Segundo a conhecida a tese de H.–X. Arquilière, a essência do augustinismo político teria consistido na progressiva absorção da ordem política natural (o trono) pela ordem religiosa sobrenatural (o altar). Questionando que tal tese seja agostiniana – á que Agostinho nunca advogou a absorção sem mais
do poder político do Imperador pelo poder sagrado do Papa –, pretende-se verificar como tal ‘traição’ ao pensamento político de Agostinho determinou momentos fundamentais da teoria e a da prática políticas na Idade Média, na Península Ibérica e alhures.