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- Fatores relevantes na implementação, utilização continuada e abandono do Balanced ScorecardPublication . Saraiva, Helena Isabel Barroso; Alves, Maria do Céu Ferreira Gaspar; Gabriel, Vítor Manuel de SousaO Balanced Scorecard (BSC), apresentado por Kaplan e Norton (1992), nos primeiros anos da década de 90 do século XX, rapidamente se tornou uma solução, no âmbito da avaliação de desempenho das organizações, globalmente conhecida e aplicada. Apesar de existirem evidências da utilização prática do BSC o mundo académico, embora tenha abordado recorrentemente o tema, tem dedicado escassa atenção às questões relacionadas com a sua efetiva utilização. Assim o presente trabalho foi desenvolvido na perspetiva de preencher esta lacuna existente na literatura académica, no sentido de se obter uma noção ampla da utilização da ferramenta em Portugal, designadamente a relacionada com a ausência de estudos acerca da implementação, utilização e abandono do BSC, nas suas diversas fases de desenvolvimento e profundidade, no seio de diferentes tipos de entidades e de acordo com múltiplas finalidades prosseguidas por estas na sua aplicação. No âmbito desta tese, são considerados diversos tópicos de investigação, alguns dos quais anteriormente inexplorados, relativamente à evolução do BSC e à sua utilização, assim como aos impactos que esta ferramenta pode assumir, quer nas entidades em que é utilizada (o que é desenvolvido nos diferentes estudos de caso analisados no corpo da mesma), quer na possibilidade de integrar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) no seio da gestão estratégica das organizações de um setor específico e de extrema relevância como é o da gestão das águas. O posicionamento metodológico foi implementado com base numa perspetiva qualitativa, através da análise exploratória da temática proposta, que se relaciona com a forma como o BSC é usado pelas entidades que o implementam. Nas análises efetuadas foi utilizado um enquadramento teórico ancorado na Teoria Institucional e na Teoria Ator-Rede, tendo sido apresentadas contribuições de caráter empírico e outras de caráter teórico e metodológico. As contribuições empíricas consubstanciam-se na identificação das fases em que o BSC foi assumindo diferentes níveis de profundidade e abrangência (Capítulo 2). Identificaram-se numerosos casos de possibilidade de aplicação, ou de aplicabilidade, mas foram escassos os trabalhos que abordam a efetiva utilização do BSC (Capítulo 3): nos casos de utilização, analisaram-se as caraterísticas da estrutura dos BSC identificados, assim como uma sistematização das fases de utilização e dos papéis assumidos pelo BSC, considerando níveis de profundidade e abrangência, concluindo-se que na maior parte dos casos de utilização identificados o BSC desempenha papéis ancorados nas primeiras fases de desenvolvimento e que os trabalhos identificados sobre utilização se centram em estudos de caso único, sendo apenas dois deles longitudinais. Na análise dos casos longitudinais (Capítulos 4, 5 e 6) as contribuições prendem-se com o esclarecimento acerca das condições da aplicação do BSC nas entidades de diversos setores. No caso do Capítulo 4, com a Teoria AtorRede a permitir compreender como as inscrições e a tradução do conceito proporcionam simplificações e variações apelativas, nomeadamente quando a entidade que implementa o BSC como um Sistema de Controlo de Gestão tem preocupações diversas e que vão muito para além da obtenção de resultados financeiros. Noutro caso (Capítulo 5) a obtenção de conhecimento acerca de situações de insucesso ou temas problemáticos, a possibilidade de estudar a aplicação num grupo empresarial, e a escassez de estudos sobre temas políticos e sociais associados à implementação do BSC dão origem a contribuições que proporcionam evidência de que se o BSC não for convenientemente problematizado numa fase inicial, a adesão dos diversos grupos de atores não fica assegurada, ocorrendo assim um potencial de desagregação da ferramenta sempre ou logo que surjam impedimentos ou dificuldades, mesmo com a gestão de topo fortemente empenhada na sua utilização. Finalmente através de um caso de sucesso de utilização do BSC (Capítulo 6), numa entidade híbrida do setor das águas, surge como contribuição a relevância que os quadros médios podem assumir nesta temática, secundarizando o papel dos quadros superiores, contrariamente ao que tem sido apontado na literatura. Outra contribuição é a identificação da integração de indicadores sociais e ambientais no conceito mais tradicional do BSC poder constituir uma solução que permite considerar as preocupações ambientais na estratégia sem a necessidade de alterações