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FCSH - DS | Dissertações de Mestrado e Teses de Doutoramento

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  • Ageing in Place e lazer: políticas e (boas) práticas ao nível local
    Publication . Amaral, Maria Leonor Afonso; Jordão, Carina Raquel Mendes
    O envelhecimento populacional tem vindo a assumir cada vez mais destaque na análise da sociedade contemporânea. É um fenómeno com impactos visíveis na economia, no mercado de trabalho, na estrutura familiar, no setor social, nos sistemas sociais e de saúde e na definição de políticas sociais, pelo que é exigido às sociedades uma adaptação a esta nova e desafiante realidade social. Portugal é um dos países que apresenta valores bastante acentuados ao nível do envelhecimento demográfico, sendo o segundo país mais envelhecido no contexto europeu. Perante esta realidade torna-se fundamental a criação de políticas e respostas sociais direcionadas para o perfil e para as necessidades das pessoas idosas, atendendo às suas expetativas e vontades, procurando promover o seu bem-estar, autonomia e participação social. Tendo em conta o crescente desejo pela opção de envelhecimento em casa e no seio da comunidade, em alternativa à institucionalização, surge o conceito de Ageing in Place que defende e sustenta a independência e a promoção de um envelhecimento ativo, saudável e positivo das pessoas idosas no seu domicílio e na comunidade. Para que essa opção seja possível é essencial a criação de condições ambientais, sociais e culturais para que os idosos possam dar continuidade ao seu projeto de vida. A organização de atividades que fomentem uma vida ativa e no contexto onde os indivíduos residem é algo desafiante para os governos e para as autarquias. O trabalho de investigação em causa constitui um estudo de caso de natureza descritiva sobre o Centro de Ativ’Idades da Câmara Municipal da Covilhã, uma resposta que foi considerada uma boa prática local ao nível do Ageing in Place e um exemplo de incentivo ao envelhecimento ativo e de promoção do lazer sénior. Com este estudo pretende-se compreender o contributo do lazer na promoção do ageing in place e a importância das políticas e (boas) práticas existentes a nível local. Através do recurso a um questionário, aplicado a 37 utentes do Centro de Ativ’Idades e da realização de 17 entrevistas semiestruturadas, com a respetiva análise de conteúdo, aos utentes, às profissionais do CAI e a uma dirigente/responsável pelo Centro, concluiu-se que o lazer constitui um instrumento estratégico na construção de territórios inclusivos e que beneficia diretamente os aspetos principais que envolvem o conceito de Ageing in Place, confirmando assim o CAI como exemplo de uma resposta na área do envelhecimento ativo, do lazer sénior e considerada como boa prática ao nível do Ageing in Place na Covilhã.
  • O impacto das políticas sociais na proteção de crianças e jovens: o papel das CPCJ
    Publication . Ferreira, Rafaela Pires; Franco, Solange Marina Fazenda de Almeida Moreira
    A proteção de crianças e jovens é um dos focos centrais das políticas sociais em Portugal, sendo as Comissões de Proteção de Crianças e Jovens (CPCJ) um elemento-chave para o processo. Contudo, a eficácia das intervenções destas comissões varia mediante vários fatores, tais como os recursos humanos, a articulação com outras entidades e a criação e aplicação das políticas sociais. Deste modo, torna-se essencial compreender como é que os profissionais das CPCJ enfrentam os desafios do dia-a-dia bem como é que as políticas sociais influenciam o seu trabalho. Esta investigação pretende compreender o impacto das políticas socias na proteção de crianças e jovens especificamente na região da Cova da Beira (região do Interior do país), o que garante uma abordagem que revela as especificidades ao nível local, valorizando o social e o cultural desta região. Esta investigação assumiu uma metodologia qualitativa, a partir da concretização de entrevistas semiestruturadas aos profissionais da CPCJ da Região da Cova da Beira (Covilhã, Fundão e Belmonte), de modo a compreender as suas perceções relativamente à criação de políticas sociais, para a proteção infantojuvenil; aos desafios que estes enfrentam no dia-a-dia laboral e ao progresso ao nível do sistema de proteção infantil. A recolha e a posterior análise das entrevistas, a partir de uma análise de conteúdo, possibilitou reconhecer fatores decisivos no êxito da intervenção das CPCJ. Entre os fatores destacam-se a articulação com outras entidades como escolas, serviços de saúde, segurança social, entre outras, a adaptação de recursos humanos e materiais, a formação académica e profissional dos técnicos e a adaptação das medidas mediante as necessidades de cada criança ou jovem, sugerindo conselhos para a melhoria das políticas sociais direcionadas para as crianças e jovens. Espera-se que os resultados desta investigação consigam fornecer um contributo para a veracidade ao nível da proteção, em Portugal, promovendo ajudas ao nível da evolução de habilidades competentes, inseridas no setor da proteção, bem-estar social e dos direitos das crianças e jovens.
