Percorrer por autor "Rosa, Catarina Isabel Dias"
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- Episiotomia: da perceção da necessidade às consequênciasPublication . Rosa, Catarina Isabel Dias; Oliveira, José António Martinez Souto de; Panaro, Mariana Pais de RamosIntrodução: A episiotomia e uma incisão cirúrgica no períneo que promove o alargamento do orifício vaginal, durante a segunda fase do parto. O procedimento foi introduzido no seculo XVIII com o intuito de prevenir lacerações perineais. No seculo XX, começaram a surgir duvidas sobre a sua eficácia assim como evidencia dos riscos a ela associados, tais como dor, edema, infeção, hematoma e dispareunia. Atualmente, não existe consenso no que diz respeito aos fatores que deverão influenciar a tomada de decisão de efetuar ou não episiotomia. Métodos: Numa primeira fase foi realizado um estudo retrospetivo no qual foram incluídas todas as mulheres submetidas a parto vaginal no CHCB entre 1 de outubro de 2011 e 30 de setembro de 2012, com o objetivo de aferir os motivos que influenciaram os médicos e enfermeiros do Servi o de Obstetrícia e Ginecologia do CHCB a efetuar episiotomia, assim como correlacionar a sua realiza ao com as complica 6es na saúde da mulher a curto e longo prazo. Concluído o estudo retrospetivo, os resultados foram apresentados, iniciando-se assim o estudo prospetivo, tendo como objetivo averiguar se teria havido mudança de procedimento no que diz respeito a pratica da episiotomia, analisando a evolução da sua taxa de uso. Resultados: No estudo retrospetivo, a amostra final foi de 283 puérperas. A episiotomia foi efetuada em 68,2% das puérperas. No que diz respeito a perceção da necessidade da episiotomia, obtiveram-se resultados estatisticamente significativos que correlacionam a realização da episiotomia com a idade materna inferior a 34 anos (p=0,002), primiparidade (p<0,001) e parto dist6cico por via vaginal (p<0,001). No que diz respeito a complica 6es a curto-prazo, obtiveram-se resultados estatisticamente significativos que correlacionam a realização da episiotomia com aumento do risco de hematomas e equimoses (p<0,001) e com a diminuição do risco de laceração espontânea (p<0,001). No entanto, se considerarmos a episiotomia como uma laceração de 2° grau, obtemos relação estatisticamente significativa entre episiotomia e aumento do risco de laceração associada (p<0,001), não se justificando por isso a realização de episiotomia preventiva, mas apenas previa. Não foram demonstradas correlações estatisticamente significativas entre episiotomia e complica 6es a longo prazo. Quanto aos fatores de risco de laceração, obtiveram-se resultados estatisticamente significativos para idade materna superior a 34 anos (p=0,002), paridade superior a um filho (p<0,001) e realiza ao de episiotomia (p<0,001). Conclusão: No CHCB a episiotomia e efetuada, sobretudo, em mulheres com idade inferior a 34 anos, primíparas e com parto distócico por via vaginal. A episiotomia não demonstrou ser protetora da laceração, dado esta ser considerada uma lacera ao de 2° grau. Não foram encontradas diferenças significativamente estatísticas entre realização de episiotomia e o risco de complicações a longo prazo para a saúde da mulher. A intervenção realizada entre ambas as fases do estudo não alterou a pratica no Serviço.