consideráveis à noção tradicional do BSC, aportando evidências práticas sobre o papel que a contabilidade e o controlo de gestão podem assumir no relato e na abordagem das questões de sustentabilidade (Capítulos 6 e 7). Finalmente foram identificados diversos casos de utilização do BSC em diferentes entidades do setor (Capítulo 7), os quais não são conhecidos na literatura, o que parece indiciar que este setor de atividade poderá ser alvo de estudos mais aprofundados acerca da utilização do BSC. Aqui a proposta de um BSC foi formalizada através de um mapa estratégico e correspondentes indicadores, a aplicar no setor das empresas de águas, analisada e discutida por profissionais do setor. Este BSC tem como propósito clarificar como as empresas do setor podem contribuir para a acomodação do ODS 6, que se encontra em risco de não ser atingido. Os indicadores identificados constituem um micro contributo para aquilo que se assume como um macro objetivo - a prossecução do ODS 6. Por outro lado, as contribuições teóricas surgem com a identificação de múltiplas redes complementares para fundamentar a forma de difusão de uma inovação de gestão, o que constitui um contributo teórico relativamente a uma das teorias de enquadramento, a Teoria Ator-Rede (Capítulo 2); outro contributo teórico é apresentado no Capítulo 5, correspondendo à possibilidade os casos de implementação mais aderentes à TI, quando se trata da obtenção de legitimidade por um ator ou grupo de atores, serem mais propensos ao insucesso e, por outro lado, os casos que à luz da Teoria Ator-Rede tenham um processo eficaz de problematização, interesse e inscrição por um alargado grupo de atores ou por diversos grupos diferenciados, obterem maior possibilidade de prosseguir como casos de sucesso; fez-se ainda uma contribuição teórica e outra metodológica (Capítulo 7), a primeira ao identificar a possibilidade de ante-inscrição na tradução de um BSC ajustado ao setor e com a finalidade de consecução dos ODS; a segunda foi aportada através do envolvimento dos peritos do setor profissional na formulação da proposta, o que consiste numa contribuição metodológica que permite a ante-inscrição.
- Relações dinâmicas entre mercados de energias fósseis, empresas de energias renováveis e empresas de tecnologias: uma abordagem ARDLPublication . Louro, Rafael Pedro; Monteiro, João DionisioA produção de energia, essencial para a sociedade, tem origem, maioritariamente, nos combustíveis fosseis, que são a principal causa de emissões de gases de efeito de estufa. As graves consequências que estes gases provocam no planeta, como o aquecimento global, levaram à necessidade da redução da dependência de energia fóssil, através da busca por fontes de energia mais sustentáveis. Este cenário despertou o interesse nas energias renováveis e, consequentemente, nas tecnologias que as suportam, e fez com que o investimento e estudo das mesmas aumentasse nos últimos anos. Através da aplicação do modelo Autoregressive Distributed Lag (ARDL), que permite analisar as relações entre séries temporais a curto e longo prazo, e baseando os procedimentos de inferência sobre as relações no teste dos limites, esta dissertação tem como objetivo estudar as relações de cointegração entre os mercados de energias fósseis, de energias renováveis e de tecnologias, e taxa de juro, de modo a proporcionar aos agentes de mercado e às entidades públicas informação relevante para uma tomada de decisões mais conscientes, como a diversificação de investimentos para redução do risco ou a implementação de políticas, de modo a contribuir para a expansão e crescimento das fontes de energia renovável. Os resultados da aplicação do modelo ARDL sugerem a inexistência de relações de cointegração de longo prazo entre, por um lado, o preço das ações de empresas de energias renováveis e, por outro, o preço do petróleo, o preço das ações de empresas de tecnologias, a taxa de juro e o preço das ações de empresas de tecnologias ambientais. Estes resultados não suportam, por um lado, as teorias de um comportamento de substituição entre as energias renováveis e o petróleo, i.e., que o aumento (diminuição) do preço do petróleo induziria um aumento (diminuição) do preço das ações de energias renováveis e, por outro, dada a forte interdependência entre os dois mercados, que o aumento do preço das ações de empresas de tecnologias induziria um co-movimento positivo no preço das ações de empresas de energias renováveis. Estes resultados sugerem que o desenvolvimento do mercado de energias renováveis é impulsionado, em grande medida, por políticas públicas e pela criação de ambientes políticos favoráveis ao investimento por parte dos Governos, para promover a transição energética.