  • Entre a Autonomia e a Perda de Si: A Transformação da Identidade da Pessoa Idosa nas Estruturas Residenciais através da Atenção Centrada na Pessoa
    Publication . Torrão, Mariana Mendes; Coelho, Sandra Lima
    Nesta dissertação, analisa-se a institucionalização enquanto meio de promoção para a perda de autonomia e identidade da pessoa idosa, assim como de que forma o modelo de Atenção Centrada na Pessoa (ACP) pode mitigar esse risco em Estruturas Residenciais para Pessoas Idosas (ERPI). As perguntas que orientaram o estudo foram: (i) de que modo a vida em instituição condiciona a autonomia e os marcadores identitários dos residentes? (ii) como é que a aplicação do modelo ACP preserva essas dimensões? A metodologia adotada incidiu no estudo de caso de uma ERPI de média dimensão localizada na Região Centro de Portugal. Recorreu-se ao método qualitativo, que incluiu a realização de oito entrevistas biográficas que deram origem a oito retratos sociológicos de residentes na ERPI, bem como oito entrevistas semiestruturadas a profissionais (auxiliares, animação sociocultural e direção). Realizou-se, ainda, observação direta das rotinas dos idosos institucionalizados. Os resultados indicam que a organização do quotidiano por rotinas padronizadas, a gestão do tempo e as lógicas de segurança reduzem oportunidades de escolha e fragilizam elementos identitários destes idosos. Identificaram-se, porém, práticas que preservam a identidade e a autonomia, como a personalização do espaço, a atenção a preferências e a participação em decisões quotidianas. Este estudo pretende contribuir para o debate sociológico acerca do envelhecimento e políticas sociais, assim como oferece indicações aplicadas para a gestão de ERPI e a formação das equipas técnicas.
  • A Integração de Imigrantes no Interior de Portugal: Uma Análise Exploratória do Fundão
    Publication . Pinto, Diana Serralheiro; Terrenas, João David Malagueta
    O rápido crescimento da população migrante no contexto português, sobretudo nas últimas décadas, coloca em evidência a importância de compreender os desafios que esta população enfrenta e analisar as iniciativas e políticas desenvolvidas com o objetivo de ajudar a integração dos mesmos nas comunidades de acolhimento. Será esse o foco desta dissertação, que analisa a integração de imigrantes na cidade do Fundão, um município numa região de baixa densidade populacional caracterizado pelo rápido crescimento da população migrante no seu território e frequentemente apresentada como um exemplo de boas práticas na integração e acolhimento de migrantes. Através da revisão da literatura, análise de documentos e entrevistas semiestrututadas, esta dissertação aplica o modelo de análise da integração desenvolvido por Ager & Strang (2008) com o objetivo de analisar: (i) os desafios específicos da integração de imigrantes no Fundão e (ii) os fatores que influenciam o processo de integração dos migrantes e as suas experiências neste território. Este estudo conclui que as medidas de integração promovidas pelo Fundão, com o objetivo de revitalizar a região, têm um efeito visivelmente positivo, com destaque, principalmente, para o papel do Centro para as Migrações. Contudo, persistem dificuldades estruturais, nomeadamente no acesso ao emprego e à habitação, agravadas pela precariedade laboral, pelas barreiras linguísticas, pela burocracia associada aos estatutos de residência e pelas limitações no mercado imobiliário.
