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Publicação

Enquadramento mediático da Crise do Sudão do Sul uma análise comparativa de conteúdo do New York Times, The Guardian e Al Jazeera (2011-2024)

datacite.subject.fosCiências Sociais::Sociologia
dc.contributor.advisorSousa, Ricardo Real Pedrosa de
dc.contributor.authorRiscado, Bruna Seixas
dc.date.accessioned2026-01-23T14:18:38Z
dc.date.available2026-01-23T14:18:38Z
dc.date.issued2025-11-05
dc.date.submitted2025-10-13
dc.description.abstractO presente estudo analisa o enquadramento mediático da crise no Sudão do Sul entre 2011 e 2024, a partir de uma perspetiva comparativa da cobertura jornalística internacional nos jornais The New York Times, The Guardian e Al Jazeera. O objetivo central consiste em compreender como estas três publicações de referência retratam o conflito e de que forma a construção narrativa contribui para a perceção global desta crise humanitária prolongada. A escolha do Sudão do Sul como objeto de estudo justifica-se pela sua relevância geopolítica e pelo contraste entre a gravidade da situação humanitária e a escassa atenção mediática que recebe. Desde a independência em 2011, o Sudão do Sul enfrenta uma guerra civil marcada por violência étnica, deslocamentos em massa, insegurança alimentar e violações sistemáticas dos direitos humanos (ACNUR, 2024; FAO, 2023). Apesar de o país representar uma das emergências humanitárias mais graves da atualidade, a cobertura mediática internacional tem sido irregular e desproporcional quando comparada a outras crises de maior visibilidade (Mamdani, 2009). Esta desigualdade informativa confirma a tese de Philo (2013), que identifica uma hierarquização estrutural das crises nos meios de comunicação internacionais, onde determinados conflitos são amplamente mediatizados enquanto outros permanecem na periferia da atenção global. A investigação utiliza o método de análise de conteúdo qualitativo (Bufrem, 2018), aplicado a um conjunto de artigos publicados entre 2011 e 2024 nos três jornais selecionados. Através da análise de padrões narrativos, categorias temáticas e frequências de enquadramento, foram identificados três eixos principais: o enquadramento humanitário, o enquadramento securitário e o enquadramento político-diplomático (Entman, 2004). O primeiro domina amplamente o discurso mediático, centrando-se na vitimização civil, na fome e na desagregação social. O segundo surge associado ao risco de desestabilização regional e à ameaça que a crise representa para a segurança internacional (Livingston, 1997). Já o enquadramento político-diplomático, embora presente, aparece de forma intermitente e subordinada às narrativas anteriores (Thussu, 2003). Os resultados indicam que o The New York Times tende a privilegiar uma narrativa de carácter humanitário e dramatizado, destacando massacres, deslocamentos e sofrimento humano, mas sem continuidade ao longo do tempo (Kulish, 2013; Dahir, 2023). O The Guardian adota uma abordagem visualmente expressiva, reforçando o impacto emocional das imagens de fome e deslocamento, enquanto a Al Jazeera tende a integrar perspetivas regionais e políticas mais amplas, contextualizando o conflito nas dinâmicas pós-coloniais africanas e nas tensões geopolíticas globais. Apesar destas diferenças, observa-se um padrão comum de representação do Sudão do Sul como um “Estado frágil”, carente de agência e dependente da intervenção internacional uma leitura que ecoa as críticas de Mamdani (2009) e Jok (2011) à narrativa ocidental sobre África. Complementarmente, as noções de CNN Effect (Gilboa, 2005; Livingston, 1997) ajudam a compreender como a visibilidade mediática pode influenciar a agenda internacional e pressionar a intervenção de governos e organizações. Contudo, a análise confirma que a atenção mediática segue um padrão cíclico de dramatização episódica e subsequente esquecimento, o que reduz a eficácia desse potencial transformador. A ausência de vozes locais e a dependência de fontes internacionais constituem uma das principais limitações da cobertura. A comunicação social raramente incorpora testemunhos diretos de atores sul-sudaneses, perpetuando uma visão externalizada e paternalista da crise. Além disso, o foco reiterado em imagens de sofrimento e dependência reforça estereótipos sobre o continente africano, obscurecendo iniciativas de resiliência e reconstrução interna (Johnson, 2016). Esta tendência levanta questões éticas sobre o papel da comunicação social na produção de conhecimento e na representação das relações Norte-Sul. Em termos académicos, esta dissertação contribui para o campo das Relações Internacionais ao integrar a análise mediática numa leitura crítica das dinâmicas humanitárias e políticas globais. No plano prático, os resultados alertam jornalistas, decisores e organizações internacionais para a importância de promover uma cobertura mais equilibrada, contextualizada e inclusiva (Philo, 2013). A media internacional, ao atuar como mediadora entre o conflito e o público global, tem a responsabilidade de não apenas informar, mas também de educar e mobilizar para uma resposta mais ética e eficaz às crises humanitárias contemporâneas. Em síntese, o estudo conclui que o enquadramento mediático da crise no Sudão do Sul é marcado pela predominância das narrativas humanitária e securitária, pela invisibilidade das perspetivas locais e pela cobertura intermitente que reforça a perceção do país como um espaço de vulnerabilidade permanente. A reflexão final sublinha, assim, a urgência de repensar as práticas de representação mediática para que contribuam efetivamente para uma justiça informativa e para a construção de uma compreensão mais profunda e equilibrada dos conflitos africanos.por
