Browsing by Author "Rodrigues, Teresa Raquel Freitas Frias"
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- Valor preditivo de marcadores inflamatórios no diagnóstico de deiscência anastomótica, em cirurgia de resseção gástricaPublication . Rodrigues, Teresa Raquel Freitas Frias; Duarte, Liliana Catarina Almeida; Penela, João Luís Martins Pinheiro; Gama, Jorge Manuel dos ReisIntrodução: O carcinoma gástrico é a quinta neoplasia mais prevalente a nível global, destacandose, também, por ser uma das formas de cancro mais letais. Na Europa, as taxas de sobrevivência são inferiores às do Oriente, onde este tipo de tumor é detetado mais precocemente. Uma das complicações mais temidas na cirurgia de ressecção que se realiza em doentes com tumores gástricos não metastizados é a DA (deiscência anastomótica). A DA é definida como não cicatrização de parte ou toda a circunferência da anastomose esofagojejunal, gastrojejunal e jejunojejunal (como uma anastomose da reconstrução em Y-de-Roux). Pode associar-se a abcessos, mediastinite e consequente sépsis com eventual necessidade de reintervenção. Esta complicação cirúrgica contribui substancialmente para o insucesso terapêutico, pelo que surge a necessidade de a detetar numa fase assintomática, de modo a poder realizar-se um tratamento atempado, e, assim, reduzir a morbimortalidade associada. Objetivos: Investigar o papel da PCR e do RNL na exclusão de DA, secundária à gastrectomia. Pretende-se, portanto, elucidar a importância de marcadores inflamatórios na gestão pós-operatória do cancro gástrico, avaliando se existe uma associação estatisticamente significativa entre os valores da PCR e do RNL que nos permita detetar precocemente a DA. Metodologia: Este estudo implicou a colheita de dados demográficos e clínicos relativos a uma população de 152 doentes (submetidos a gastrectomia radical com linfadenectomia D2 entre 1 de janeiro de 2018 e 31 de março de 2024, depois de aplicados os critérios de inclusão e exclusão. Para a recolha dos dados, acedeu-se à plataforma SClínico Hospitalar da ULS VDL. Os dados foram analisados com o programa estatístico IBM Statistical Package for the Social Sciences, versão 29.0.1. Para além dos dados para caracterização da amostra, colheram-se dados analíticos, incluindo os valores de os valores de PCR e o RNL diariamente, no pré-operatório e durante os cinco primeiros dias de internamento após a cirurgia a que foram submetidos. Contabilizou-se ainda se os doentes tiveram, ou não, complicações decorrentes da cirurgia e quais foram os doentes em quem se verificou DA. Resultados: Os resultados sugerem que é no quarto dia após a cirurgia que existe uma associação estatisticamente significativa entre os valores de RNL e PCR, que nos permitem detetar precocemente a DA. Ao quarto dia, a PCR apresenta um VPN de 100%, correspondendo-lhe um valor de corte de 12.935. Ao quinto dia a PCR apresenta o segundo VPN mais alto, com um valor de corte de 13.380. O RNL apresenta o maior VPN ao terceiro dia após a cirurgia (97.9%), ao qual corresponde um valor de corte de 5.883. Ao quarto dia de pós-operatório o RNL apresentou o segundo VPN mais elevado (97.5%), ao qual corresponde um ponto de corte de 7.600. Estes resultados sugerem que o aumento da PCR e RNL no quarto dia após a cirurgia têm valor preditivo de DA. Conclusões: A PCR e o RNL ao quarto dia podem ser usados, com segurança, para excluir DA. A monitorização contínua destes biomarcadores, após gastrectomia, pode facilitar a deteção precoce de complicações, permitindo intervenções rápidas e, com isso, melhorar o prognóstico dos doentes. A integração desses indicadores em protocolos de avaliação no pós-operatório de forma sistemática poderá reduzir a morbimortalidade associada à referida cirurgia, melhorando significativamente a progressão clínica do doente no pós-operatório.
