimento, com ênfase nas perturbações do espetro do autismo, para contribuir para práticas de prescrição mais seguras. Metodologia: Foi realizada uma revisão narrativa de artigos científicos publicados nos últimos dez anos, incluindo revisões sistemáticas e estudos de coorte disponíveis em bases de dados como PubMed e Scopus. Selecionaram-se publicações que abordassem a exposição ao paracetamol durante a gestação e a sua possível implicação na etiopatogenia das perturbações do espetro do autismo, considerando fatores de risco e possíveis mecanismos neurobiológicos. Resultados: A síntese dos estudos analisados sugere uma associação estatisticamente significativa entre a exposição prolongada ou frequente ao paracetamol e um aumento do risco de diagnóstico de perturbações do espetro do autismo na infância. Diversos mecanismos biológicos foram propostos, nomeadamente a ação do paracetamol sobre o stress oxidativo, a disfunção endócrina, a disfunção do sistema endocanabinóide e a modulação de vias inflamatórias cerebrais, bem como a sua capacidade de atravessar a barreira placentária. Discussão/Conclusão: Embora ainda existam controvérsias relativamente à relação causal, os resultados reforçam a necessidade de cautela na prescrição de paracetamol durante a gravidez, sobretudo em regimes prolongados. A clarificação dos mecanismos neurobiológicos envolvidos poderá contribuir para a adoção de medidas preventivas e para a elaboração de recomendações clínicas, equilibrando benefícios analgésicos/antipiréticos e potenciais riscos no neurodesenvolvimento infantil.
