Browsing by Author "Silva, Fernando José Portela da Costa e"
Now showing 1 - 1 of 1
Results Per Page
Sort Options
- Angiopatia amilóide cerebralPublication . Silva, Fernando José Portela da Costa e; Alvarez Pérez, Francisco JoséA angiopatia amilóide cerebral, uma doença com um forte componente genético, e com uma relação íntima com o envelhecimento, carateriza-se pela deposição de matéria amilóide, nomeadamente péptido Aß, na média e íntima da vasculatura cerebral, fragilizando-a e predispondo a eventos hemorrágicos intracranianos. Estes depósitos acumulam-se maioritariamente na microvasculatura arterial cortical posterior, apesar de também poderem ser encontrados em vasos de maior calibre de outra localização topográfica, assim como em veias e vénulas cerebrais. Tratando-se da causa mais comum de hemorragia intracraniana lobar não-hipertensiva na população idosa, a angiopatia amilóide cerebral tem nesta a sua manifestação clínica mais comum. Eventos isquémicos, apesar de serem por norma assintomáticos, também estão presentes no leque de possíveis apresentações clínicas da angiopatia amilóide cerebral. Uma vez que a sua evolução é caracteristicamente lenta e silenciosa, seria de esperar que os meios complementares de diagnóstico, quer imagiológicos, quer bioquímicos, oferecessem um vasto espetro de opções acessíveis, rápidas e eficazes na deteção dos depósitos amilóides, e suas consequências nefastas na vasculatura cerebral. Todavia, na atualidade, os exames disponíveis para despiste de angiopatia amilóide cerebral ainda se encontram numa fase precoce do seu desenvolvimento, e o diagnóstico definitivo de angiopatia amilóide cerebral apenas pode ser efetuado post-mortem. A PET-PIB (Tomografia de Emissão de Positrões com Pittsburgh Compound) e a ressonância magnética adjuvada com mapeamentos como o GRE (Gradient-Recall Echo) e o SWI (Susceptibility-Weighted Imaging) perfilam-se na primeira linha de exames complementares de diagnóstico direcionados à angiopatia amilóide cerebral, apesar de ainda não oferecerem um resultado objetivo e eficaz no seu diagnóstico. A análise do líquido cerebroespinal, através dos níveis de péptido Aß-40, Aß-42 e proteína tau também se destaca como adjuvante na orientação para o diagnóstico desta doença, porém a sua especificidade não atinge os níveis desejados. As medidas terapêuticas direcionadas à prevenção e tratamento da angiopatia amilóide cerebral também são, atualmente, escassas e pouco eficazes, sendo que o desenvolvimento de uma possível vacinação, adjuvada com terapêutica farmacológica específica, está a ser desenvolvida com boas perspetivas. A utilização de terapêutica anticoagulante e/ou antiplaquetária deve ser levada em conta em casos em que se suspeita de angiopatia amilóide cerebral, uma vez que pode predispor aos eventos hemorrágicos caraterísticos desta patologia. Para a realização deste trabalho, a pesquisa bibliográfica foi realizada através das bases de dados PubMed, PMC/HIH/NLM, e-medicine, uptodate, e no motor de busca Google Académico. Esta pesquisa foi efetuada fundamentalmente em português e inglês. Após uma investigação extensa e detalhada foi possível concluir que ainda há um longo caminho a percorrer no desenvolvimento de meios complementares de diagnóstico rápidos, acessíveis e eficazes para uma detecção precoce e consequente controlo das possíveis consequências clínicas da angiopatia amilóide cerebral. Além disso, a inclusão desta patologia no diagnóstico diferencial e raciocínio clínico da comunidade médica deve ser levada em conta, não fosse a angiopatia amilóide cerebral uma causa major de hemorragia intracraniana na população idosa.
