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- Infeções não respiratórias em idade pediátrica: o que mudou com a pandemia COVID-19?Publication . Teixeira, Inês Fins; Jorge, Arminda Maria Miguel; Rodrigues, Marta CoutinhoIntrodução: Em março de 2020, um surto da Síndrome Respiratória Aguda Grave 2, causado pelo coronavírus, foi declarado como pandemia pela Organização Mundial de Saúde. Durante a pandemia COVID-19, foram implementadas medidas não farmacológicas a fim de reduzir a disseminação deste vírus. Neste período, assistiu-se a um decréscimo do número de admissões por causa infeciosa no serviço de urgência pediátrico, sendo as infeções respiratórias uma das patologias com maior taxa de variação. Apesar destas serem as infeções mais comuns em idade pediátrica, também infeções não respiratórias, (infeções gastrointestinais, infeções urinárias e afeções cutâneas), apresentam uma elevada frequência nesta faixa etária, sendo motivo frequente de recurso ao serviço de urgência. Nos últimos anos, diversos estudos têm sido realizados para avaliar o impacto da pandemia e das medidas não farmacológicas sobre as doenças do foro respiratório. No entanto, em relação às patologias infeciosas não respiratórias, os estudos são escassos e os resultados mostram-se muitas vezes divergentes e controversos. Objetivos: Este estudo teve como objetivo principal avaliar as alterações a nível da frequência, sazonalidade e grau de gravidade das infeções não respiratórias, tendo em conta que as infeções em idade pediátrica estão frequentemente associadas a contágio interpessoal. Foi ainda analisada a correlação destas variáveis com as medidas não farmacológicas implementadas para prevenção de contágio durante o período da pandemia. Métodos: Estudo observacional transversal, em crianças dos 0 aos 11 anos, que recorreram ao serviço de urgência pediátrico de um Hospital de nível 2, por motivos de infeção não respiratória. O período de estudo foi de 54 meses (fevereiro de 2019 a julho de 2023) e a amostra incidiu sobre os primeiros 5 dias de cada mês. Foram definidos 3 períodos temporais, tendo em consideração a evolução da pandemia: pré-COVID-19, COVID-19 e pós-COVID-19. Foram realizados estudos comparativos para avaliar a frequência, gravidade e sazonalidade das infeções nos diferentes períodos temporais. A análise estatística foi realizada com recurso ao Excel e ao software SPSS, versão 29. Definiu-se um nível de significância de 5%. Resultados: A amostra incluiu 989 episódios de urgência, 367 (37,1%) foram registados no subgrupo Pré-COVID-19, 263 (26,6%) em COVID-19 e 359 (36,3%) no PósCOVID-19. Quando comparado o número de admissões em cada período, verificou-se diminuição estatisticamente significativa da proporção de infeções não respiratórias entre Pré-COVID-19 e COVID-19, seguido de aumento entre COVID-19 e Pós-COVID-19. Das 989 crianças admitidas no serviço de urgência pediátrico neste período, 51,2% eram do sexo masculino e 48,8% do sexo feminino, com mediana de idade de 3 anos (amplitude interquartil [1,5] anos). Relativamente aos diagnósticos foram identificadas no estudo 30 patologias, distribuídas em 5 categorias: afeções cutâneas, infeções gastrointestinais, infeções do trato urinário, “outros diagnósticos” e co-infeção. Verificou-se que a gastroenterite aguda (GEA) foi a principal patologia diagnosticada (49,4%), seguida das afeções cutâneas (34,8%), das co-infeções (8,9%), infeções do trato urinário (3,7%) e “outros diagnósticos” (2,0%). Relativamente aos subtipos de infeção, observou-se uma redução estatisticamente significativa da proporção das admissões por afeções cutâneas e gastrointestinais na pandemia face ao período pré-pandémico. Ao analisar isoladamente cada patologia, observou-se diminuição da proporção de casos de GEA, varicela e escarlatina entre Pré-COVID-19 e COVID-19. Entre o período pandémico e pós-pandémico, observou-se um aumento da proporção das admissões por varicela, escarlatina e exantema por enterovírus. Porém, nos casos de varicela e na categoria “outras afeções cutâneas”, assistiu-se a uma diminuição da proporção do período pré-pandémico para o póspandémico. A varicela foi a única patologia que apresentou alterações estatisticamente significativas entre os 3 períodos. No período pandémico, 62,3% dos casos apresentavam contexto epidemiológico familiar positivo. Quanto à gravidade das infeções, não se verificaram variações significativas relativamente à necessidade de internamento, tempo de permanência hospitalar e complicações. No período pandémico e pós-pandémico, houve mudança no padrão de sazonalidade, com picos intersazonais distintos do padrão prépandémico. Conclusão: Com este estudo, conclui-se que as medidas não farmacológicas implementadas durante a pandemia COVID-19 para redução da propagação do vírus SARSCOV-2, parecem ter contribuído para a redução da transmissão de outros agentes etiológicos, o que resultou em alterações no que se refere à frequência, sazonalidade e contexto epidemiológico das infeções.
- Estratégias de promoção da saúde na velhice e papel dos netos e pessoas mais novas: um estudo realizado através da metodologia PhotovoicePublication . Pacheco, Diana Isabel Novais; Afonso, Rosa Marina Lopes Brás Martins; Patto, Maria da Assunção Morais e Cunha Vaz; Rodrigues, Sofia Brito de PassosO envelhecimento da população e aumento da longevidade coloca importantes desafios à sociedade e, também, à medicina, nomeadamente a qualidade de vida e saúde nesta faixa etária. A qualidade de vida e saúde na velhice depende de uma interação de fatores genéticos, sociais, psicológicos, contextuais e ambientais e, simultaneamente, do empenho e mobilização de cada um, enquanto agente da sua própria saúde. Para além disso, a literatura refere que os mais novos, em particular os netos podem assumir um importante papel na promoção da saúde física e mental dos mais velhos. Este estudo pretende explorar como é que adultos idosos consideram que podem contribuir para a sua saúde e compreender a sua perspetiva sobre como os mais novos, nomeadamente os netos podem contribuir para a saúde dos mais velhos. Através do recurso ao Photovoice, uma metodologia de investigação-ação participativa realizada na comunidade, este estudo explorou as experiências vividas por 16 estudantes da Academia Sénior da Covilhã, com idades entre 60 e 80 anos de idade, ao longo de 8 sessões, recorrendo a fotografias e palavras como principais ferramentas de expressão. A análise dos resultados revelou que, para os participantes, a saúde é alcançada através de um equilíbrio físico e emocional e que cada pessoa tem um papel ativo na promoção da sua saúde, destacando-se a importância da adoção de medidas preventivas. Os participantes destacam o impacto positivo da interação com crianças para a sua saúde, sublinhando o contacto presencial. Este estudo revela que, em termos metodológicos, o Photovoice é um método adequado para estimular a reflexão e a conversação das pessoas mais velhas. Os resultados sugerem que o facto de os participantes terem conhecimentos e uma perspetiva integrada de saúde promove atitudes ativas para a promoção da sua própria saúde e que a intergeracionalidade com netos e as gerações mais novas é uma estratégia que pode ser otimizada para a promoção da mesma. Os resultados encontram-se muito vinculados ao facto de se tratar de um grupo que frequenta a Academia Sénior, sendo importante desenvolver os mesmos com outros grupos de pessoas mais velhas, para a sua generalização.