  • Grande Estratégia Chinesa sob Xi Jinping: Uma Abordagem Realista Neoclássica
    Publication . Sanches, António João Freire; Silva, Jorge Manuel Tavares da; Gomes, Tomé Ribeiro
    A grande estratégia da República Popular da China sob Xi Jinping, denominada “Fen Fa You Wei”, contrasta com a postura prudente que vigorara desde o final da Guerra Fria. Em vez da lógica de moderação e de baixo-perfil que caracterizou a anterior grande estratégia de “Tao Guang Yang Hui”, a partir da ascensão de Xi ao poder em 2012 observa-se uma orientação externa mais assertiva e pró-ativa nos planos diplomático, económico e militar. A presente dissertação tem como objetivo identificar e explicar os fatores que motivaram esta viragem. Alicerçando-se na teoria realista neoclássica, emprega variáveis sistémicas e domésticas (imagens dos líderes, instituições domésticas e relações Estado-sociedade), para explicar este processo de transição. Os resultados indicam que a combinação entre a ascensão material da China, a erosão da unipolaridade norte-americana, e o respetivo redireccionamento estratégico dos EUA para o Indo-Pacífico alteraram a relação custo-benefício de perseverar com a orientação “Tao Guang Yang Hui”. Contudo, estes fatores sistémicos não são por si sós suficientes para explicar a mudança de grande estratégia que se seguiu. O papel mediador desempenhado por variáveis domésticas, em particular as crenças e mundivisão de Xi, a recentralização do poder em seu torno e o crescente nacionalismo da população chinesa, revelou-se essencial para possibilitar a transição de “Tao Guang Yang Hui” para “Fen Fa You Wei”. Além de procurar explicar um caso específico de mudança de grande estratégia, esta dissertação também apresenta um contributo teórico ao aplicar sistematicamente uma abordagem realista neoclássica, demonstrando o seu poder explicativo.
  • Projeto “Agulhas Unidas”: Capacitação em crochê para a inclusão social
    Publication . Correia, Inês Jacinto; Alves, Marta Sofia Lopes Pereira; Barriga, Antónia do Carmo Anjinho
    O empreendedorismo social tem vindo a afirmar-se como um motor essencial para o desenvolvimento sustentável, especialmente em territórios onde os mecanismos de mercado tradicionais falham em responder às necessidades das populações mais vulneráveis. Nas zonas rurais, marcadas por desafios estruturais e pela desertificação humana, o empreendedorismo social pode representar uma via de renovação e de esperança. No entanto, a sua concretização está condicionada por múltiplos fatores: o acesso a financiamento, o envolvimento comunitário e a capacidade de inovar perante necessidades emergentes. É neste contexto que surge o projeto “Agulhas Unidas” – ainda não implementado, mas sonhado e desenhado com base numa inspiração do projeto brasileiro “Nós do Crochê”, que alia tradição, empoderamento e impacto social. Ao descobrir esse projeto e ao mergulhar pessoalmente na prática do crochê, nasceu a vontade de trazer essa experiência para a realidade de Medelim, uma aldeia no concelho de Idanha-a-Nova, onde ainda hoje muitas mulheres se reúnem para fazer crochê, mantendo viva uma tradição silenciosa, mas poderosa. Este projeto visa, no futuro, oferecer um espaço de capacitação e de encontro comunitário através da arte do crochê, promovendo a inclusão social, o bem-estar emocional e a valorização do património imaterial local. Para além da criação de peças artesanais e da sua potencial comercialização, o projeto tem como ambição maior contribuir para o fortalecimento dos laços sociais e para a revitalização de uma comunidade que, como tantas outras, luta contra a invisibilidade e o abandono.
