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- Testosterona: possível efeito protetor contra eventos cardiovasculares nos homensPublication . Monteiro, Manuel António; Lemos, Manuel Carlos LoureiroDurante muitos anos, a maior incidência e mortalidade das doenças cardiovasculares (CV) no sexo masculino em relação ao feminino foi sempre associada a uma maior concentração da hormona testosterona nos homens. O pensamento dominante era de que a testosterona teria efeitos sistémicos negativos, que aumentavam o risco CV, pelo que a sua maior concentração nos homens seria um dos principais fatores que explicavam o maior impacto das doenças CV no sexo masculino. No entanto, um número cada vez maior de evidências sugere que níveis plasmáticos baixos de testosterona, em vez de elevados, estarão relacionados com um maior risco CV nos homens. Alguns estudos apontam para uma associação entre níveis baixos de testosterona e a Síndrome Metabólica (SMet), enquanto outros estabeleceram uma relação inversa entre o nível de testosterona nos homens e a frequência e gravidade de síndromes coronários agudos e acidente vascular cerebral (AVC). O objetivo deste estudo consistiu em fazer uma extensa revisão da bibliografia disponível sobre a relação entre baixos níveis plasmáticos de testosterona em homens e o aumento do risco CV, para determinar se existe fundamento na hipótese da hormona ser um fator de proteção do sistema CV. Para este estudo, foram utilizadas pesquisas na internet e nas bases de dados da PUBMED. Inicialmente foram selecionados 68 artigos usando o termo de pesquisa “Testosterone” e cada um dos seguintes: “Cardiovascular”, “Coronary Artery Disease”; “Stroke” e “Metabolic”. Dos 68 artigos, 63 foram selecionados para análise. Os restantes artigos foram excluídos por não conterem informação relevante para o presente estudo. A grande maioria dos estudos sugere um efeito protetor da hormona na saúde CV dos homens. Alguns estudos demonstraram uma associação epidemiológica entre níveis plasmáticos baixos de testosterona e maior risco de doenças CV, nomeadamente síndromes coronários agudos e AVC. Os mecanismos propostos para o efeito protetor da hormona no sistema CV consistem principalmente na promoção da vasodilatação, prevenção da aterosclerose e no atraso do desenvolvimento de SMet. A informação disponível atualmente sugere um efeito protetor da hormona contra eventos CV nos homens. No entanto, mais estudos são necessários para determinar se baixos níveis de testosterona constituem um fator de risco CV independente, ou se aumentam o risco CV de uma forma indireta. Por outro lado, são também necessários estudos para determinar o papel que a Terapia de Reposição de Testosterona (TRT) poderá ter na prevenção de eventos CV nos homens com hipogonadismo. Por fim, a confirmação de que a testosterona tem um efeito protetor no sistema CV dos homens não implica que a falta da hormona seja o único fator responsável pelo maior impacto das doenças CV no sexo masculino. O mais provável é que a maior incidência e mortalidade dos eventos CV nos homens se deva a uma conjugação de fatores biológicos, comportamentais e psicossociais.
