Percorrer por data de Publicação, começado por "2026-03-17"
A mostrar 1 - 1 de 1
Resultados por página
Opções de ordenação
- Incluir na (Uni)DiversidadePublication . Guerreiro, Anabela Baptista Costa; Branco, Maria Luísa Frazão Rodrigues; Silva, Sofia Santana Lopes Malheiro daA inclusão é um dos temas centrais da atualidade em todos os domínios da atividade humana e o da educação não é exceção. Assim, se a nível político a educação inclusiva tem sido identificada como um dos princípios basilares da ação das instituições de ensino, enquanto direito de todos e de cada um a uma educação de qualidade, nas escolas e nos estabelecimentos de ensino superior em particular, tende a ser vista como um desafio exigente, que impõe mudanças significativas a nível organizacional, à ação dos seus agentes e a toda a comunidade educativa. De facto, a inclusão dos estudantes em geral e dos estudantes com Necessidades Específicas (NE) no Ensino Superior (ES) não tem sido consensual e o seu acesso, participação e sucesso académico encontram diversos constrangimentos que urge analisar e a que é necessário responder de forma a guiar as mudanças institucionais e levar à assunção das responsabilidades que o ES tem para com o desenvolvimento social. O presente trabalho, partindo da questão de investigação “Como é que a instituição de ensino superior em estudo promove o seu compromisso com uma educação inclusiva?”, analisa as perceções dos intervenientes numa instituição de ensino superior (IES), localizada no centro/interior do país, sobre as respostas educativas que esta oferece e identifica os desafios que a instituição terá de enfrentar no cumprimento do desígnio da inclusão. Para tal, optou-se por uma investigação de cariz qualitativo através da implementação de um estudo de caso que procurou identificar os principais constrangimentos e potencialidades desta comunidade educativa nos domínios organizacionais, pedagógicos e atitudinais. A recolha dos dados envolveu a realização de entrevistas semiestruturadas a oito estudantes e de dois grupos focais com treze docentes. A análise da informação foi realizada através da técnica de análise de conteúdo, com o auxílio do software WebQDA. Tendo como referência aqueles testemunhos, pôde-se concluir que a ausência de mecanismos institucionais sólidos de comunicação e colaboração entre as escolas secundárias e a IES em estudo compromete a equidade no acesso dos estudantes com NE ao ES. Ficou evidente que a transição entre aqueles níveis de ensino continua a ser encarada, em grande medida, como uma responsabilidade individual dos estudantes e das suas famílias, comprometendo a criação atempada de planos de apoio pedagógico individualizados e o ajustamento dos contextos de aprendizagem. No que diz respeito à implementação de medidas inclusivas que proporcionem a permanência dos estudantes com NE na IES em análise, constatámos que o apoio específico aos mesmos é manifestamente insuficiente e caracteriza-se por práticas informais e pontuais. O estudante com NE não se sente verdadeiramente incluído, seja por não encontrar condições organizacionais que permitam aceder a serviços de apoio ou a ambientes promotores da sua autonomia e autodeterminação, seja por se sentir estigmatizado, seja ainda por respostas pedagógicas discriminatórias e excludentes. A acessibilidade ao currículo, tal como é atualmente assegurada na IES em análise, mostra-se limitada, pouco estruturada e insuficiente para garantir a equidade e o sucesso académico dos estudantes. De salientar que tanto os estudantes como os docentes entrevistados no estudo apontam a ausência de políticas públicas como um dos maiores entraves à inclusão. Os docentes referem ainda a falta de orientação institucional e a inexistência de estratégias concertadas que lhes permitam agir de forma sistemática. O estudo de caso analisado evidencia, pois, a presença de barreiras nos planos sistémico, contextual, institucional e individual, refletindo a necessidade da IES em estudo encarar a inclusão dos seus estudantes como uma construção coletiva e multidimensional ultrapassando abordagens fragmentadas ou lineares. Promover a inclusão implica reconhecer a interdependência entre a singularidade de cada estudante e o contexto, entre o individual e o institucional, entre o biológico, o social e o cultural. Com base nesta premissa, propõe-se um modelo explicativo da inclusão no ES, que sistematiza os dados recolhidos e evidencia a articulação entre as dimensões referidas. O modelo apresenta uma leitura integrada da inclusão como fenómeno dinâmico, relacional e sistémico, sustentado em princípios da complexidade e da abordagem sociocultural, que permitem ultrapassar visões normativas ou dicotómicas da diferença.
