Departamento de Arquitetura
URI permanente desta comunidade:
Navegar
Percorrer Departamento de Arquitetura por orientador "Campos, Inês Daniel de"
A mostrar 1 - 2 de 2
Resultados por página
Opções de ordenação
- Arquitetura Vernacular Portuguesa: Contributos para a Reabilitação ContemporâneaPublication . Pedro, Diogo Sabino São; Campos, Inês Daniel deA arquitetura contemporânea enfrenta, no início do século XXI, um desafio incontornável: conciliar as exigências de sustentabilidade ambiental, decorrentes das alterações climáticas e do esgotamento de recursos, com a preservação e reinterpretação das identidades culturais enraizadas nos territórios. O setor da construção continua a ser responsável por uma parte significativa do consumo energético e das emissões de gases com efeito de estufa, razão pela qual a procura de soluções construtivas ecológicas se tornou imperativa. Neste contexto, a arquitetura vernacular portuguesa emerge como um recurso crítico. Mais do que um património formal ou estilístico, o vernacular representa um corpo de saberes empíricos acumulados ao longo de séculos, adaptados a climas diversos e a modos de vida locais, que podem e devem ser mobilizados para enfrentar os desafios atuais. A presente dissertação tem como objetivo demonstrar de que forma os valores da arquitetura vernacular portuguesa — técnica, forma, ritmo, proporção, função e vivência — podem ser reinterpretados no contexto contemporâneo, quer em projetos de reabilitação, quer em construções de raiz. Procura-se evidenciar que a tradição não é um entrave à inovação, mas antes uma matriz de princípios que, se devidamente atualizados, podem orientar práticas arquitetónicas mais sustentáveis, confortáveis e culturalmente significativas. Em todos os casos, o denominador comum é a reinterpretação dos valores vernaculares nos dias de hoje: não se trata de replicar formas antigas, mas de atualizar princípios, conjugando técnicas tradicionais com exigências contemporâneas de conforto, higiene, sustentabilidade e linguagem arquitetónica. Esta atualização evidencia-se na utilização de soluções bioclimáticas passivas (inércia térmica, ventilação cruzada, sombreamento natural), no aproveitamento de materiais locais em combinação com novas tecnologias e na manutenção da escala e da identidade das construções em diálogo com o território. Conclui-se que a arquitetura vernacular portuguesa fornece um repertório de soluções intemporais — técnicas, formais e funcionais — que, reinterpretadas criticamente, permitem enfrentar os desafios atuais da prática arquitetónica. O diálogo entre tradição e contemporaneidade deve, por isso, ser visto não como oposição, mas como oportunidade.
- Paisagem Rural e Reativação da comunidade - Maciço de Sicó: espaços coletivos de aldeiasPublication . Neves, Ana Rita Branco; Campos, Inês Daniel deA paisagem rural de Sicó, reflexo das interações entre o ser humano e o meio natural ao longo do tempo, manifesta significados culturais, históricos e sociais que salvaguardam o caráter próprio da sua estrutura vernacular. No entanto, atualmente, verificam-se grandes desafios, nomeadamente o despovoamento, o abandono agrícola, bem como a degradação do património arquitetónico e ambiental, contribuindo para uma fraca identidade do lugar. Não obstante, observa-se uma crescente desvalorização da paisagem devido a uma insuficiente gestão territorial, política, social e de recursos, que anuncia uma ameaça à singularidade das suas malhas rurais. Neste contexto, recorre-se ao estudo da relação de reciprocidade entre as aldeias de Ereiras e de Poios, pertencentes à freguesia de Redinha, Pombal, vistas como realidades sociais distintas, mas representativas da diversidade de dinâmicas sociais e territoriais desta paisagem. Enquanto na leitura da estrutura de Ereiras sobressai a urgência de promover o património edificado face ao sistemático abandono, o tecido rural de Poios ilustra o papel do turismo, quando bem articulado às especificidades da população, como instrumento de resiliência comunitária. As leituras únicas de cada povoamento permitem delinear princípios transversais de intervenção que conciliem as práticas vernaculares com as necessidades da comunidade, garantindo a coesão do tecido rural e a continuidade da identidade do lugar. A reativação de comunidades emerge, deste modo, como uma resposta estratégica para mitigar os efeitos do sistemático abandono e, acima de tudo, promover territórios firmes e participativos, onde a prevenção do património, a leitura da paisagem e a valorização social se articulam com as novas dinâmicas sociais. Para tal, a arquitetura assume-se como disciplina capaz de transformar os espaços comunitários em lugares de coesão social, através de uma prática consciente que, unida com a perspetiva da comunidade, se revela crucial para compreender a vitalidade social e desenvolver medidas que salvaguardem o futuro da paisagem rural de Sicó.
