Percorrer por autor "Casseb, Julia Trindade"
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- Espacialidade e Integração Social: Uma Cartografia das dinâmicas urbanas do FundãoPublication . Casseb, Julia Trindade; Neto, Maria de Fátima CanteiroNas últimas décadas, Portugal tem assistido a um duplo movimento que reconfigura profundamente o seu território: o aumento da migração internacional e o despovoamento progressivo do interior. Neste contexto, o Fundão destaca-se por adotar uma estratégia proativa de acolhimento institucionalizado, concretizada em iniciativas municipais como o Centro para as Migrações do Município do Fundão (CMMF). Esta postura transforma o município num laboratório urbano, onde se articulam políticas públicas, fluxos migratórios e práticas cotidianas de pertencimento. Partindo deste cenário, pretende-se compreender de que modo o acolhimento institucionalizado de fluxos migratórios no Fundão reconfigura a espacialidade urbana e como as práticas subjetivas de apropriação e de busca por pertença se manifestam no território. Propõe-se que a mediação institucional abre espaço para novas práticas de uso e recomposições simbólicas do espaço urbano. A investigação percorre um caminho que parte da teoria crítica do espaço de Henri Lefebvre, articulando a dialética dos Fixos e Fluxos de Milton Santos com a Espacialidade Relacional de Doreen Massey, para abordar o espaço como um produto social, múltiplo e dinâmico. A arquitetura é entendida como a instância concreta onde as relações e os conflitos se materializam. Do ponto de vista metodológico, adota-se a postura do arquiteto-cartógrafo, procurando mapear as dinâmicas sociais e afetivas emergentes no Fundão. Serão exploradas diferentes perspetivas de análise, conjugando a vitalidade urbana de Jan Gehl — centrada na qualidade do espaço e no contato social — com a Cartografia Sentimental de Suely Rolnik — voltada para a leitura dos afetos, fluxos de desejo e linhas de fuga. A investigação baseia-se na imersão no terreno, recorrendo à observação e à fotografia analógica como instrumentos principais de registo e interpretação do vivido. A escala de análise concentra-se no núcleo urbano do Fundão, entendido não apenas como uma pequena cidade, mas como território de um “devir menor”, onde se manifestam processos alternativos de produção do espaço.
