Browsing by Author "Pinto, Aurora Maria Gomes Ribeiro Castanheira"
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- Distúrbios musculoesqueléticos nos cirurgiões: revisão sistemáticaPublication . Pinto, Aurora Maria Gomes Ribeiro Castanheira; Lopes, Cláudia Manuela Silva SantosIntrodução: De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), aproximadamente 1,71 biliões de indivíduos são portadores de condições musculoesqueléticas a nível mundial (1). Estas condições podem cursar com dor crónica, limitação de movimentos e, em casos mais graves, incapacidade funcional (2,3). No contexto da prática cirúrgica, as exigências ergonómicas, os movimentos repetitivos e de esforço, e as posturas incorretas e estáticas, colocam os cirurgiões numa posição vulnerável para o surgimento dessas condições (4). A presente revisão tem como finalidade avaliar a prevalência geral de distúrbios musculoesqueléticos (DME) nos cirurgiões, a prevalência por região anatómica e a prevalência por patologia diagnosticada, bem como as suas possíveis implicações. Metodologia: Foi conduzida uma revisão sistemática em conformidade com as diretrizes PRISMA. A pesquisa de artigos científicos foi executada em duas bases de dados, PubMed e B-On, utilizando os termos “Work-related Musculoskeletal Disorders”, “Surgeon”, “Prevalence”, “Impact”, “Questionnaire” e “Survey”. Determinou-se a inclusão de estudos transversais, publicados entre 2014 e 2024, em língua portuguesa e inglesa, e cujo objetivo principal incluísse o estudo da prevalência de DME em médicos de especialidade cirúrgica ou médico-cirúrgica. Complementarmente, estipulou-se a inclusão de estudos que avaliem o impacto que esses mesmos distúrbios podem condicionar. Para apreciação da qualidade metodológica dos estudos foi elegida a ferramenta Joanna Briggs Institute (JBI) Critical Appraisal Checklist for Analytical Cross-Sectional Studies (5). Resultados: A prevalência global de DME exibiu uma variação entre 47.4% e 97%, com destaque para as regiões cervical, lombar e membros superiores. Patologias como a epicondilite lateral e a síndrome do túnel cárpico foram reportadas, com prevalências a atingir 18.7% e 15.6%, respetivamente. No que concerne às consequências que advêm deste tipo de distúrbios, até 33.3% dos cirurgiões relataram situações de absenteísmo, e até 85% necessitaram de tratamento para as suas condições, inclusive intervenções cirúrgicas. Conclusão: Os resultados da presente revisão alertam para a elevada prevalência de DME nos cirurgiões e para as repercussões nocivas que os mesmos acarretam. Para que sejam destacadas estas repercussões e realçada a importância desta temática na saúde das populações, é essencial a condução de mais estudos epidemiológicos, de avaliação de risco e de análise do impacto a longo prazo (2,6,7). Percecionar os fatores envolvidos e o papel da prática cirúrgica no desenvolvimento destes distúrbios, é fundamental para que sejam elaboradas estratégias eficazes com vista à preservação da segurança e bem-estar dos cirurgiões, bem como da prestação exímia de cuidados.
