Percorrer por autor "Vieira, Tatiana dos Santos"
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- A cápsula endoscópica no diagnóstico da hemorragia digestiva obscuraPublication . Vieira, Tatiana dos Santos; Banhudo, António José Duarte; Leitão, Cátia Susana Fileno NarcisoIntrodução: A Hemorragia Digestiva Obscura (HDO) é uma hemorragia persistente ou recorrente do trato gastrointestinal, de etiologia desconhecida após endoscopias digestivas alta e baixa negativas. Pode ser classificada em oculta (HDOO) ou manifesta (HDOM). A HDO representa 5% das hemorragias digestivas e sendo o intestino delgado a localização mais comum, o seu diagnóstico constitui um desafio. A Cápsula Endoscópica (CE) é um exame de primeira linha na sua investigação, capaz de avaliar toda a superfície do intestino delgado sendo seguro e não invasivo. Objetivos: Caracterizar uma série hospitalar de pacientes que realizaram CE por HDO, no sentido de determinar a importância do exame na abordagem destes pacientes; avaliar diferenças nos doentes com HDOM e HDOO e fatores preditivos de resultados positivos na CE. Métodos: Estudo retrospetivo que incluiu doentes que realizaram CE por Hemorragia Digestiva Obscura oculta ou manifesta no Serviço de Gastrenterologia do Hospital Amato Lusitano (HAL) – Unidade Local Saúde (ULS) de Castelo Branco, no período compreendido entre 2004 e 2014. Estudo estatístico realizado com SPSS® 21.0. Resultados: Analisaram-se 70 pacientes com diagnóstico de HDO, com idade média de 70 anos, dos quais 40 (57%) apresentavam HDOO e 30 (43%) apresentavam HDOM. O exame decorreu sem complicações em 65 pacientes (92,9%). Os doentes com HDOM eram significativamente mais idosos que os pacientes com HDOO (75,87a Vs. 65,7; Þ = 0,012).A média das concentrações de hemoglobina antes da realização da CE foi superior nos pacientes com HDOO (8,3 Vs. 7,9; Þ = 0,405). A necessidade de transfusão sanguínea foi superior nos doentes com HDOM (80 % Vs. 67,5%; Þ = 0,287). A média de internamentos na HDOM foi superior e estatisticamente significativa (1,63 Vs. 0,68; Þ= 0,017). O grupo da HDOO encontrava-se não apenas mais anticoagulado que o grupo da hemorragia manifesta (7,5% Vs. 3,3%) como também fazia mais anti-inflamatórios (15% Vs. 10% Þ=0,110). O número de CE com achados positivos foi superior no grupo da HDOM (60 Vs. 37,5%; Þ= 0,062). Nos dois grupos, o principal achado da CE foram as angiodisplasias (HDOM 40 % Vs. HDOO 22,5 %; Þ = 0,062). Os resultados da CE mostraram que a idade média dos pacientes com resultado positivo foi significativamente superior (positivo 73,48 Vs. negativo 67, Þ = 0,04); a maioria dos pacientes com resultado positivo apresentou-se com HDOM (54,5%); a média de hemoglobina foi mais baixa nos pacientes com resultado positivo e também houve maior necessidade transfusional nestes pacientes; os pacientes com achados positivos faziam mais antiagregação (positivo 33,3 Vs. negativo 13,5; Þ = 0,098). Verificou-se que o número de resultados positivos aumenta com a idade. Para os pacientes com mais de 60 anos o principal diagnóstico foram as angiodisplasias. O tempo de evolução da HDO não influenciou a deteção de achados positivos. Conclusão: Este estudo veio confirmar a importância da CE na abordagem de pacientes com HDO, demonstrando que a CE é uma ferramenta válida, útil e segura. Não foi possível aferir se a mesma se revela mais útil no grupo da hemorragia manifesta ou oculta. Os doentes com HDOM apresentaram uma idade mais avançada e maior número de internamentos. Foi possível verificar ainda que a idade mais avançada é um fator associado com mais achados positivos na CE, pelo que estes doentes poderão ser os que mais podem beneficiar deste exame.
