Utilize este identificador para referenciar este registo: http://hdl.handle.net/10400.6/6303
Título: Estudo in vitro dos efeitos de salvinorina A na expressão hepática de genes
Autor: Cruz, André Miguel Martins da
Orientador: Alba, Maria Eugénia Gallardo
Martinho, Ana Isabel de Jesus
Palavras-chave: Células Hepáticas
Citotoxicidade
Expressão Génica
Novas Substâncias Psicoativas
Salvia Divinorum
Salvinorina A
Data de Defesa: 9-Nov-2016
Resumo: As novas substâncias psicoativas (NPS) são, segundo a Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência (EMCDDA), todo e qualquer novo estupefaciente ou nova droga psicotrópica na sua forma pura, ou por preparar, que não é controlada pela Convenção Única das Nações Unidas de 1961 sobre os estupefacientes nem pela Convenção das Nações Unidas de 1971, mas que possa representar uma ameaça para a saúde pública comparativamente às substâncias listadas nessas convenções. Pelo seu crescente consumo a nível mundial e elevado desconhecimento do seus efeitos no organismo, as NPS têm-se tornado cada vez mais uma questão preocupante e, em 2012, foram adotadas medidas preventivas em Portugal relativamente às NPS, sendo que uma das substâncias que passou a integrar esta lista foi a Salvia divinorum (S. divinorum) e o seu componente bioativo, a salvinorina A (SA). A S. divinorum é uma planta que apresenta propriedades alucinogénias a qual, até meados dos anos 60, era utilizada unicamente pelos Mazatecas (região de Oaxaca, México). A substância nela presente que lhe confere estas propriedades, e que, por isso, tem despertado um grande interesse junto da comunidade científica, é o diterpeno neoclerodano SA. A SA é distinta de todos os outros alucinogénios conhecidos por possuir um mecanismo de ação único, é um agonista seletivo dos recetores kappa opióides (KOR). Apesar do alvo principal da S. divinorum, e da SA, ser o sistema nervoso central (SNC), até a data, ainda não foram pesquisados os seus potenciais efeitos a nível periférico, em particular a nível hepático, o órgão responsável pelo metabolismo de grande parte de compostos endógenos e xenobióticos. Assim, com este estudo pretendeu-se determinar in vitro a citotoxicidade e analisar a expressão relativa de certos genes relevantes no organismo resultantes da incubação de células hepáticas (Hep G2 e WRL-68) com várias concentrações de SA durante vários períodos de tempo. Os genes estudados foram: apolipoproteina B100 (Apo B100); carboxilesterase 1 (Ces 1); citocromo C (Cit. C); citocromo P450 1A2 (CYP450 1A2); citocromo P450 2D6 (CYP450 2D6); citocromo P450 3A4; glucuronosiltranferase 1A1 (UGT 1A1). Os resultados obtidos mostraram que, de modo geral, 50 µM de SA são citotóxicos para ambas as linhas celulares, sendo que 10 µM apenas mostraram diminuir a viabilidade celular das células Hep G2 após 72 h de incubação indicando que, aparentemente, as células Hep G2 são mais sensíveis à SA, comparando com as WRL-68. Pelo contrário, 0,1 e 1 µM não promoveram qualquer alteração na viabilidade celular relativa em ambas as linhas celulares. Relativamente ao efeito da exposição de células Hep G2 e WRL-68 a 1 µM de SA durante vários períodos de incubação (12, 24 e 72 h) verificou-se que, no geral, a SA tem impactos em termos de expressão relativa do mRNA de vários genes, de modo dependente quer do tempo de incubação quer da linha celular. Além disso, não foi detetada qualquer expressão do gene Ces 1 nas células WRL-68, indicando que o mesmo não é expresso nesta linha celular. Em suma, a SA aparenta ter um perfil toxicológico seguro porém em termos de regulação da expressão de genes importa salientar que, de um modo geral, pode exercer efeitos positivos ou negativos, consoante o gene em análise, o tempo de incubação com o composto e o tipo celular. Assim, e por se tratar do primeiro estudo que avaliou o potencial papel da SA na expressão hepática de certos genes, são necessárias investigações futuras para confirmar que os efeitos apresentados neste estudo são observados in vivo e diretamente devidos ao consumo de SA.
According to European Monitoring Centre for Drugs and Drug Addiction (EMCDDA), the new psychoactive substances (NPS) are any new narcotic or psychotropic drug, in its pure form, or in preparation, that is uncontrolled by the United Nations Drug Convention of 1961 or 1971, but which may represent a public health threat comparable to that posed by substances listed in these conventions. As its consumption is growing worldwide and its effects in organism still largely unknown, NPS had become increasingly a matter of concern and, in 2012, Portugal adopted some preventive actions regarding NPS, and included both the whole plant and its main bioactive compound, salvinorin A (SA), in the list of NPS. S. divinorum is a plant with hallucinogenic properties that, till the mid-60’s, was used only by Mazatecas (Oaxaca region, Mexico). The responsible substance for its hallucinogenic properties is SA, which is a neoclerodane diterpene different from the others hallucinogenic substances known, as it presents a unique mechanism of action. In fact, SA is a selective agonist of kappa opioid receptors (KOR). Despite the fact that the main target of S. divinorum, and SA, is the central nervous system, to date, there are no studies assessing its putative peripheral effects, in particular in the liver, the main responsible organ for the metabolism of several endogenous substances and xenobiotics. With this study we intended to evaluate the in vitro cytotoxicity and to analyze the relative gene expression of certain genes relevant to organism caused by the exposure of hepatic cells (Hep G2 and WRL-68) to different concentrations of SA during various periods of time. The genes included in this study were: apolipoprotein B100 (Apo B100), carboxylesterase 1 (Ces 1), cytochrome C (Cyt C), cytochrome P450 1A2 (CYP450 1A2), cytochrome P450 2D6 (CYP450 2D6), cytochrome P450 3A4 and glucuronosyltransferase 1A1 (UGT 1A1). Overall, data obtained revealed that 50 µM of SA is cytotoxic for both cell lines, while 10 µM only promoted a decrease in the cellular viability in Hep G2 cells after a 72 h incubation. Thus, it seems that, apparently, Hep G2 cells are more sensitive to SA, comparing with WRL-68. Instead, 0,1 and 1 µM did not promoted any alteration in the relative cellular viability in both cell lines. Regarding the effects of 1 µM SA exposure in Hep G2 and WRL-68 at during various periods of time (12, 24 and 72 h) results showed that, overall, SA has a significant impact in the mRNA relative expression of various genes, depending on the time of incubation, concentration and the cell line. Besides that, we also found that Ces 1 was not detected in WRL-68 cells pointing out that it is not expressed in this cell line. SA revealed to have a safe toxicological profile yet, the effects of SA in the regulation of gene expression are important to highlight as they could exert positive or negative effects depending in the gene of study, time of exposure and cell line. Finally, because this is the first study that shows the SA potential effects in the liver, further research is needed to confirm if that they are directly related to SA consumption. Thus, a new research line raised and future studies should be conducted in order to achieve the in vitro protein expression of the genes and to confirm these findings in in vivo studies (rats).
URI: http://hdl.handle.net/10400.6/6303
Designação: 2º Ciclo em Bioquímica
Aparece nas colecções:FC - DQ | Dissertações de Mestrado e Teses de Doutoramento

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