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| 1.77 MB | Unknown |
Authors
Advisor(s)
Abstract(s)
Oxytocin is a neuropeptide produced in the paraventricular and supraoptic nuclei of the
hypothalamus and released both centrally and into the peripheral circulation. Since its
discovery in 1906 by the teams of Dale and du Vigneaud, oxytocin has been widely
studied for its uterotonic and lactation action, but only in recent decades has its role as a
neuromodulator of social and emotional behaviour been recognized. In animals, central
administration of oxytocin strengthens social bonds - particularly pair-bonding in
monogamous rodents - and modulates the stress response via the hypothalamicpituitary-adrenal axis. In humans, subsequent studies have validated its influence on
interpersonal trust, empathy and the perception of facial expressions, placing oxytocin
at the heart of the neurobiology of social interactions.
Psychotic disorders, especially schizophrenia, are characterized by marked deficits in
social cognition, sensory integration and emotional regulation. In this disorder,
symptoms such as anhedonia, alogia and social withdrawal are associated with
connectivity dysfunctions in frontolimbic networks - involving the amygdala,
hippocampus and prefrontal cortex - as well as alterations in synaptic plasticity in
glutamatergic and dopaminergic pathways. These alterations suggest an impairment of
the mechanisms that, in other contexts, are modulated by oxytocin to promote social
cohesion and emotional adaptation.
This paper aims to review and synthesize the scientific evidence on the influence of the
oxytocinergic system on the pathophysiology of psychosis and its potential application
as an adjuvant therapeutic intervention. To this end, a systematic review of studies
published between 2010 and 2024 was conducted, with a structured search in PubMed,
Scopus and PsycINFO databases. MeSH terms and keywords such as “oxytocin”,
“schizophrenia” and “social cognition” were used to clinical studies evaluating
oxytocinergic modulation in individuals with psychotic disorders.
This work thus aims to provide a comprehensive overview of the role of oxytocin in the
regulation of social and emotional neuronal networks and its usefulness as a therapeutic
adjuvant in the psychotic brain.
A oxitocina é um neuropéptido produzido nos núcleos paraventricular e supra-óptico do hipotálamo e libertado tanto centralmente como na circulação periférica. Desde a sua descoberta em 1906 pelas equipas de Dale e du Vigneaud, a oxitocina tem sido amplamente estudada pela sua ação uterotónica e na lactação, mas apenas nas últimas décadas se reconheceu o seu papel como neuromodulador de comportamentos sociais e emocionais. Em animais, demonstrou-se que a administração central de oxitocina reforça ligações sociais — nomeadamente a formação de pares em roedores monogâmicos — e modula a resposta ao stress através do eixo hipotálamo–hipófise– adrenal. Em humanos, estudos subsequentes validaram a sua influência na confiança interpessoal, na empatia e na perceção de expressões faciais, situando a oxitocina no cerne da neurobiologia das interações sociais. As perturbações psicóticas, em especial a esquizofrenia, caracterizam-se por défices acentuados na cognição social, na integração sensorial e na regulação emocional. Nesta perturbação, sintomas como anedonia, alogia e retraimento social associam-se a disfunções de conectividade em redes frontolímbicas — envolvendo a amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal — assim como a alterações de plasticidade sináptica em vias glutamatérgicas e dopaminérgicas. Estas alterações sugerem um comprometimento dos mecanismos que, noutros contextos, são modulados pela oxitocina para promover a coesão social e a adaptação emocional. No presente trabalho, propõe-se rever e sintetizar a evidência científica relativa à influência do sistema oxitocinérgico na fisiopatologia da psicose e a sua potencial aplicação como intervenção terapêutica adjuvante. Para tal, foi conduzida uma revisão sistemática de estudos publicados entre 2010 e 2024, com pesquisa estruturada nas bases de dados PubMed, Scopus e PsycINFO. Utilizaram-se termos MeSH e palavraschave como “oxytocin”, “schizophrenia” e “social cognition”, de modo a identificar estudos clínicos que avaliem a modulação oxitocinérgica em indivíduos com perturbações psicóticas. Este trabalho pretende, assim, traçar um panorama do papel da oxitocina na regulação de redes neuronais sociais e emocionais e a sua utilidade como adjuvante terapêutico no cérebro psicótico.
A oxitocina é um neuropéptido produzido nos núcleos paraventricular e supra-óptico do hipotálamo e libertado tanto centralmente como na circulação periférica. Desde a sua descoberta em 1906 pelas equipas de Dale e du Vigneaud, a oxitocina tem sido amplamente estudada pela sua ação uterotónica e na lactação, mas apenas nas últimas décadas se reconheceu o seu papel como neuromodulador de comportamentos sociais e emocionais. Em animais, demonstrou-se que a administração central de oxitocina reforça ligações sociais — nomeadamente a formação de pares em roedores monogâmicos — e modula a resposta ao stress através do eixo hipotálamo–hipófise– adrenal. Em humanos, estudos subsequentes validaram a sua influência na confiança interpessoal, na empatia e na perceção de expressões faciais, situando a oxitocina no cerne da neurobiologia das interações sociais. As perturbações psicóticas, em especial a esquizofrenia, caracterizam-se por défices acentuados na cognição social, na integração sensorial e na regulação emocional. Nesta perturbação, sintomas como anedonia, alogia e retraimento social associam-se a disfunções de conectividade em redes frontolímbicas — envolvendo a amígdala, hipocampo e córtex pré-frontal — assim como a alterações de plasticidade sináptica em vias glutamatérgicas e dopaminérgicas. Estas alterações sugerem um comprometimento dos mecanismos que, noutros contextos, são modulados pela oxitocina para promover a coesão social e a adaptação emocional. No presente trabalho, propõe-se rever e sintetizar a evidência científica relativa à influência do sistema oxitocinérgico na fisiopatologia da psicose e a sua potencial aplicação como intervenção terapêutica adjuvante. Para tal, foi conduzida uma revisão sistemática de estudos publicados entre 2010 e 2024, com pesquisa estruturada nas bases de dados PubMed, Scopus e PsycINFO. Utilizaram-se termos MeSH e palavraschave como “oxytocin”, “schizophrenia” e “social cognition”, de modo a identificar estudos clínicos que avaliem a modulação oxitocinérgica em indivíduos com perturbações psicóticas. Este trabalho pretende, assim, traçar um panorama do papel da oxitocina na regulação de redes neuronais sociais e emocionais e a sua utilidade como adjuvante terapêutico no cérebro psicótico.
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Keywords
Cognição Social Conectividade Frontolímbica Esquizofrenia Neuromodulação Oxitocina Plasticidade Sináptica
