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- Simone Weil: Vida e Contexto HistóricoPublication . Amaral, António; IEAC-GOSimone Adolphine Weil nasce em Paris a 3 de fevereiro de 1909, no apartamento dos pais Bernard Weil e Salomea "Selma” Weil. Beneficiando de um próspero ambiente familiar judaico, de matriz alsaciana e declaradamente agnóstica, Simone Weil, três anos mais nova, desenvolve laços de forte cumplicidade e admiração com o seu único irmão e futuro matemático de renome André Weil. Apontada pelo aclamado filósofo francês Albert Camus como «o único grande espírito do nosso tempo» [sic. in Lettre à Selma Weil , 1951], dedicará a sua vida ao ensino, ao estudo da cultura clássica em interdisciplinaridade com as humanidades, as artes e as ciências, assim como a uma ininterrupta e por vezes dispersiva produção textual nos domínios historiográfico, filosófico, sociológico, religioso e ascético-místico, recorrendo a registos estilísticos tão multifacetados como o auto-biográfico, o interventivo, o ensaístico, o epistolar, e o poético. No ápice de pouco mais de três décadas de vida, a um intermitente desempenho lectivo, somar-se-ão actividades de extenuante desgaste físico e psíquico como as de operária fabril e tarefeira agrícola, e outras mais como as que, em fervoroso activismo social, sindical e até político, a fizeram a lutar ao lado de anarquistas republicanos na Guerra Civil Espanhola e, tempos depois, a integrar o movimento de resistência anti-nazi em Londres. Volvidos três dias de internamento hospitalar motivado por tuberculose, a sua vida extingue-se aos 34 anos de idade no Sanatório Grosvenor, em Ashford, a 24 de agosto de 1943.
- Qualidades (adquiridas e adstritas)Publication . Amaral, António; IEAC-GOO termo qualidade significa, no seu imediato e intuitivo emprego linguístico, “aquilo pelo qual algo é do modo que é”. Atendendo à sua etimologia latina, a qualitas liga-se primariamente ao pronome qualis (“qual”) traduzível no seu recorte interrogativo por “de quê?”, i.e. “de que natureza?”, “de que espécie?”. Umbilicalmente vinculado a esse enraizamento etimológico, o termo qualidade sedimentou gradualmente o seu sentido nas ideias de propriedade, aquisição, poder, faculdade, carácter, nível, grau ou estatuto. A dimensão qualitativa pode, num acercamento imediato e preliminar, ser abordada sob dois prismas: por um lado, como qualidade “adstrita”, i.e. enquanto expressão de uma marca congénita; por outro, como qualidade “adquirida”, enquanto resultado de um processo cumulativo que entrelaça aprendizagem, treino e experiência. O binómio adstrito/adquirido persiste actualmente no debate filosófico que disseca a clivagem inatismo/aquisitivismo, sem que qualquer consenso teórico se vislumbre para as multifacetadas e divergentes teses em jogo.
- AristotelismoPublication . Amaral, AntónioGraças ao efeito contagiante de uma reabilitação da filosofia prática (Rehabilitierung der praktischen Philosophie) – mote que germina e se dissemina no panorama filosófico alemão nos inícios dos anos 70 do século passado – eis que um súbito interesse deflagra relativamente a tudo o que diga respeito a Aristóteles, com especial enfoque nos textos onde, à luz de novas e originais perspectivas, a filosofia prática pode neles ser revisitada e relançada em fertilização cruzada com todos os restantes domínios e recantos da sua obra, desde o primeiro e mais juvenil dos diálogos, o Protrepticus, até ao derradeiro tratado da maturidade, a Política.
- HilemorfismoPublication . Amaral, António; IEAC-GODesigna-se por hilemorfismo o resultado de uma síntese compósita entre matéria (- hylê) e forma (- morphê). Apesar de esse termo não comparecer grafado ad literam nos tratados de Aristóteles – encontrando-se a sua origem lexical reportada a uma vaga, mas muito incerta, construção terminológica oitocentista – a ideia que se lhe associa reveste-se, todavia, de uma crucial importância para a sua filosofia. A base conceptual remete para a teoria da substância (ousia; hypokeimenon), à qual inerem três possibilidades constitutivas: matéria (“hyle”), forma (“eidos” ou “morphe”) ou composto (“synolon”). O hilemorfismo foi historicamente absorvido, desde logo em ambiência neoplatónica pela pena de Ibn Gabirol (Avicebron), e já depois teologicamente reutilizado em contexto medieval cristão (a partir e com base num notório influxo escotista e tomista), sem que, surpreendentemente, nada o tivesse impedido de reemergir em teorizações filosóficas na ciência contemporânea, v. g. no contexto heisenberguiano da mecânica quântica.
- EmancipaçãoPublication . Amaral, António; IEAC-GOPor muito, todavia, que a ideia de emancipação encontre a sua expressão conceptual mais densa na história das ideias, no pensamento filosófico (político e social), na sociologia e na teoria social, a sua amplitude semântica não se pode esvair por entre os dedos de um único manuseamento interpretativo. A hodierna emergência de “novas dominações”, de “novas precaridades” e de “novos direitos”, cujo lance emancipatório reivindica a urgência social, económica e política de “novos pactos de confiança” sob o signo de uma ecologia humana integral, i.e. plural, participativa e inclusiva, longe de subestimar ou marginalizar a dimensão religiosa, convoca e compromete a sua irredutível presença.
