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Matias, Cláudia Sofia Martins

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  • Conselho e Protocolo Familiar no Planeamento da Sucessão: Estudos de Caso em Empresas Familiares Portuguesas
    Publication . Matias, Cláudia Sofia Martins; Franco, Mário José Baptista
    A relevância e o papel das empresas familiares no tecido empresarial português é inegável, contudo, a mudança geracional, a transferência de liderança ou de propriedade são pontos críticos neste segmento de empresas. Deste modo, o desafio passa por planear, preparar e investir atempadamente no processo de sucessão, de forma sólida e consensual, para que estas empresas se tornem estáveis, sustentáveis e consolidadas e, por conseguinte, sobreviverem. A literatura tem vindo a mostrar que, se este tipo de empresas utilizar alguns instrumentos, órgãos ou grupos que auxiliam esse processo, pode fortalecer a hipótese de sucesso do seu processo de sucessão e a continuidade das mesmas. Neste contexto, o principal objetivo deste estudo foi compreender o papel que o conselho e o protocolo familiares podem ter no processo de planeamento das empresas familiares portuguesas. Assim, para alcançar este objetivo geral foi utilizada a abordagem qualitativa, recorrendo a estudos de caso múltiplos: sete empresas familiares portuguesas. Como técnicas de recolha de dados usou-se a entrevista, a observação direta e a análise documental. Com base nas evidências empíricas conclui-se que o conselho de família e o protocolo familiares ajudam o planeamento da sucessão e favorecem a continuidade e sobrevivência da empresa familiar. Contudo, existem também outros grupos de trabalho que auxiliam todo o processo de planeamento como é o caso da reunião da geração de primos e a Comissão de Acompanhamento das gerações mais novas (ou Comité Mentor). O desenvolvimento de planos pessoais futuros para as gerações mais novas pode passar pela criação desta Comissão, que auxilia e encaminha os membros familiares mais jovens. Este estudo mostra ainda que o conselho de família é um órgão muito importante e fundamental nas empresas familiares, sendo um elemento diferenciador de forma positiva neste tipo de empresas. Deve ser criado envolvimento e compromisso familiar com o futuro da empresa através da representação de todos os ramos e gerações da família nas reuniões do conselho de família, mesmo que seja apenas como ouvintes, sem direito de voto. Conclui-se também que o protocolo familiar é considerado um elemento preventivo, com elevado poder sentimental e de muita importância para as empresas familiares, servindo para manter a agregação familiar e a estabilidade na organização, ligando a família à empresa e vice-versa. Este instrumento antecipa também soluções para eventuais problemas ou conflitos futuros, incorporando todas as instruções, regras e preceitos familiares que regem o funcionamento e o relacionamento da família com a empresa, pré-discutidas e aceites por todos. Relativamente ao planeamento da sucessão, este estudo mostra que o início do envolvimento dos membros familiares na empresa parece ditar o início do processo de sucessão. Este envolvimento pode ser auxiliado com a Comissão de Acompanhamento. A escolha do sucessor ocorre em conselho de família, opinada por vezes também pelo conselho de administração. A preparação adequada e devidamente planeada para o processo de sucessão apresentam maior hipótese de sobrevivência e continuidade destas empresas de cariz familiar. Assim, o conselho de família e o protocolo familiar são considerados como ferramentas/instrumentos que auxiliam o planeamento da sucessão neste tipo de empresas familiares. Contudo, a assessoria de profissionais especializados também pode ser vista como mais uma ferramenta e o Comité Mentor das gerações mais novas também se pode envolver no processo de planeamento. De facto, conclui-se que o planeamento tem um claro papel no processo de sucessão das empresas familiares estudadas. Do ponto de vista teórico, este estudo contribui para melhorar o conhecimento sobre o conselho e o protocolo familiares e o planeamento da sucessão nas empresas familiares, na medida em que explorou, em profundidade, estes tópicos. Neste sentido, um dos principais contributos deste trabalho foi propor um modelo holístico que mostra como o conselho e o protocolo familiares podem ser instrumentos que permitem o planeamento da sucessão. Em termos práticos, os resultados deste estudo sugerem que a utilização do conselho de família e do protocolo familiar podem auxiliar o processo de planeamento da sucessão, permitindo a continuidade e sucesso das empresas familiares e minimizando o seu fracasso. A interferência das reuniões da geração de primos e da Comissão de Acompanhamento das gerações mais novas (ou Comité mentor) podem ser também cruciais neste processo de planeamento. Estas e outras contribuições, bem como sugestões para futuras investigações nesta área são também apresentadas.