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- Rastreio do Cancro do Cólon e do Reto Estado da artePublication . Soares, Neuza Alves; Sousa, Miguel Castelo Branco Craveiro deIntrodução: O cancro do cólon e do reto representa um problema de saúde pública grave, visto ser uma das neoplasias mais prevalentes a nível mundial. Como resultado do envelhecimento e expansão das populações, estima-se que o número absoluto de casos aumentará nas próximas décadas. De facto, o cancro do cólon e do reto é uma das neoplasias malignas mais suscetível de ser prevenida através da prevenção primária e do seu rastreio. Contudo, constata-se falta de consenso a nível internacional no que concerne ao método de rastreio universalmente aceite pela população e pelos profissionais de saúde. Objetivos: Esta revisão bibliográfica pretende descortinar a problemática do rastreio do cancro do cólon e do reto, assim como apresentar os aspetos a serem incluídos num programa de rastreio do mesmo. Materiais e métodos: Foram pesquisados vários artigos científicos dos últimos cinco anos em motores de busca médicos utilizando os termos ““screening colorectal cancer and colonoscopy and sigmoidoscopy and fecal occult blood test”, e outros dados no Jornal Português de Gastroenterologia, nas Guidelines Europeias, na World Gastroenterology Organisation, no Programa Regional de Rastreio do CCR e no Programa Nacional para as Doenças Oncológicas, durante o intervalo temporal de Julho de 2013 e Fevereiro de 2014. Desenvolvimento: O cancro do cólon e do reto cumpre todos os critérios indispensáveis que definem um programa de rastreio como eficaz, no entanto, estudos mostram que a adesão da população é ainda precária. Existem diversos métodos de rastreio disponíveis. Atualmente, os mais estudados e validados são a pesquisa de sangue oculto nas fezes, a sigmoidoscopia flexível e a colonoscopia total, não existindo consenso na comunidade médica na sua escolha. Para além disso, têm vindo a ser estudados novos métodos, que ainda não se encontram validados, tais como os testes imunoquímicos, o teste de ácido desoxirribonucleico fecal, a colonografia tomográfica computorizada e o enema baritado com duplo contraste. Perante o panorama mundial de hoje, foram desenvolvidas diversas guidelines que paulatinamente têm sido implementadas. Conclusão: São prementes novas estratégias que permitam diagnosticar os estádios mais precoces do CCR e que melhorem as taxas de incidência e mortalidade deste tumor. É de salientar a relevância da prevenção de uma doença tão frequente, com taxas de mortalidade tão significativas e com níveis de tratamento que exigem custos tão elevados.
- Estudo comparativo com OCT, de edema macular após facoemulsificação com implante de lente intraocular, entre doentes diabéticos e não diabéticosPublication . Pereira, Flávia Melissa; Pereira, Manuel MonteiroA catarata consiste na opacificação parcial ou total do cristalino e geralmente evolui de forma progressiva, com diminuição da acuidade visual, mesmo com correção ótica. Existem vários tipos de cataratas, podendo ser congénitas (mais raras) ou adquiridas. Estas últimas podem ser decorrentes do envelhecimento (catarata senil – a mais frequente), mas também podem resultar de traumatismos ou de doenças/situações com perturbação do equilíbrio metabólico do cristalino, como a diabetes mellitus, surgindo nesses casos, mais precocemente. A catarata continua a ser uma das principais causas de cegueira curável. No entanto, não existe tratamento clínico, sendo este sempre cirúrgico. A realização da cirurgia depende do impacto que a opacificação do cristalino tem no dia-a-dia e na qualidade de vida de cada doente. Atualmente, a técnica cirúrgica mais utilizada para o tratamento da catarata consiste na remoção do cristalino por microfragmentação e aspiração, um processo chamado de facoemulsificação com implante de lente intraocular (LIO). Este procedimento tem a vantagem de exigir incisões mais pequenas, sem necessidade de suturas. No entanto, como com qualquer outra intervenção cirúrgica, pode haver algumas complicações pós-cirúrgicas, sendo o edema macular (EM) uma das mais frequentes. O objetivo deste estudo foi comparar a incidência de patologia macular entre doentes diabéticos e não diabéticos portadores de catarata, submetidos à técnica cirúrgica de facoemulsificação com implante de LIO, através da tomografia de coerência ótica (OCT, optical coherence tomography). Para tal, foi estudada uma amostra de 22 indivíduos (44 olhos), divididos em dois grupos (diabéticos e não diabéticos), cada um constituído por 11 doentes, acompanhados na Clínica Oftalmológica das Antas - Porto. Através do OCT, observaram-se as máculas antes da cirurgia e dois meses após a mesma, no sentido de se encontrar patologia macular e verificar se a incidência desta era maior no grupo de doentes diabéticos. Além dos exames de OCT de cada um dos doentes, foi consultado o processo clínico para recolha dos dados médicos e demográficos da amostra. Os resultados obtidos permitem concluir que os objetivos deste estudo foram atingidos de forma satisfatória, apesar de não ser conclusiva a hipótese geral da investigação: “normalmente, os doentes diabéticos apresentam mais vezes edema macular pós-cirúrgico do que os não diabéticos.” Concluímos que no nosso estudo, de um modo geral, o valor médio da espessura central da retina entre o grupo dos doentes não diabéticos e o dos diabéticos não apresentou diferenças estatisticamente significativas, embora a espessura média no grupo dos não diabéticos seja ligeiramente superior. Um outro ponto de interesse do estudo foi a análise das diferenças da espessura da mácula em doentes < 65 anos e = 65 anos, antes e depois da cirurgia. Relativamente à interação entre idade dos participantes e cirurgia, foram encontrados resultados estatisticamente significativos nas áreas 3 e 5, no OD. Assim, os doentes com idade inferior a 65 anos obtiveram uma variação média positiva mais acentuada de espessura da mácula, em A3 e A5, que os doentes com 65 ou mais anos. O que significa que, ao introduzir o elemento cirurgia (antes/depois) e ao colocá-lo no modelo, concluiu-se que o aumento da espessura macular foi superior nos doentes com menos de 65 anos e que o mesmo é dependente da interação entre faixa etária e cirurgia.
