Percorrer por autor "Gomes, Catarina Pereira"
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- Características clínicas e funcionais dos fenótipos da DPOC e a sua relevância na abordagem ao doente com DPOCPublication . Gomes, Catarina Pereira; Gomes, Rita Daniela MatosIntrodução: A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é uma patologia complexa, com significativa heterogeneidade na apresentação clínica, progressão da doença e resposta à terapêutica entre doentes com o mesmo grau de obstrução ao fluxo de ar. Numa tentativa de abordar esta variabilidade, surgiu o termo “fenótipo”, “atributo ou conjunto de atributos que descrevem diferenças entre os doentes, tendo por base parâmetros clinicamente significativos (sintomas, exacerbações, resposta ao tratamento, taxa de progressão da doença ou mortalidade)”. As Guidelines espanholas para a doença pulmonar obstrutiva crónica surgiram em 2012 e foram as primeiras a introduzir uma abordagem por fenótipos na prática clínica, propondo a seguinte divisão: não-exacerbadores, exacerbadores com enfisema, exacerbadores com bronquite crónica e doentes com síndrome de sobreposição asma-DPOC. O presente estudo tem como objetivo verificar se existem diferenças clínicas e funcionais significativas entre estes 4 fenótipos, por forma a avaliar a pertinência e importância da fenotipagem na abordagem clínica e terapêutica à DPOC. Materiais e métodos: Trata-se de um estudo retrospetivo de uma amostra de 95 doentes com diagnóstico estabelecido de DPOC, selecionados aleatoriamente a partir do conjunto de doentes seguidos em consulta externa de Pneumologia da Unidade Local de Saúde da Guarda. A definição dos fenótipos teve por base as guidelines espanholas para a doença pulmonar obstrutiva crónica. As diferentes variáveis foram recolhidas através da consulta do processo clínico eletrónico de cada doente. Para a análise estatística dos dados recorreu-se ao software Statistical Package for the Social Sciences® (SPSS), tendo-se realizado uma análise descritiva e inferencial dos resultados, aplicando os testes de Kruskal-Wallis e qui-quadrado. Resultados: Os não exacerbadores foram o fenótipo mais frequente (62.1%), seguindo-se os doentes com síndrome de sobreposição asma-DPOC (15.8%), exacerbadores com enfisema (11.6%) e exacerbadores com bronquite crónica (10.5%). Na comparação entre fenótipos, não foram encontradas diferenças estatisticamente significativas no que toca à idade, sexo, carga tabágica, status tabágico e declínio da função pulmonar. Doentes não exacerbadores e com síndrome de sobreposição asmaDPOC demonstraram melhor função pulmonar e melhor capacidade de difusão do monóxido de carbono relativamente aos fenótipos exacerbadores. Exacerbadores com enfisema demonstraram um menor índice de massa corporal, maiores níveis de dispneia e maior necessidade de oxigenoterapia de longa duração. Exacerbadores com bronquite crónica obtiveram um maior índice de massa corporal e piores valores gasimétricos. Doentes com síndrome de sobreposição asma-DPOC revelaram ter mais exacerbações relativamente aos não-exacerbadores, mas menos em relação aos exacerbadores. A terapêutica tripla com broncodilatação dupla e corticoide inalado foi a mais usada em todos os fenótipos, exceto nos não exacerbadores onde a terapia apenas com broncodilatação dupla foi a mais frequente. Todos os indivíduos com síndrome de sobreposição asma-DPOC estavam sob corticoterapia inalada. Conclusões: De forma concordante com outros estudos, os resultados obtidos neste trabalho evidenciaram diferenças clinicamente relevantes entre os 4 fenótipos analisados, diferenças estas que parecem justificar a fenotipagem para uma abordagem mais personalizada dos doentes com DPOC. Não obstante, é necessária mais investigação para avaliar o curso natural de cada fenótipo e perceber se a abordagem terapêutica baseada nestes está associada a melhores resultados clínicos.