- Marcadores de progressão de Défice Cognitivo Ligeiro a Doença de AlzheimerPublication . Paiva, Sofia Isabel Carvalho de; Alvarez Pérez, Francisco JoséDéfice Cognitivo Ligeiro é uma condição médica que se define pela perda de capacidades cognitivas, numa proporção maior à que é esperada para a idade da pessoa. Com o aumento da esperança média de vida, as demências estão a tornar-se gradualmente uma das patologias mais prevalentes, sendo a Doença de Alzheimer a sua causa mais comum no idoso, podendo, contudo, ocorrer em qualquer idade adulta. A Doença de Alzheimer é uma patologia crónica e neurodegenerativa, caracterizada por perda de memória e défice das capacidades cognitivas, que evolui para estados cada vez mais graves. A maioria dos pacientes com Doença de Alzheimer passa por um estado de transição intermédio entre o envelhecimento cognitivo típico e o estado de demência instalado. Esta fase é atribuída ao Défice Cognitivo Ligeiro, em que os sintomas iniciais de perda de memória episódica e de outras capacidades cognitivas passam geralmente despercebidos pelo doente, familiares e pessoas próximas, não interferindo gravemente na realização das atividades de vida diárias, para que se justifique um diagnóstico de demência. Sendo assim, depreende-se que pacientes diagnosticados com Défice Cognitivo Ligeiro são mais propensos a progredir para doença de Alzheimer; não obstante, não se verificará essa evolução em todos os casos. Este trabalho tem como objetivo pesquisar e reunir marcadores que indiquem a progressão de casos de Défice Cognitivo para a Doença de Alzheimer, permitindo melhorar o seu diagnóstico precoce e dessa forma o prognóstico. Para isso, será realizada uma pesquisa na literatura médica sobre os marcadores do Défice Cognitivo Ligeiro e da Doença de Alzheimer no campo da clinica, fisiopatologia e das alterações identificadas por meios complementares de diagnóstico bioquímicos e imagiológicos. Conclui-se que os marcadores mais importantes e com utilidade na prática clinica que refletem o objetivo em estudo são: níveis diminuídos de péptido ß-amiloide no liquido cefalo-raquidiano e no sangue, níveis aumentados de proteína Tau no liquido cefalo-raquidiano e atrofia de algumas áreas cerebrais vistas na Ressonância Magnética.
- Relação entre a hipoperfusão cerebral crónica global e os défices cognitivosPublication . Castro, Pedro Jorge Sousa; Alvarez Pérez, Francisco JoséA hipoperfusão cerebral crónica é uma condição que tem vindo a ganhar cada vez mais interesse da comunidade médica internacional devido ao reconhecimento cada vez maior de que é uma patologia capaz de causar défices cognitivos ligeiros vasculares, que podem por fim evoluir para demência vascular. Normalmente a unidade neurovascular impede que a perfusão cerebral seja reduzida abaixo de valores críticos, no entanto há um conjunto de factores de risco que em conjunto podem ultrapassar os mecanismos de defesa e reduzir o fluxo sanguíneo cerebral para valores insuficientes ao normal funcionamento cerebral. O mais importante factor que provoca a redução do fluxo sanguíneo cerebral é o envelhecimento, o que faz prever que com uma população envelhecida aumente a sua incidência e prevalência. A hipoperfusão cerebral crónica global parece provocar défices cognitivos dos vários domínios cognitivos, apresentando uma preferência pelas funções cognitivas executivas. A hipoperfusão de um hemisfério é capaz de provocar défices cognitivos pelos quais esse hemisfério é responsável. As perdas cognitivas parecem ser reversíveis quando a hipoperfusão cerebral é revertida. As alterações que a hipoperfusão cerebral crónica provoca no cérebro ainda não são completamente compreendidas, sendo no entanto possível perceber que elas passam pela alteração da barreira hematoencefálica, dano neuronal, reacção astrocitária, activação microglial, stress oxidativo e lesões da matéria branca. Serão essas alterações que vão provocar os défices cognitivos observados nos pacientes com hipoperfusão cerebral crónica. Para o diagnóstico desta patologia é importante a história clínica para avaliar se a pessoa tem os factores de risco capazes de provocar hipoperfusão cerebral crónica, sendo possível complementar essa informação com a avaliação da condição hemodinâmica cerebral, existindo vários métodos de imagem com esse fim, tendo cada um vantagens e desvantagens. Actualmente não existe um tratamento aprovado para o tratamento da hipoperfusão cerebral crónica, sendo por isso importante apostar nos métodos preventivos, incidindo nos factores de risco reversíveis capazes de a provocar. Por fim, combinando estes conhecimentos existentes sobre a hipoperfusão cerebral crónica, eu tentei elaborar um conjunto de orientações que podem ser utilizados pelos profissionais de saúde com o objectivo de reduzir o impacto desta patologia na sociedade. Apesar das informações que ainda faltam esclarecer nesta área, já é possível perceber que este é um tema relevante na medicina actual, com perspectivas de aumentar ainda mais a sua importância no futuro, sendo indispensável já no presente desenvolver estratégias para o seu controlo.
