Percorrer por autor "Rocha, Filipa Maria Martins"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- A microbiota intestinal e o papel dos probióticos nas doenças inflamatórias intestinaisPublication . Rocha, Filipa Maria Martins; Santos, Jorge Luiz dosAs doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa, são patologias inflamatórias crónicas que afetam o trato gastrointestinal, caracterizadas por períodos alternados de exacerbação e remissão. Clinicamente, comprometem a qualidade de vida dos doentes e podem levar a complicações graves, exigindo, por isso, terapêutica imunossupressora a longo prazo. A sua fisiopatologia parece resultar de uma interação complexa entre fatores genéticos, imunológicos, ambientais e microbianos. A recente exploração do papel da microbiota intestinal como fator etiológico da doença inflamatória intestinal tem impulsionado o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas promissoras, focadas na modulação da microbiota. Entre estas, destacam-se os probióticos, microrganismos vivos que podem restaurar o equilíbrio da microbiota e, assim, oferecer benefícios à saúde. Através de uma revisão bibliográfica, o principal objetivo desta dissertação é analisar os estudos desenvolvidos nos últimos anos, clarificando o papel da microbiota intestinal e avaliando as recentes evidências associadas à utilização de probióticos. Nesta revisão destacam-se alguns resultados promissores sobre a utilização dos probióticos nas doenças inflamatórias intestinais. Relativamente à indução da remissão da doença, os diversos randomized controlled trials que incluíram a administração de Lactobacillus, Enterococcus e Bifidobacterium apresentaram benefícios a nível da modulação da microbiota intestinal, com subsequentes benefícios nos índices de atividade de doença, nos parâmetros bioquímicos e inflamatórios e ainda na qualidade de vida. Especificamente na colite ulcerativa, a vasta evidência sugere que o VSL#3 é eficaz na indução da remissão clínica em pacientes com doença ativa leve a moderada. Outros randomized controlled trials com intervenções à base de Lactobacillus, Bifidobacterium e Escherichia coli Nissle 1917 demonstraram também eficácia na indução da remissão, possuindo ainda efeitos imunológicos significativos. Já na doença de Crohn, apesar da existência de significância estatística na redução do índice de atividade de doença e de alguma melhoria nos marcadores inflamatórios (como a proteína C reativa), os resultados são pouco consistentes, em comparação a outros estudos e a literatura anterior. No que diz respeito à manutenção da remissão da doença, a eficácia dos probióticos é menos clara, mas parece ser mais promissora na colite ulcerativa do que na doença de Crohn, através da utilização de, por exemplo, Lactobacillus e Bifidobacterium. Contudo, é necessária investigação adicional, especialmente através de estudos multicêntricos de fase 3, para validar a sua eficácia e estabelecer um perfil de segurança para a sua utilização, possibilitando a sua futura inclusão em guidelines clínicas.
