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Autores
Orientador(es)
Resumo(s)
This dissertation was developed as part of the Master’s Degree in Clinical and Health Psychology at the Faculty of Social and Human Sciences, University of Beira Interior, fulfilling one of the requirements for degree completion. It follows an articlebased format and is organized into three chapters: Chapter 1 (Research Article), Chapter 2 (General Discussion) and Chapter 3 (Theorical Appendix and Theorical Integration). The first chapter presents the core research article, which investigates the perspectives and lived experiences of Roma and Traveller individuals in Portugal concerning psychosexual health and well-being. The central aim was to deepen the understanding of how social and cultural contexts influence and shape their experiences in this domain. The study involved adults aged 18 and above, with most participants identifying as heterosexual, reflecting how non-heteronormative identities often remain hidden within these groups. In this chapter, the methods and analytical procedures used to explore the participants’ narratives are outlined, followed by the presentation and discussion of the principal findings. The second chapter offers a broader discussion, connecting the empirical results with existing academic literature, offering a deeper exploration of some of the themes that emerged throughout the study. The final chapter introduces theorical frameworks relevant to research themes and presents a concise theorical integration, highlighting the importance of this work within academic discourse and the broader societal context.
Os membros da comunidade cigana e traveller em Portugal constituem a maior minoria étnica na Europa (Ullah et al., 2024), marcada por um longo percurso de marginalização, exclusão social e discriminação, que se traduz em desigualdades persistentes no acesso à educação, saúde, habitação entre outros setores (FRA, 2017, 2022, 2023; Silva, 2005). Este quadro de vulnerabilidade estrutural e sistémica articulase com normas culturais conservadoras, colaborando para a reprodução de atitudes homofóbicas frequentemente relatadas na literatura, onde a homossexualidade é percecionada com algo não natural e, por vezes, intolerável (Fremlová & Bucková, 2021). Tais dinâmicas influenciam profundamente a forma como a sexualidade, as identidades de género e o bem-estar psicossexual são experienciados pelos membros destas comunidades (Klingorova & Havlícek, 2015; Matras, 2015). Neste enquadramento, a temática da saúde psicossexual assume particular relevância, enquanto dimensão essencial do bem-estar humano (Pereira, 2023; Tandon, 2023), contudo, o estudo da esfera psicossexual nas comunidades Roma permanece amplamente negligenciada, sendo raramente objeto de análise específica no caso destas populações. Considerando a conjugação de normas culturais e papéis de género tradicionais que limitam a expressão psicossexual, junto a um contexto de segregação que impacta vários aspetos da vida individual, destaca-se a singularidade das comunidades cigana e traveller. Essa complexidade torna estas comunidades especialmente relevantes para a investigação, motivo pelo qual este estudo qualitativo foi desenvolvido para explorar as suas experiências e perspetivas psicossexuais. Os critérios de inclusão definidos para este estudo requeriam que os participantes fossem membros da comunidade roma ou traveller e tivessem 18 ou mais anos de idade. A natureza oculta da homossexualidade nestas comunidades reflete-se na amostra, com apenas 10% dos participantes a identificar-se como LGBTQIA+, enquanto 90% são heterossexuais. Este aspeto surgiu como uma limitação do estudo que condicionou os resultados, porém, dado que a saúde psicossexual vai além da orientação sexual não normativa, foi possível recolher dados relevantes em outras dimensões desta esfera. Os participantes partilharam os seus testemunhos através de um questionário online, que posteriormente foi adaptado para formato presencial, promovendo maior clareza e conforto na compreensão das questões. O instrumento utilizado abordou temas fundamentais, como o contexto social, a expressão sexual e as suas nuances, sexualidade de minorias sexuais e de género, a visibilidade e existência de minorias na comunidade, assim como a saúde mental relacionada com a expressão da sexualidade, experiências de preconceito e discriminação, bem como o potencial de transformação destes contextos. As respostas foram analisadas tematicamente, identificando-se padrões recorrentes e significados nas narrativas. Os resultados do estudo evidenciaram uma predominância de contextos marcados por atitudes LGBTfóbicas, preconceito e discriminação, assim como por um conservadorismo estrutural que se traduz na repressão e estigmatização da sexualidade. Verificou-se igualmente a invisibilidade e rejeição sistemática das minorias sexuais e de género dentro da comunidade, levando muitos indivíduos a optar por uma expressão sexual discreta ou mesmo ao ocultamento da sua identidade. Observou-se ainda uma valorização crescente da saúde mental, embora acompanhada por limitada literacia sobre o tema, coexistindo com situações frequentes de exclusão social. Por fim, emergiu dos discursos tando a necessidade de mudança social como o conformismo perante as adversidades do contexto atual. Este estudo ressalta a importância de futuras pesquisas e intervenções sociopolíticas para enfrentar a marginalização e promover a liberdade e desestigmatização da sexualidade, bem como a visibilidade das minorias sexuais. A nível clínico, destaca-se o papel dos profissionais de saúde mental no apoio a indivíduos que vivem entre normas culturais rígidas e a sua identidade pessoal, sobretudo em contextos de múltiplos sistemas de opressão. Urge o desenvolvimento de intervenções culturalmente sensíveis e adequadas ao contexto, que considerem a complexidade da interseccionalidade e diversidade identitária. Compreender o impacto subjetivo desses sistemas é crucial para fomentar inclusão, respeito e bem-estar, contribuindo para a redução das desigualdades e o fortalecimento da diversidade na prática clínica e política pública.
