Percorrer por autor "Adriano, Francisco Gabriel Amaral"
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- Análise de fraturas vertebrais numa coorte de doentes com fratura da ancaPublication . Adriano, Francisco Gabriel Amaral; Ferreira, Joana Catarina Fonseca; Santos, Filipe Martins CunhaIntrodução: As fraturas vertebrais são as fraturas de fragilidade mais prevalentes. Apesar disso, são também as mais subdiagnosticadas, uma vez que, duas em cada três fraturas vertebrais são assintomáticas e, dado que, a grande maioria dos doentes com fraturas vertebrais sintomáticas não procuram aconselhamento e avaliação médica. Deste modo, apenas uma pequena percentagem das fraturas vertebrais é identificada e tratada. Estas fraturas estão associadas ao aparecimento de novas fraturas, à diminuição da qualidade de vida e ao aumento da morbilidade e da mortalidade. Assim, a identificação precoce destas fraturas é fundamental na prevenção secundária de novas fraturas e permite melhorar a qualidade de vida dos doentes. Objetivos: Caraterizar a população de doentes com fraturas vertebrais e a população de doentes sem fraturas vertebrais; Comparar a prevalência das diversas caraterísticas e descrever as diferenças observadas entre as duas populações mencionadas; Identificar as caraterísticas/fatores de risco que aumentam a probabilidade de existência e ocorrência de uma fratura vertebral; Determinar quais as vertebras mais frequentemente envolvidas numa fratura vertebral. Materiais e métodos: Em setembro de 2019, foi criada uma Fracture Liaison Service de fraturas da anca, na Unidade Local de Saúde da Guarda. Este programa foi denominado de Terapêutica Ocupacional e Multidisciplinar com Benefício na Osteoporose, TOMBO, que inclui no seu protocolo a realização de radiografias da coluna dorsal e lombar, para rastreio de fraturas vertebrais não diagnosticadas. De modo a efetuar este estudo, foram recolhidos os dados socio-demográficos, clínicos e analíticos da coorte prospetiva, constituída pelos doentes avaliados nesta Fracture Liaison Service, desde a sua criação até 31 de dezembro de 2022. Realizou-se um estudo caso-controle, tendo sido considerados como casos todos os doentes com fratura vertebral. Resultados: Os 102 doentes, observados neste período de tempo, apresentavam fraturas da anca. Destes, 77 doentes realizaram radiografias ou tomografias computorizadas da coluna vertebral, tendo sido identificadas fraturas vertebrais em 22 doentes (27,8%). A idade média dos doentes sem fratura vertebral era 76,04 ± 7,80 anos e a dos doentes com fratura vertebral era 80,32 ± 6,91 anos. Relativamente ao número de fraturas, 81,5% dos doentes sem fraturas vertebrais tinham apenas uma ou duas fraturas, apresentando os restantes 18,5% dos doentes três ou mais fraturas. Por outro lado, 40,9% dos doentes com fratura vertebral tinham apenas uma ou duas fraturas e 59,1% dos doentes apresentavam três ou mais fraturas. Nos 22 doentes, que apresentavam fratura vertebral, foram identificadas 39 fraturas dorsais e lombares, sendo seis em D12 e L1, cinco em D11 e L2, três em D6 e L5, duas em D9, D10 e L4, e uma fratura em D2, D3, D4, D7 e L3. Conclusão: As fraturas vertebrais continuam a ser um grave problema de saúde pública, sendo amplamente subdiagnosticadas e negligenciadas. Na população analisada neste estudo, mais de um quarto dos doentes apresentavam fraturas vertebrais, que não tinham sido identificadas previamente. A idade e o número de fraturas prévias estão intimamente relacionados com a ocorrência de fraturas vertebrais. Deste modo, quanto maior for a idade e o número de fraturas prévias, maior a probabilidade de apresentar ou realizar uma fratura vertebral. Assim, é fundamental incluir a realização de radiografias da coluna vertebral, na avaliação de doentes com elevado risco fraturário, devendo ser dado especial destaque à transição dorso-lombar, região onde ocorrem mais de metade das fraturas.