  • Enquadramento mediático da Crise do Sudão do Sul uma análise comparativa de conteúdo do New York Times, The Guardian e Al Jazeera (2011-2024)
    Publication . Riscado, Bruna Seixas; Sousa, Ricardo Real Pedrosa de
    O presente estudo analisa o enquadramento mediático da crise no Sudão do Sul entre 2011 e 2024, a partir de uma perspetiva comparativa da cobertura jornalística internacional nos jornais The New York Times, The Guardian e Al Jazeera. O objetivo central consiste em compreender como estas três publicações de referência retratam o conflito e de que forma a construção narrativa contribui para a perceção global desta crise humanitária prolongada. A escolha do Sudão do Sul como objeto de estudo justifica-se pela sua relevância geopolítica e pelo contraste entre a gravidade da situação humanitária e a escassa atenção mediática que recebe. Desde a independência em 2011, o Sudão do Sul enfrenta uma guerra civil marcada por violência étnica, deslocamentos em massa, insegurança alimentar e violações sistemáticas dos direitos humanos (ACNUR, 2024; FAO, 2023). Apesar de o país representar uma das emergências humanitárias mais graves da atualidade, a cobertura mediática internacional tem sido irregular e desproporcional quando comparada a outras crises de maior visibilidade (Mamdani, 2009). Esta desigualdade informativa confirma a tese de Philo (2013), que identifica uma hierarquização estrutural das crises nos meios de comunicação internacionais, onde determinados conflitos são amplamente mediatizados enquanto outros permanecem na periferia da atenção global. A investigação utiliza o método de análise de conteúdo qualitativo (Bufrem, 2018), aplicado a um conjunto de artigos publicados entre 2011 e 2024 nos três jornais selecionados. Através da análise de padrões narrativos, categorias temáticas e frequências de enquadramento, foram identificados três eixos principais: o enquadramento humanitário, o enquadramento securitário e o enquadramento político-diplomático (Entman, 2004). O primeiro domina amplamente o discurso mediático, centrando-se na vitimização civil, na fome e na desagregação social. O segundo surge associado ao risco de desestabilização regional e à ameaça que a crise representa para a segurança internacional (Livingston, 1997). Já o enquadramento político-diplomático, embora presente, aparece de forma intermitente e subordinada às narrativas anteriores (Thussu, 2003). Os resultados indicam que o The New York Times tende a privilegiar uma narrativa de carácter humanitário e dramatizado, destacando massacres, deslocamentos e sofrimento humano, mas sem continuidade ao longo do tempo (Kulish, 2013; Dahir, 2023). O The Guardian adota uma abordagem visualmente expressiva, reforçando o impacto emocional das imagens de fome e deslocamento, enquanto a Al Jazeera tende a integrar perspetivas regionais e políticas mais amplas, contextualizando o conflito nas dinâmicas pós-coloniais africanas e nas tensões geopolíticas globais. Apesar destas diferenças, observa-se um padrão comum de representação do Sudão do Sul como um “Estado frágil”, carente de agência e dependente da intervenção internacional uma leitura que ecoa as críticas de Mamdani (2009) e Jok (2011) à narrativa ocidental sobre África. Complementarmente, as noções de CNN Effect (Gilboa, 2005; Livingston, 1997) ajudam a compreender como a visibilidade mediática pode influenciar a agenda internacional e pressionar a intervenção de governos e organizações. Contudo, a análise confirma que a atenção mediática segue um padrão cíclico de dramatização episódica e subsequente esquecimento, o que reduz a eficácia desse potencial transformador. A ausência de vozes locais e a dependência de fontes internacionais constituem uma das principais limitações da cobertura. A comunicação social raramente incorpora testemunhos diretos de atores sul-sudaneses, perpetuando uma visão externalizada e paternalista da crise. Além disso, o foco reiterado em imagens de sofrimento e dependência reforça estereótipos sobre o continente africano, obscurecendo iniciativas de resiliência e reconstrução interna (Johnson, 2016). Esta tendência levanta questões éticas sobre o papel da comunicação social na produção de conhecimento e na representação das relações Norte-Sul. Em termos académicos, esta dissertação contribui para o campo das Relações Internacionais ao integrar a análise mediática numa leitura crítica das dinâmicas humanitárias e políticas globais. No plano prático, os resultados alertam jornalistas, decisores e organizações internacionais para a importância de promover uma cobertura mais equilibrada, contextualizada e inclusiva (Philo, 2013). A media internacional, ao atuar como mediadora entre o conflito e o público global, tem a responsabilidade de não apenas informar, mas também de educar e mobilizar para uma resposta mais ética e eficaz às crises humanitárias contemporâneas. Em síntese, o estudo conclui que o enquadramento mediático da crise no Sudão do Sul é marcado pela predominância das narrativas humanitária e securitária, pela invisibilidade das perspetivas locais e pela cobertura intermitente que reforça a perceção do país como um espaço de vulnerabilidade permanente. A reflexão final sublinha, assim, a urgência de repensar as práticas de representação mediática para que contribuam efetivamente para uma justiça informativa e para a construção de uma compreensão mais profunda e equilibrada dos conflitos africanos.
