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Abstract(s)
This Dissertation focuses on how conservatism and religious fundamentalism influence the perspectives and experiences of members and former members of religious congregations, especially in terms of psychosexual expression and health. Since this field remains academically underdeveloped, this Dissertation aims to fill in the gaps and weaknesses associated with the study of these issues and population. To this end, a qualitative study was carried out, which is discussed throughout this document, exploring the responses of 27 participants to an online electronic interview. This research provided access to the experiences and testimonies of people who grew up in, lived in or are currently part of religious congregations considered conservative or fundamentalist. The answers obtained were subjected to a thematic analysis which resulted in seven main themes, such as social context, expression of sexuality, minorities, expression of sexuality by minorities, mental health, prejudice and discrimination and need for improvement. In addition to the qualitative study conducted, this Dissertation shows a brief reflection on the findings, contributions and limitations, as well as future recommendations within the concerns studied. The latter relates not only to the importance of new research to explore the needs of the population and environments studied, but also to the practice and role of mental health professionals in the intervention with religious LGBTQIA+ people.
A forma como a pertença ou desenvolvimento numa congregação religiosa, considerada fundamentalista ou conservadora, se manifesta na saúde psicológica e sexual dos seus membros, constitui ainda um tópico pouco explorado e subvalorizado na atualidade, sobretudo em Portugal. Segundo a literatura, a religiosidade encontra-se comumente associada à presença de atitudes conservadoras, principalmente no que diz respeito a papéis de género patriarcais, diversidade sexual, identidades de género, e à própria sexualidade (Dollahite et al., 2018; Klingorova & Havlícek, 2015; Moghasemi et al., 2018; Singhal & Grupta, 2022). Os comportamentos e expressão sexual, tal como as perspetivas dos indivíduos que fazem parte de comunidades religiosas conservadoras e/ou fundamentalistas, são muitas vezes influenciados por normas morais difundidas e defendidas por estes contextos (Bills & Hayes, 2020). Estas crenças caracterizam-se pela condenação estrutural da homossexualidade, tal como de outras ações ou práticas concebidas como contrárias ou desafiadoras da moralidade estabelecida e de instituições tradicionais (Bills & Hayes, 2020; Dollahite et al., 2018; Whitley, 2009). Estas visões podem traduzirse em ações discriminatórias, responsáveis por exercer consequências negativas na saúde mental, algo sentido de forma exacerbada em membros da comunidade LGBTQIA+, que, simultaneamente, pertencem ou se desenvolveram no seio destes grupos religiosos (Bills & Hayes, 2020; Warlick et al., 2021). Considerando estas questões, e de forma a responder às lacunas presentes nesta esfera, foi desenvolvido um estudo com o objetivo principal de aceder e explorar as perspetivas e bem-estar psicossexual de membros e ex-membros destas congregações. Para o efeito, esta investigação apresentou um caráter qualitativo, de forma a facilitar o acesso às vivências individuais e valorizar a experiência subjetiva dos participantes. Esta investigação baseou-se nas respostas de 27 participantes, com idades compreendidas entre os 18 e 78 anos (média = 35.89; DP = 15.727). As respostas dos mesmos foram reunidas através de um questionário online, difundido sobretudo nas redes sociais, entre setembro e novembro de 2024. Para participar no estudo, o sujeitos deveriam pertencer, ou terem pertencido em algum momento da sua vida, a uma congregação religiosa considerada fundamentalista ou conservadora. Os testemunhos apresentados remeteram-se à experiência vivida na Igreja Católica (33.3%), Igreja Evangélica (22.2%), Islão (11.1%), Igreja Cristã (7.4%), e Igreja Mórmon ou Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (3.7%). Alguns participantes optaram por não expor a congregação à qual se remetiam nas respostas ao questionário. A informação recolhida foi alvo de uma análise temática, segundo um processo indutivo e focado nos testemunhos transmitidos, de forma a identificar padrões comuns de significado e temas recorrentes. As respostas focaram-se, essencialmente, na descrição do contexto social e religioso; na caraterização da expressão sexual e das suas nuances nestes contextos; na exploração da expressão sexual de minorias sexuais e de género, e da sua existência e visibilidade nestas comunidades; na saúde mental e presença ou ausência de sintomas psicopatológicos associados à vivência e expressão da sexualidade; a existência ou inexistência de episódios de preconceito e/ou discriminação; e a hipótese ou potencial de melhoria dos ambientes presentes. Os resultados denunciaram uma elevada prevalência de contextos marcados pelo machismo, pela heteronormatividade, pelo conservadorismo moral e sexual, pela invisibilidade e ocultação de minorias sexuais e de género. A hostilidade e falta de contacto com a comunidade LGBTQIA+ foram pontos destacados em vários momentos por diversos participantes. Foi ainda revelada a presença de sintomas psicopatológicos e saúde mental debilitada de membros da comunidade, tendo sido expostas, ainda, situações de discriminação e lgbtfobia na primeira pessoa. Este estudo revela a crescente importância da intervenção em termos sociopolíticos e do papel de profissionais de saúde mental. Torna-se cada vez mais urgente o desenvolvimento de intervenções adequadas e sensíveis em termos religiosos e culturais, e o foco no papel da intersecionalidade e da diversidade identitária na psicologia e no acompanhamento psicológico de indivíduos que evidenciem dissonâncias e conflitos de identidade, indutores de sofrimento.
