Percorrer por autor "Ferreira, Ana Isabel Bernardo"
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- Estudo Retrospetivo da aplicação tópica de Capsaicina 8% para tratamento da Dor Neuropática Periférica na Consulta da Dor do Centro Hospitalar Cova da Beira, E.P.E.Publication . Ferreira, Ana Isabel Bernardo; Almeida, Reinaldo Marcelino Rodrigues SantosIntrodução: A dor neuropática constitui uma das condições dolorosas mais difíceis de reconhecer e tratar, sendo geralmente crónica e incapacitante. As estratégias terapêuticas disponíveis são muitas vezes ineficazes e responsáveis por reações adversas sistémicas que limitam a compliance ao tratamento. Recentemente foi introduzido o adesivo cutâneo de capsaicina 8%, enquanto opção para o alívio desta condição. Objetivos: Este projeto tem como principal objetivo avaliar a eficácia, tolerabilidade e a perspetiva dos doentes em relação aos resultados decorrentes do tratamento com este adesivo, realizado no Centro Hospitalar da Cova da Beira, E.P.E.. Como objetivo secundário pretende-se uma revisão sistemática acerca da dor neuropática e seu tratamento, com especial ênfase no adesivo de capsaicina 8%. Métodos: Foi efetuado um estudo retrospetivo que envolveu 21 doentes com diagnóstico de dor neuropática periférica, tratados com o adesivo de capsaicina 8% no Centro Hospitalar Cova da Beira, E.P.E.. A recolha de informação foi realizada através de um questionário aplicado em contexto de consulta. O mesmo contém questões acerca de reações adversas e utiliza a Escala Numérica da Dor e o Patient Global Impression of Change. Foram consultados os processos clínicos dos participantes para obtenção de dados complementares. Para a aplicação do adesivo neste Centro, procede-se de acordo com o protocolo de utilização deste fármaco. Resultados: Foram estudados dados de 13 mulheres e 8 homens, com idades compreendidas entre os 44 e os 90 anos, com dor neuropática periférica de diferentes etiologias, sendo a pós-cirúrgica a mais frequente. Os doentes foram tratados com o adesivo de capsaicina 8%, sendo que o número de tratamentos realizados variou entre 1 e 5. Segundo dados relativos ao primeiro tratamento, todos os indivíduos completaram o tempo recomendado de aplicação do adesivo. As reações adversas observadas com mais frequência foram locais e consistiram em eritema, sensação de calor e dor tipo queimadura classificada pela maioria como “leve ou “moderada”. Cerca de 24% da amostra experienciou reações adversas sistémicas, principalmente náuseas. Utilizando a Escala Numérica da Dor, foi possível observar que a média da intensidade da dor da amostra antes do tratamento com o adesivo era de 7,33 (M=7,33;DP=2,01). Às 2, 6 e 12 semanas após o mesmo, verificaram-se reduções de 1,62 (22,10%), 2,04 (27,83%) e 1,19 (16,63%), respetivamente. Dez doentes (47,62%) atingiram uma redução =30% na intensidade da sua dor, em algum dos momentos avaliados. No grupo que realizou mais do que um tratamento (n=13), a intensidade mínima da dor atingida após o primeiro tratamento foi 1,62 (21%) inferior à inicial. Neste grupo observou-se uma diminuição de 3,23 (44,15%) na intensidade da dor, 12 semanas depois da última aplicação do adesivo, relativamente à dor inicial. Em oito dos participantes (38%) verificou-se uma redução na toma de medicação analgésica concomitante, após o número total de tratamentos. Relativamente aos resultados obtidos no Patient Global Impression of Change, vimos que 7 doentes afirmaram que o tratamento não resultou ou que levou apenas a algumas melhorias, que não representaram alterações no seu estado geral de saúde e/ou quotidiano. Já cerca de 70% da amostra mostrou-se satisfeita com o tratamento e referiu melhorias significativas que, para alguns, fizeram toda a diferença no quotidiano. Conclusão: A aplicação do adesivo de capsaicina 8% é bem tolerada. Reações adversas são comuns mas maioritariamente locais, o que torna esta terapêutica segura, e não comprometem a adesão ao tratamento. De acordo com os resultados, concluímos que na sua maioria, os doentes experienciam uma redução na intensidade da dor, embora em graus variáveis. Para cerca de metade da amostra verificou-se uma redução clinicamente significativa (=30%) na intensidade da dor, em algum momento até às 12 semanas após o primeiro tratamento. O momento em que a intensidade da dor se mostrou mais baixa foi às 6 semanas. Foi possível observar uma diminuição adicional da intensidade da dor com aplicações subsequentes. Neste estudo comprovamos a vantagem do adesivo de capsaicina 8% na redução da medicação analgésica concomitante para o alívio da dor. Grande parte da amostra (70%) mostrou-se satisfeita com esta terapêutica, sentindo melhorias no seu estado clínico geral, com aumento da qualidade de vida relacionada com a saúde. Tendo em conta a dificuldade no tratamento da dor neuropática periférica e a grande percentagem de doentes que não obtêm alívio com as diferentes terapias disponíveis, é notável a eficácia do adesivo de capsaicina 8%, assim como o seu perfil de segurança e tolerabilidade.