  • O papel de Portugal nas Operações de Paz: Uma análise comparada das Missões no Afeganistão (2002-2014), Kosovo (1999-2017) e República Centro-Africana (2017-2025)
    Publication . Carmo, Vicente Filipe Santos Ferreira Carvalho do; Terrenas, João David Malagueta
    Esta dissertação tem como objetivo compreender o papel de Portugal em Operações de Paz contemporâneas e a sua respetiva relevância para a política externa portuguesa, nomeadamente a participação de forças portuguesas em três esforços internacionais diferentes, sendo estas a Força Internacional de Assistência à Segurança (FIAS) no Afeganistão de 2002 a 2014, a Kosovo Force (KFOR) no Kosovo de 1999 a 2017 e por fim a Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização da República Centro-Africana (MINUSCA) na República Centro-Africana de 2017 até à atualidade. Assim, a mesma faz esta análise contemplando não só o papel que estas operações desempenham para a política externa portuguesa como os seus objetivos estratégicos, execução e resultados, providenciando no processo uma análise compreensiva não só do que são missões de paz, mas também do papel da participação de Portugal nas mesmas enquanto contributo para a política externa portuguesa contemporânea.
  • Regime Africano de Direitos Humanos: O Papel da União Africana na promoção e proteção dos Direitos Humanos na África
    Publication . Quadé, Claisson Apolinário; Sousa, Ricardo Real Pedrosa de
    A União Africana, como a maior organização do continente, composta por 54 países, foi fundada em 2002 como a organização sucessora da Organização da Unidade Africana (criada em 1963), tendo assim por objetivos a promoção da democracia, Direitos Humanos e o desenvolvimento económico. No entanto, para a promoção e proteção os Direitos Humanos na Africa, foi instituída através da carta Africana dos Direitos Humanos de 1981 a Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos povos pela antiga Organização da Unidade Africana (hoje a União Africana). Para alcançar este objetivo, a Carta prevê o "procedimento de comunicação", que é um sistema de reclamação através do qual uma pessoa, uma organização não governamental, ou um grupo de pessoas que sentem que o seu direito ou o dos outros foi ou está a ser violado, pode peticionar (reclamar) à Comissão sobre estas violações. A comunicação pode igualmente ser apresentada por um Estado-Parte da Carta que acredita com razoabilidade que outro Estado-Parte violou qualquer uma das disposições da Carta. Tendo em conta as certas dificuldades encontradas pela Comissão, foi criado o Tribunal para reforçar a promoção e proteção dos Direitos Humanos e dos Povos na África.
  • “Não quero morrer a ensinar”: Perspetivas de envelhecimento de pessoas LGBTQ+ com mais de 50 anos em Portugal
    Publication . Taborda, Catarina Marques; Augusto, Amélia Maria Cavaca
    Não obstante a sua jovem democracia, Portugal tem subido no ranking de legislação igualitária, no contexto europeu. Apesar disso, são ainda várias as formas de discriminação presentes nas vidas de pessoas LGBTQ+ com mais de 50 anos, que conviveram com o período da criminalização, invisibilização e patologização da sua existência. Esta discriminação, enraizada nas normas sociais que indicam a cis heteronormatividade como o caminho a seguir, impacta a saúde e bem-estar de pessoas LGBTQ+ idosas, que, por vezes, são levadas a “regressar ao armário” para receber cuidados na velhice. Ainda assim, não existem em Portugal respostas sociais dirigidas à população idosa LGBTQ+. Esta dissertação procura conhecer as perspetivas de envelhecimento de pessoas LGBTQ+ com mais de 50 anos em Portugal, enquanto explora os seus processos de autodescoberta, o experienciar de discriminação, a sua relação com os serviços de saúde, as suas redes de cuidados, assim como a sua relação com o movimento associativo LGBTQ+ português. A pesquisa segue uma abordagem qualitativa, com recurso a entrevistas semiestruturadas, que permitem valorizar a subjetividade das suas vivências e o seu conhecimento, em profundidade. Foram realizadas dez entrevistas, com pessoas LGBTQ+ entre os 51 e os 70 anos de idade, cujo conteúdo transcrito foi posteriormente submetido a uma análise categorial. A presente investigação permitiu conhecer os receios e as necessidades sentidas por pessoas LGBTQ+ com mais de 50 anos em relação ao seu processo de envelhecimento. São apontadas divergências com o atual movimento associativo LGBTQ+ português, assim como mudanças na prestação de cuidados de saúde a pessoas LGBTQ+ na velhice. E ainda, são desenhadas alternativas aos espaços de cuidados tradicionais existentes em Portugal para pessoas idosas, e nomeadas as condições que as mesmas devem ter para garantir a sua qualidade de vida.