Os membros da comunidade cigana e traveller em Portugal constituem a maior minoria étnica na Europa (Ullah et al., 2024), marcada por um longo percurso de marginalização, exclusão social e discriminação, que se traduz em desigualdades persistentes no acesso à educação, saúde, habitação entre outros setores (FRA, 2017, 2022, 2023; Silva, 2005). Este quadro de vulnerabilidade estrutural e sistémica articulase com normas culturais conservadoras, colaborando para a reprodução de atitudes homofóbicas frequentemente relatadas na literatura, onde a homossexualidade é percecionada com algo não natural e, por vezes, intolerável (Fremlová & Bucková, 2021). Tais dinâmicas influenciam profundamente a forma como a sexualidade, as identidades de género e o bem-estar psicossexual são experienciados pelos membros destas comunidades (Klingorova & Havlícek, 2015; Matras, 2015). Neste enquadramento, a temática da saúde psicossexual assume particular relevância, enquanto dimensão essencial do bem-estar humano (Pereira, 2023; Tandon, 2023), contudo, o estudo da esfera psicossexual nas comunidades Roma permanece amplamente negligenciada, sendo raramente objeto de análise específica no caso destas populações. Considerando a conjugação de normas culturais e papéis de género tradicionais que limitam a expressão psicossexual, junto a um contexto de segregação que impacta vários aspetos da vida individual, destaca-se a singularidade das comunidades cigana e traveller. Essa complexidade torna estas comunidades especialmente relevantes para a investigação, motivo pelo qual este estudo qualitativo foi desenvolvido para explorar as suas experiências e perspetivas psicossexuais. Os critérios de inclusão definidos para este estudo requeriam que os participantes fossem membros da comunidade roma ou traveller e tivessem 18 ou mais anos de idade. A natureza oculta da homossexualidade nestas comunidades reflete-se na amostra, com apenas 10% dos participantes a identificar-se como LGBTQIA+, enquanto 90% são heterossexuais. Este aspeto surgiu como uma limitação do estudo que condicionou os resultados, porém, dado que a saúde psicossexual vai além da orientação sexual não normativa, foi possível recolher dados relevantes em outras dimensões desta esfera. Os participantes partilharam os seus testemunhos através de um questionário online, que posteriormente foi adaptado para formato presencial, promovendo maior clareza e conforto na compreensão das questões. O instrumento utilizado abordou temas fundamentais, como o contexto social, a expressão sexual e as suas nuances, sexualidade de minorias sexuais e de género, a visibilidade e existência de minorias na comunidade, assim como a saúde mental relacionada com a expressão da sexualidade, experiências de preconceito e discriminação, bem como o potencial de transformação destes contextos. As respostas foram analisadas tematicamente, identificando-se padrões recorrentes e significados nas narrativas. Os resultados do estudo evidenciaram uma predominância de contextos marcados por atitudes LGBTfóbicas, preconceito e discriminação, assim como por um conservadorismo estrutural que se traduz na repressão e estigmatização da sexualidade. Verificou-se igualmente a invisibilidade e rejeição sistemática das minorias sexuais e de género dentro da comunidade, levando muitos indivíduos a optar por uma expressão sexual discreta ou mesmo ao ocultamento da sua identidade. Observou-se ainda uma valorização crescente da saúde mental, embora acompanhada por limitada literacia sobre o tema, coexistindo com situações frequentes de exclusão social. Por fim, emergiu dos discursos tando a necessidade de mudança social como o conformismo perante as adversidades do contexto atual. Este estudo ressalta a importância de futuras pesquisas e intervenções sociopolíticas para enfrentar a marginalização e promover a liberdade e desestigmatização da sexualidade, bem como a visibilidade das minorias sexuais. A nível clínico, destaca-se o papel dos profissionais de saúde mental no apoio a indivíduos que vivem entre normas culturais rígidas e a sua identidade pessoal, sobretudo em contextos de múltiplos sistemas de opressão. Urge o desenvolvimento de intervenções culturalmente sensíveis e adequadas ao contexto, que considerem a complexidade da interseccionalidade e diversidade identitária. Compreender o impacto subjetivo desses sistemas é crucial para fomentar inclusão, respeito e bem-estar, contribuindo para a redução das desigualdades e o fortalecimento da diversidade na prática clínica e política pública.
Descrição
Palavras-chave
Interseccionalidade Comunidade Roma Conservadorismo Cultural Discriminação Portugal Saúde Psicossexual Sexualidade