dc.description.abstractThis study analyses the media framing of the South Sudan crisis between 2011 and 2024 from a comparative perspective of international journalistic coverage in The New York Times, The Guardian, and Al Jazeera. The central objective is to understand how these three leading publications portray the conflict and how their narrative construction contributes to the global perception of this prolonged humanitarian crisis. The choice of South Sudan as the subject of study is justified by its geopolitical relevance and by the contrast between the gravity of the humanitarian situation and the limited media attention it receives. Since independence in 2011, South Sudan has faced a civil war marked by ethnic violence, mass displacement, food insecurity, and systematic violations of human rights (UNHCR, 2024; FAO, 2023). Despite being one of the most severe humanitarian emergencies of our time, international media coverage has been irregular and disproportionate compared to other, more visible crises (Mamdani, 2009). This imbalance in coverage confirms Philo’s (2013) thesis, which identifies a structural hierarchy in the international media’s treatment of crises, where some conflicts receive extensive attention while others remain on the periphery of global awareness. The research employs a qualitative content analysis method (Leilah Santiago Bufrem, 2018), applied to a selection of articles published between 2011 and 2024 in the three newspapers under study. Through the analysis of narrative patterns, thematic categories, and framing frequencies, three main axes were identified: the humanitarian frame, the security frame, and the political-diplomatic frame (Entman, 2004). The first dominates the media discourse, focusing on civilian victimisation, hunger, and social disintegration. The second is linked to regional destabilisation risks and the threat the crisis poses to international security (Livingston, 1997). The third, although present, appears intermittently and is often subordinated to the previous narratives (Thussu, 2003). The results indicate that The New York Times tends to privilege a humanitarian and dramatized narrative, highlighting massacres, displacement, and human suffering, though lacking continuity over time (Kulish, 2013; Dahir, 2023). The Guardian adopts a visually expressive approach, reinforcing the emotional impact of images of famine and displacement, while Al Jazeera integrates broader regional and political perspectives, contextualising the conflict within African postcolonial dynamics and global geopolitical tensions. Despite these differences, a common pattern emerges — the representation of South Sudan as a “fragile state”, lacking agency and dependent on international intervention — a view that echoes the critiques of Mamdani (2009) and Jok (2011) regarding Western narratives on Africa. Furthermore, the concepts of the CNN Effect (Gilboa, 2005; Livingston, 1997) help to explain how media visibility can influence the international agenda and pressure governments and organisations to intervene. However, the analysis confirms that media attention follows a cyclical pattern of episodic dramatization followed by neglect, reducing the transformative potential of such coverage. The absence of local voices and the dependence on international sources constitute one of the main limitations of this coverage. The media rarely incorporates direct testimonies from South Sudanese actors, perpetuating an externalised and paternalistic view of the crisis. Moreover, the persistent focus on images of suffering and dependency reinforces stereotypes about the African continent, obscuring stories of resilience and internal reconstruction (Johnson, 2016). This tendency raises ethical questions about the role of the media in knowledge production and the representation of North–South relations. From an academic perspective, this dissertation contributes to the field of International Relations by integrating media analysis into a critical reading of humanitarian and political dynamics. On a practical level, the findings alert journalists, policymakers, and international organisations to the importance of promoting more balanced, contextualised, and inclusive coverage (Philo, 2013). The international media, as an intermediary between conflict and the global public, bears the responsibility not only to inform but also to educate and mobilise towards a more ethical and effective response to contemporary humanitarian crises. In conclusion, the study finds that the media framing of the South Sudan crisis is marked by the predominance of humanitarian and security narratives, by the invisibility of local perspectives, and by intermittent coverage that reinforces the perception of the country as a space of permanent vulnerability. The final reflection thus highlights the urgency of rethinking media representation practices so that they may effectively contribute to informational justice and to a deeper and more balanced understanding of African conflicts.eng
dc.identifier.tid204138027
dc.identifier.urihttp://hdl.handle.net/10400.6/19796
dc.language.isoporpor
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/4.0/
dc.subjectAnálise de Conteúdopor
dc.subjectCobertura Jornalística Comparativapor
dc.subjectComunicação Social Internacionalpor
dc.subjectCrise no Sudão do Sulpor
dc.subjectEnquadramento Mediáticopor
dc.subjectFramingpor
dc.subjectMedia e Relações Internacionaispor
dc.titleEnquadramento mediático da Crise do Sudão do Sul uma análise comparativa de conteúdo do New York Times, The Guardian e Al Jazeera (2011-2024)por
dc.typemaster thesispor
dspace.entity.typePublication
thesis.degree.name2º Ciclo em Relações Internacionaispor

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