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- Contributo para a melhoria do rastreio do cancro do colo do útero em PortugalPublication . Caeiro, Vitor Manuel Branco e Silva; Moutinho, José Alberto Fonseca; Granadeiro, Luiza Augusta Tereza Gil BreitenfeldO cancro constitui, neste século, um dos principais problemas de saúde pública, com implicações sociais e económicas significativas. Globalmente, é responsável por aproximadamente 16,8% de todas as mortes e por 22,8% das mortes atribuídas a doenças não transmissíveis. O cancro do colo do útero (CCU) é um dos problemas de saúde pública mais significativos para a população feminina em todo o mundo, sendo o quarto cancro mais comum em termos de incidência e mortalidade nas mulheres, com uma estimativa de 662.301 novos casos e 342.000 mortes em todo o mundo em 2022, segundo a World Health Organization (WHO) 2023. Caracterizado pela sua elevada incidência e mortalidade, particularmente em países de Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) baixo ou médio, este tipo de cancro está maioritariamente associado à infeção persistente pelo vírus do papiloma humano (HPV), e estima-se que mais de 90% dos casos de CCU sejam atribuídos aos genótipos de alto risco deste agente viral (HPV-hr). O CCU é um problema de saúde significativo também em Portugal, onde em 2020, foi determinada uma incidência e mortalidade padronizada por idades de 10,7 e 3,2/100 000 mulheres-ano, respetivamente. De acordo com os dados do The Global Cancer Observatory (IARC/WHO) 2024, a Incidência e Mortalidade em Portugal por CCU em 2022, foram de 897 e 459, respetivamente, tendo sido nesse ano, o 8.º cancro mais frequente entre as mulheres e o 3.º cancro mais frequente entre as mulheres entre os 15 e os 44 anos. A taxa de mortalidade por CCU em Portugal, situa-se nos níveis muitos altos de IDH. A WHO recomenda a implementação de programas de rastreio organizados, baseados na população, como a estratégia mais eficaz para a prevenção do CCU. No entanto, o rastreio oportunístico continua a desempenhar um papel importante na prevenção secundária do CCU em muitos países, incluindo Portugal, complementando os esforços do programa de rastreio, colmatando as dificuldades de acesso ao rastreio organizado, assim como possibilitando a liberdade de decisão e a oportunidade da escolha das mulheres na sua vigilância e cuidados de saúde. A WHO reconhece atualmente três métodos principais para o rastreio do CCU: a citologia convencional (teste de Papanicolaou), a inspeção visual com ácido acético (VIA) e o teste de deteção do DNA do HPV. Cada um destes métodos tem as suas especificidades, vantagens e limitações. O contexto epidemiológico e os recursos de cada país determinam a escolha e a implementação de uma estratégia de rastreio adequada. A WHO estabeleceu metas globais para a eliminação do CCU como problema de saúde pública, incluindo: 90% das meninas vacinadas contra o HPV até os 15 anos 70% das mulheres rastreadas com um teste de alta precisão aos 35 e aos 45 anos 90% das mulheres identificadas com doença cervical recebendo tratamento Portugal implementou em 2017 um programa nacional de rastreio baseado na pesquisa de HPV, como teste de rastreio primário, para mulheres com idades dos 25 aos 60 anos. No entanto, este programa não está totalmente implementado em todas as regiões, o que contribui para as dificuldades que o programa atravessa, com apenas 64 % das mulheres elegíveis a participarem no Rastreio em 2022, pelo que é lícito afirmar que o rastreio oportunístico (ou de conveniência) tem um papel importante na prevenção do CCU. Os trabalhos efetuados, de que resultaram os artigos científicos publicados, expressão dos estudos levados a cabo com a experiência do programa de rastreio da ULSCB (das mulheres que foram incluídas no programa de rastreio oportunístico na Consulta de Ginecologia do Hospital da Covilhã), são a base do contributo que se pretende deixar para a melhoria da eficácia da prevenção secundária do CCU em Portugal. Pretenderam esses estudos, apesar das suas limitações, nomeadamente a dimensão da amostra: i) avaliar o risco de HSIL em mulheres com teste de HPV-hr (não 16 e/ou 18) positivos repetidos e com citologia NILM; ii) verificar se é válido dispensar a realização da citologia nos casos de teste de HPV positivo para HPV 16 e HPV 18; iii) e desenvolver uma técnica laboratorial, que permita uma deteção adequada e pouco dispendiosa, para a determinação do genótipo do HPV em material parafinado. Em conclusão, Portugal tem um programa de rastreio organizado baseado no teste de HPV, mas o rastreio oportunístico continua a ser uma ferramenta importante na prevenção secundária do CCU, especialmente para alcançar populações não cobertas pelo programa organizado. A integração eficaz de ambas abordagens, juntamente com a vacinação contra o HPV, afigura-se crucial para atingir as metas da OMS e reduzir significativamente a incidência e mortalidade por CCU no país.
