Percorrer por autor "Manique, Helena Filipa Freitas"
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- Padrões de Uso da Terapia Eletroconvulsiva em PortugalPublication . Manique, Helena Filipa Freitas; Silva, Nuno Fernando RodriguesIntrodução: a literatura médica atual corrobora a eficácia e segurança da Eletroconvulsivoterapia, especialmente no espetro de patologias afetivas graves e refratárias, cujas taxas de prevalência permanecem altas. No entanto, possivelmente por motivos de estigma e preconceito, ao considerarmos a disponibilização do tratamento, a frequência com que é prescrito e os métodos usados para o aplicar encontramos uma pronunciada heterogeneidade entre vários países, sendo no entanto desconhecidos esses mesmos dados em relação a outros, como Portugal. Esta falta de informação suscita questões importantes relativas à acessibilidade, atempada e adequada, a um tratamento verdadeiramente capaz de mudar a vida de quem dele necessita. Objetivos: este estudo propõe-se a observar a realidade Portuguesa no que concerne à disponibilização da TEC nos vários departamentos de Psiquiatria portugueses, assim como as diferenças na probabilidade de exposição ao tratamento para as várias regiões e as características do seu uso naqueles serviços que providenciam TEC. Métodos: Um questionário online, adaptado de um estudo realizado em Espanha, foi enviado aos departamentos de psiquiatria portugueses e preenchido por um psiquiatra. Alternativamente, as respostas ao questionário foram obtidas através de contacto telefónico ou presencial. Foram recolhidos dados referentes ao ano de 2017. Resultados e Discussão: 89% dos centros inquiridos usa Terapia Eletroconvulsiva, com 61% que apenas prescreve e 29% que pode aplicar tratamento no próprio serviço; 11% não usa TEC. A disponibilização é menor no interior Norte e no Sul do país continental, e no arquipélago dos Açores. Tem a sua maior taxa no distrito de Lisboa. A utilização tem alguns aspetos de heterogeneidade patente, como no aparelho e modalidade usados, e na decisão de usar atropina dentro do procedimento. Existe variabilidade pronunciada no número de sessões preconizados como ‘mínimos’, ‘habituais’ e ‘máximos’ para pacientes de situação aguda. A formação em TEC para internos de Psiquiatria raramente é obrigatória. Considerando o estudo original realizado em Espanha, encontramos algumas semelhanças: grandes variações regionais nas taxas de prescrição, os principais motivos para não disponibilizar TEC e a percentagem de centros que não aplica nem prescreve TEC. Por outro lado, é maior o número de hospitais capazes de aplicar o tratamento, sugerindo melhor probabilidade de intervenções oportunas. Não existir uma disponibilização generalizada de um qualquer método terapêutico necessário e eficaz, prejudica a evolução dos casos em que ele é necessário. A falha em proporcionar oportunidades adequadas ao uso apropriado da TEC impede ganhos muito significativos em qualidade de vida, especialmente para pacientes em situações gravemente disfuncionais, para os próprios e para a sua rede de suporte social. A presente tese apresenta os resultados preliminares do estudo de caracterização da TEC em Portugal: a sua maior limitação é ter obtido 65% das respostas a inquéritos solicitadas até à sua redação. Ainda assim, consegue o seu propósito fundamental, o de ilustrar com clareza a acessibilidade nacional a este método terapêutico e a sua heterogeneidade, tanto na distribuição como na metodologia usada na aplicação. Futuramente, será importante conduzir um estudo mais aprofundado da heterogeneidade e disponibilidade da prática, circundando as limitações como abaixo descritas do estudo presente. Conclusão: Maior discussão e visibilidade para esta terapêutica e o seu grau de importância são fatores preponderantes nesta altura. Apenas 29% das unidades Psiquiátricas públicas tem capacidade para combater de forma eficaz patologias afetivas graves, refratárias à medicação, com Terapia Eletroconvulsiva. Para estes pacientes, o curso evolutivo da patologia psiquiátrica invariavelmente estagna, e a falta deste método terapêutico acaba por vedar uma possível melhoria. Temos mais pacientes dependentes, maior morbilidade e maior mortalidade do que poderíamos ter. Uma análise metódica dos obstáculos significativos ao seu uso adequado e a construção de estratégias para aumentar a sua disponibilidade nacional serão caminhos a seguir.
