Percorrer por autor "Esteves, Bruno Filipe Oliveira"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Estado de mal epilético: casuística de uma Unidade de Cuidados Intensivos não especializada em doentes neurocríticosPublication . Esteves, Bruno Filipe Oliveira; Branco, Vítor Alexandre Pereira GonçalvesO estado de mal epilético é uma emergência neurológica ocasionalmente diagnosticada e tratada fora do ambiente de unidades especializadas em cuidados neurocríticos e cuja abordagem por vezes requer a aplicação de procedimentos intensivos. Com este trabalho pretende-se descrever a casuística de estado de mal epilético num serviço de Medicina Intensiva polivalente, quanto a número de casos, demografia e comorbilidades dos doentes, forma de estado de mal, diagnóstico etiológico, métodos de monitorização e tratamento, assim como os resultados vitais e funcionais. Para o efeito, foi realizado um estudo transversal e retrospetivo englobando todos doentes adultos diagnosticados e tratados por estado de mal epilético na Unidade de Cuidados Intensivos do Centro Hospitalar Cova da Beira ao longo dos últimos 10 anos. Obtiveram-se dados referentes a 30 processos clínicos de doentes com idades compreendidas entre os 24 e 92 anos, sendo 70% deles do sexo masculino. Os principais fatores desencadeantes de estado de mal epilético identificados foram a lesão cerebral pós-anóxica (33.3%), as doenças cerebrovasculares (10.0%) e os distúrbios hidroeletrolíticos (10.0%). Em termos semiológicos, o estado de mal epilético convulsivo generalizado foi a forma de apresentação mais frequente, tendo ocorrido em 50% dos casos. Em 56.7% dos doentes a duração do episódio ictal foi superior a 60 minutos. Na abordagem direcionada à cessação da atividade epilética destacou-se uma elevada heterogeneidade na escolha das opções terapêuticas. De entre as diversas estratégias medicamentosas adotadas, verificou-se que os doentes a quem o diazepam foi administrado como primeira linha de tratamento, associado a outros fármacos antiepiléticos, apresentaram uma evolução clínica mais favorável quando comparados com os doentes a quem este medicamento não foi administrado. Por outro lado, a administração de fenitoína, sobretudo de forma isolada como primeira linha, esteve associada a pior prognóstico e a uma maior mortalidade. A percentagem de doentes refratários às duas primeiras linhas de tratamento foi de 40%. Constatou-se que o estado de mal epilético está associado a uma elevada mortalidade, estimada em 43.3% durante o internamento na Unidade de Cuidados Intensivos ou em 50% se considerado o intervalo até à alta hospitalar. Relativamente aos fatores de prognóstico, este estudo estabeleceu uma relação estatisticamente significativa entre o tipo de evolução clínica com a idade, etiologia e duração do estado de mal epilético. Apurou-se ainda que o indicador SAPS II (Simplified Acute Physiology Score), sobrestimou a mortalidade, ao passo que o indicador STESS (Status Epilepticus Severity Score) subestimou o prognóstico. Verificou-se também que os doentes permaneceram internados em média 11.6 dias na Unidade de Cuidados Intensivos e que a duração total do internamento hospitalar foi de 29.2 dias. Na sequência deste trabalho, deve ser equacionada uma reavaliação da abordagem de primeira linha a implementar nos casos de estado de mal epilético que dão entrada no Centro Hospitalar Cova da Beira e deve ser considerada a criação de um protocolo interno de forma a uniformizar os procedimentos.