- Auto-anticorpos antitiroideus e risco de aborto espontâneo recorrentePublication . Cunha, Ângela Maria Dias; Lemos, Manuel Carlos LoureiroIntrodução: O aborto espontâneo recorrente, que afecta 1-5% de todas as gestações, é uma situação multifactorial e heterogénea sendo possível identificar a sua causa em apenas 25-50% dos casos. Dada a envergadura tanto a nível pessoal como social desta patologia, várias investigações têm sido realizadas para se encontrarem novas etiologias. A glândula tiróide intervém em diversos mecanismos fisiopatológicos do ser humano. A presença de auto-anticorpos antitiroideus é prevalente em mulheres eutiroideias em idade fértil e tem sido associada a complicações na gestação, nomeadamente ao risco aumentado de aborto espontâneo. A importância do esclarecimento desta associação reside na possibilidade de incluir no estudo de grávidas com história de aborto recorrente a pesquisa de auto-anticorpos antitiroideus e averiguar a necessidade da instituição de tratamento profiláctico nas grávidas cuja pesquisa se revele positiva. Metodologias: Revisão sistemática de literatura científica relevante publicada até à data, incluindo estudos epidemiológicos relativos ao tema, artigos de investigação e meta-análises, com recurso à base de dados da PubMed e outras áreas de pesquisa. Resultados: Foram incluídos 32 estudos originais, envolvendo um total de 13 993 participantes e 2 meta-análises. Apesar dos resultados e parâmetros analisados não serem consistentemente os mesmos nos diversos estudos, a maioria dos estudos analisados estabelece uma associação estatisticamente significativa entre a presença de auto-anticorpos antitiroideus e o risco de aborto espontâneo. Discussão e Conclusões: Com base nos resultados obtidos, pode concluir-se que a presença de auto-anticorpos antitiroideus em mulheres eutiroideias aumenta o risco de ocorrência de aborto espontâneo. Contudo, a fisiopatologia ainda permanece por esclarecer e são necessárias pesquisas futuras, mais robustas e que minimizem os factores de enviesamento, para clarificar esta importante questão. Além disso, são necessários mais estudos para definir a importância do rastreio de mulheres com história de aborto recorrente e do tratamento com levotiroxina nas grávidas com pesquisa de auto-anticorpos antitiroideus positiva.
- Oftalmopatia de Graves e qualidade de vida após o tratamentoPublication . Faria, Mélanie Teixeira; Lemos, Manuel Carlos LoureiroIntrodução: A Oftalmopatia de Graves é uma manifestação auto-imune que ocorre em 90% dos pacientes com Doença de Graves, sendo mais frequente no sexo feminino. Caracteriza-se pela presença de edema palpebral, hiperemia conjuntival, prurido, lacrimejo excessivo, proptose, fotofobia, diplopia e dificuldade na motilidade ocular. Esta manifestação ocular é uma doença biopsicossocial que afecta drasticamente a qualidade de vida dos pacientes que sofrem desta patologia. O objectivo desta revisão bibliográfica foi analisar o efeito dos tratamentos desta doença sobre a qualidade de vida dos pacientes. Metodologia: Revisão da literatura científica seleccionando os estudos relevantes para o tema, em língua portuguesa, inglesa, francesa e espanhola identificados na PubMed, b-on e no EUGOGO. Resultados: Nove artigos foram analisados durante a elaboração desta monografia, com um total de 931 pacientes. Todos estes estudos demonstraram um efeito positivo do tratamento da Oftalmopatia de Graves sobre a qualidade de vida dos pacientes. Discussão/Conclusão: Apesar da escassa disponibilidade da literatura sobre o tema, os dados disponíveis sugerem que o tratamento da Oftalmopatia de Graves é eficaz e necessário para melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Os estudos também realçam a importância da educação e do aconselhamento psicológico no decorrer desta patologia.