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- Análise Económica da Implantação e Substituição de Pacemakers na ULS Cova da Beira: Tendências e Fatores InfluenciadoresPublication . Rodrigues, António Filipe Pinto; Almeida, Anabela Antunes deO envelhecimento populacional e a elevada prevalência de doenças cardiovasculares têm conduzido a um aumento significativo da utilização de pacemakers, dispositivos médicos que, embora fundamentais para a melhoria da qualidade e da esperança de vida dos doentes, representam custos relevantes para o Serviço Nacional de Saúde. A literatura aponta para a necessidade de análises detalhadas que relacionem custos reais de implantação e substituição destes dispositivos com os valores de reembolso hospitalar, de forma a sustentar práticas de gestão mais eficientes. O presente estudo tem como objetivo analisar os custos associados à implantação e substituição de pacemakers na Unidade Local de Saúde da Cova da Beira, entre maio de 2016 e maio de 2024, identificando fatores clínicos, demográficos e organizacionais que determinam a variação dos custos hospitalares. Trata-se de um estudo quantitativo, observacional e retrospetivo, baseado na análise de 720 episódios clínicos, codificados nos Grupos de Diagnóstico Homogéneo (GDH) 171 e 176. Foram recolhidos dados administrativos e clínicos relativos a características demográficas, comorbilidades, natureza do procedimento, tipo de gerador, consumo de recursos, tempo de internamento, complicações e custos diretos (materiais, exames, internamento e medicação). Os custos reais foram comparados com os valores de reembolso atribuídos pelos GDH, tendo sido aplicados métodos estatísticos descritivos e inferenciais, incluindo regressão linear múltipla. Os resultados evidenciaram uma população maioritariamente idosa (média 80 anos) e masculina (53,5%), com elevada prevalência de hipertensão arterial (67,4%). Os implantes iniciais representaram 71,9% dos procedimentos, acarretando custos médios significativamente superiores aos das substituições (2 327,47 € vs. 268,13 €; p < 0,001), devido sobretudo ao maior tempo de internamento e maior consumo de materiais. O internamento teve custo médio de 929,19 €, enquanto o material utilizado (gerador e elétrodos) constituiu a principal componente do encargo (1 555,34 €). Verificou-se influência significativa do dia da semana: os procedimentos realizados à sexta-feira prolongaram em média o internamento em 1,3 dias, aumentando o custo em 328,38 €. A taxa global de complicações foi baixa (3,47%), limitada a reposicionamentos de elétrodos, mas associada a acréscimo médio de 4 685,08 € nos custos de internamento. A análise por GDH mostrou que 70,3% dos episódios foram sobrefinanciados, 21,1% subfinanciados e apenas 8,6% equilibrados. O modelo de regressão identificou o tipo e a marca do gerador, o número de dias de internamento, o sexo, a idade e a realização de ECG como determinantes principais do custo total (R² = 0,632). Conclui-se que a gestão hospitalar dos procedimentos com pacemaker deve privilegiar estratégias de aquisição eficiente de dispositivos, otimização do tempo de internamento e ajuste organizacional para reduzir o efeito fim de semana. Os resultados reforçam ainda a necessidade de revisão periódica dos valores de reembolso por GDH, de modo a assegurar maior equidade e sustentabilidade no financiamento hospitalar.
