Percorrer por autor "Alves, Catarina Isabel Gomes"
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- Diagnóstico tardio de doenças reumáticas inflamatórias - impacto e desafiosPublication . Alves, Catarina Isabel Gomes; Ferreira, Joana Catarina FonsecaIntrodução O diagnóstico tardio de doenças reumáticas inflamatórias (DRI), como a artrite reumatoide e as espondiloartrites, tem um impacto significativo na qualidade de vida e na capacidade funcional dos doentes. Barreiras como sintomas inespecíficos, baixa literacia em saúde e demora na referenciação dificultam a identificação e tratamento precoces, aumentando o número de complicações irreversíveis e os custos associados ao tratamento tardio. Objetivos Determinar o tempo de diagnóstico de DRI, identificar os fatores que contribuem para o atraso diagnóstico em doentes com artrite reumatoide (AR), artrite psoriática (AP) e espondiloartrite (EA), e avaliar o impacto do atraso no diagnóstico. Metodologia Foi realizado um estudo observacional transversal em outubro de 2024 no serviço de reumatologia da Unidade Local de Saúde da Guarda (ULSG). Os critérios de inclusão foram: doentes com mais de 18 anos diagnosticados com AR, AP ou EA, de acordo com os critérios da EULAR, CASPAR e ASAS, respetivamente. Os dados foram recolhidos por meio de um questionário e de dados clínicos dos registos médicos. O tempo de diagnóstico foi definido como a duração desde o início dos sintomas até à confirmação diagnóstica. Foram criados diversos períodos onde pode ocorrer o atraso (Lag), em meses, para entender o percurso até ao diagnóstico: Lag 1 (início dos sintomas até à procura de cuidados médicos), Lag 2 (início dos sintomas até à referenciação para a consulta de reumatologia), Lag 3 (referenciação até à primeira consulta de reumatologia), Lag 4 (primeira consulta de reumatologia até ao diagnóstico), Lag 5 (tempo de diagnóstico – na ULSG), Lag 6 (tempo de diagnóstico – fora da ULSG). Lag 7 (tempo de diagnóstico total). Foram ainda calculados os valores do questionário SF-36 e do DAS28 de modo a determinar o impacto do diagnóstico tardio. Os dados foram analisados utilizando o IBM SPSS®, versão 29 com testes não paramétricos e nível de significância de p < 0,05. Resultados Um total de 93 doentes foram incluídos: 49% tinham AR, 31% tinham EA e 13% tinham AP; 74,2% eram mulheres. A idade média atual era de 56,74 anos, com uma média de 42,1 anos à apresentação da doença. O tempo médio total de diagnóstico (Lag 7) foi de 90,72 meses. Uma correlação positiva forte foi encontrada entre Lag 7 e Lag 2 (? = 0,874, p <0,01) e uma correlação negativa entre Lag 7 e a idade no início dos sintomas (? = -0,273, p <0,01). O número de consultas com outros médicos antes da primeira consulta de reumatologia correlacionou-se positivamente com Lag 7 (? = 0,420, p <0,01). Lag 7 mais demorado foi associado à presença de EA ou AP e ao meio de transporte utilizado até ao centro de saúde (p <0,05). O diagnóstico tardio impactou negativamente 3 dimensões do SF-36: capacidade funcional, saúde mental e dor corporal (p <0,05). Conclusão Os achados enfatizam a importância da referenciação precoce para reduzir o atraso no diagnóstico das DRI. As barreiras ao diagnóstico foram: uma idade mais jovem no início dos sintomas, ter EA ou AP, usar táxi ou o transporte de um acompanhante para chegar ao centro de saúde, ausência de médico de família atribuído e maior número de consultas com médicos não reumatologistas antes da primeira consulta de reumatologia. Este atraso pode levar à progressão das doenças e a piores resultados na saúde dos doentes. Aumentar a literacia em saúde dos doentes e o reconhecimento de DRI por parte dos profissionais de saúde dos cuidados de saúde primários, são essenciais para reduzir os tempos de diagnóstico.