- Caracterização das lesões auto-infligidas não letais no âmbito das perícias médico-legaisPublication . Ribeiro, Mariline Ranginha; Vieira, Duarte NunoAs lesões auto-infligidas não letais incluem todos os comportamentos nos quais um indivíduo, directa e deliberadamente, causa dano a si próprio, sem a intenção de cometer suicídio. Estas lesões parecem surgir em cerca de quatro por cento da população adulta, sendo que, as que pretendem simular crimes, são mais frequentes em jovens entre a segunda e a terceira década de vida, solteiros e desempregados. Para se realizar o diagnóstico destas lesões é fundamental realizar uma entrevista clínica estruturada e pormenorizada e um exame físico sistemático, procedendo ao registo de todas as informações recolhidas directa ou indirectamente, bem como à descrição das lesões e ao seu registo fotográfico sempre que possível. Existem vários mecanismos pelos quais se podem cometer “auto-lesões”, sendo o mais frequente a incisão de cortes superficiais e suaves na pele, sendo para isso utilizados materiais cortantes, como sejam, facas, agulhas, giletes ou as próprias unhas. Outros mecanismos são contusões, queimaduras (por ponta de cigarro, por exemplo), cortes profundos, fracturas ou amputações. Habitualmente, os cortes são superficiais, lineares, uniformes, agrupados e paralelos, acompanhando a curvatura da superfície corporal e mantendo a mesma profundidade em todo o seu comprimento, podendo, obviamente, adquirir outros padrões menos comuns. Todos os tipos de lesões tendem a apresentar-se de forma simétrica ou com predominância do lado não-dominante, em zonas controláveis com a visão do próprio e alcançáveis pelas próprias mãos, poupando áreas corporais mais sensíveis. Tipicamente as roupas não são afectadas ou, se são, os danos nas roupas não são consistentes com o dano corporal. A ausência de lesões de defesa também ajuda a confirmar o diagnóstico de lesões auto-infligidas, assim como o padrão linear e pouco destrutivo das lesões, na maioria dos casos, incongruente com a descrição dramática da agressão contada pela “vítima”. Os objectivos para a realização destes actos podem ser divididos em três grandes grupos: simulação de ofensas criminais para acusação de alguém, fraudes a companhias de seguro com perspectivas de lucro económico, e simulações entre soldados e prisioneiros para obtenção de algum tipo de benefício pessoal. Muitas vezes, as lesões são realizadas para dar mais credibilidade à simulação de assalto ou rapto, podendo ser ou não de carácter sexual. Com alguma frequência, está por trás uma história de separação dramática, a dissimulação de traições amorosas, a vingança de alguém especificamente, a obtenção de compaixão por terceiros, entre muitos outros motivos. No que toca a fraudes a seguradoras, geralmente o objectivo é simular um acidente do qual resultou a amputação de uma parte distal do corpo, como um ou vários dedos da mão não-dominante, sendo típica a existência de uma ou várias apólices contratadas recentemente que tornam aquele acidente bastante vantajoso para a suposta vítima. Nos prisioneiros e soldados, estes comportamentos têm como fim obter vantagens dentro das instituições onde estes se encontram, resultando numa situação mais confortável para o indivíduo em questão. Para melhor compreender estes comportamentos auto-agressivos, apresentam-se dois casos a título de exemplo: o primeiro, relativo a senhora que simulou agressão sexual por parte de um colega de trabalho com lesões cortantes superficiais; e, o segundo, envolvendo empregado de farmácia que simulou acidente com machado, implicando corte de quatro dedos da mão esquerda, para receber prémios de seguros.