A forma como a pertença ou desenvolvimento numa congregação religiosa, considerada fundamentalista ou conservadora, se manifesta na saúde psicológica e sexual dos seus membros, constitui ainda um tópico pouco explorado e subvalorizado na atualidade, sobretudo em Portugal. Segundo a literatura, a religiosidade encontra-se comumente associada à presença de atitudes conservadoras, principalmente no que diz respeito a papéis de género patriarcais, diversidade sexual, identidades de género, e à própria sexualidade (Dollahite et al., 2018; Klingorova & Havlícek, 2015; Moghasemi et al., 2018; Singhal & Grupta, 2022). Os comportamentos e expressão sexual, tal como as perspetivas dos indivíduos que fazem parte de comunidades religiosas conservadoras e/ou fundamentalistas, são muitas vezes influenciados por normas morais difundidas e defendidas por estes contextos (Bills & Hayes, 2020). Estas crenças caracterizam-se pela condenação estrutural da homossexualidade, tal como de outras ações ou práticas concebidas como contrárias ou desafiadoras da moralidade estabelecida e de instituições tradicionais (Bills & Hayes, 2020; Dollahite et al., 2018; Whitley, 2009). Estas visões podem traduzirse em ações discriminatórias, responsáveis por exercer consequências negativas na saúde mental, algo sentido de forma exacerbada em membros da comunidade LGBTQIA+, que, simultaneamente, pertencem ou se desenvolveram no seio destes grupos religiosos (Bills & Hayes, 2020; Warlick et al., 2021). Considerando estas questões, e de forma a responder às lacunas presentes nesta esfera, foi desenvolvido um estudo com o objetivo principal de aceder e explorar as perspetivas e bem-estar psicossexual de membros e ex-membros destas congregações. Para o efeito, esta investigação apresentou um caráter qualitativo, de forma a facilitar o acesso às vivências individuais e valorizar a experiência subjetiva dos participantes. Esta investigação baseou-se nas respostas de 27 participantes, com idades compreendidas entre os 18 e 78 anos (média = 35.89; DP = 15.727). As respostas dos mesmos foram reunidas através de um questionário online, difundido sobretudo nas redes sociais, entre setembro e novembro de 2024. Para participar no estudo, o sujeitos deveriam pertencer, ou terem pertencido em algum momento da sua vida, a uma congregação religiosa considerada fundamentalista ou conservadora. Os testemunhos apresentados remeteram-se à experiência vivida na Igreja Católica (33.3%), Igreja Evangélica (22.2%), Islão (11.1%), Igreja Cristã (7.4%), e Igreja Mórmon ou Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias (3.7%). Alguns participantes optaram por não expor a congregação à qual se remetiam nas respostas ao questionário. A informação recolhida foi alvo de uma análise temática, segundo um processo indutivo e focado nos testemunhos transmitidos, de forma a identificar padrões comuns de significado e temas recorrentes. As respostas focaram-se, essencialmente, na descrição do contexto social e religioso; na caraterização da expressão sexual e das suas nuances nestes contextos; na exploração da expressão sexual de minorias sexuais e de género, e da sua existência e visibilidade nestas comunidades; na saúde mental e presença ou ausência de sintomas psicopatológicos associados à vivência e expressão da sexualidade; a existência ou inexistência de episódios de preconceito e/ou discriminação; e a hipótese ou potencial de melhoria dos ambientes presentes. Os resultados denunciaram uma elevada prevalência de contextos marcados pelo machismo, pela heteronormatividade, pelo conservadorismo moral e sexual, pela invisibilidade e ocultação de minorias sexuais e de género. A hostilidade e falta de contacto com a comunidade LGBTQIA+ foram pontos destacados em vários momentos por diversos participantes. Foi ainda revelada a presença de sintomas psicopatológicos e saúde mental debilitada de membros da comunidade, tendo sido expostas, ainda, situações de discriminação e lgbtfobia na primeira pessoa. Este estudo revela a crescente importância da intervenção em termos sociopolíticos e do papel de profissionais de saúde mental. Torna-se cada vez mais urgente o desenvolvimento de intervenções adequadas e sensíveis em termos religiosos e culturais, e o foco no papel da intersecionalidade e da diversidade identitária na psicologia e no acompanhamento psicológico de indivíduos que evidenciem dissonâncias e conflitos de identidade, indutores de sofrimento.
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Comunidade Lgbtqia+ Conservadorismo Portugal Religião Saúde Psicossexual Sexualidade
