Browsing by Issue Date, starting with "2025-05-14"
Now showing 1 - 2 of 2
Results Per Page
Sort Options
- Sobre a Possibilidade da Resistência à Banalização do MalPublication . Mendes, Luís Filipe Fernandes ; Santos, José Manuel Boavida dosDepois de, no julgamento de Eichmann, em 1961, serem relatadas as histórias de algumas pessoas que resistiram ao Mal no III Reich, Arendt procurou explicar como foi possível que esses indivíduos preservassem a capacidade de distinguir o Bem do Mal sem o apoio da normatividade externa e, apesar das enormes pressões, tenham resistido ao Mal. O nosso propósito é, justamente, investigar a possibilidade da resistência à banalização do Mal, para a qual se requer a capacidade de julgar e uma fonte de motivação independentes da normatividade externa, a partir das propostas de Kant, Arendt e Kierkegaard. Neste trabalho, não seguimos a ordem cronológica. Na primeira parte, abordamos as propostas de Kant e de Arendt. Na segunda parte, abordamos a de Kierkegaard. Procuramos mostrar que as propostas de Kant e Arendt são antagónicas, visto que Kant confia especialmente na capacidade legisladora da razão, enquanto Arendt defende que não precisamos de princípios ou regras para distinguir o Bem do Mal. Por sua vez, Kierkegaard foca-se no problema da motivação, sublinhando que nem todos os indivíduos consideram que a diferença entre Bem e Mal é o mais importante. A proposta de Kierkegaard tem elementos que também encontramos nas de Arendt e de Kant, mas fornece-nos uma alternativa a ambas. A visão-de-vida ética, centrada na ideia de Bem, que se concretiza numa forma de amor (compaixão), assegura a motivação para resistir à banalização do Mal, mas aqueles que vivem segundo visões-de-vida estéticas dão mais importância a outras preocupações. O desespero pode motivar o sujeito a transitar de uma visão-de-vida para outra, mas a transição para a visão-de-vida ética depende sempre de uma decisão, e esta não é um mero resultado de razões ou motivações anteriores, pois só se concretiza no esforço contínuo para conferir à interioridade a forma de compaixão.
- Educação Médica em cessação tabágica: avaliação de um b-learning nos estudantes de 4º ano de Medicina da Universidade da Beira InteriorPublication . Lemos, Jéssica Meira; Ravara, Sofia Belo; Aguiar, Pedro Manuel Vargues deIntrodução: Os profissionais de saúde desempenham um papel fundamental na abordagem e no aconselhamento de fumadores. No entanto, a formação desses profissionais ainda é insuficiente, ressaltando a importância da capacitação prégraduada em cessação tabágica. Objetivo: Avaliar a perceção de estudantes de medicina quanto à aceitação, ao grau de dificuldade, à autoconfiança na intervenção clínica e à utilidade de uma formação em intervenção breve para a cessação tabágica, em formato blended learning (b-learning). Metodologia: O programa em modelo b-learning incluiu duas etapas: (1) electroniclearning (e-learning) sobre intervenção breve em cessação tabágica, desenvolvido pela Organização Mundial da Saúde (OMS); e (2) workshop clínico presencial. Foi conduzido um estudo transversal, baseado na aplicação de questionários adaptados do modelo da OMS aos participantes da formação, os estudantes do 4º ano de Medicina da FCS-UBI: 1) questionário quantitativo individual 2) questionário qualitativo coletivo resolvido em grupo. Foram conduzidas análises univariáveis e bivariáveis para identificar se fatores como o comportamento tabágico e o sexo estavam associadas às opiniões dos alunos relativas à utilidade, confiança, grau de dificuldade e avaliação geral das modalidades da formação. Foram utilizados o teste de qui-quadrado, o teste exato de Fisher e o teste de McNemar para comparar variáveis categóricas. Foi feita uma análise temática e interpretativa dos conteúdos qualitativos baseada no consenso dos investigadores. Resultados: Participantes: 276; 71,4% do sexo feminino; idade média: 22,7± 2,9 anos. A taxa de participação foi 82,63%. A prevalência de fumadores foi de 10,9%: 7,2% entre o sexo feminino e 20,3% entre o masculino (OR=1,893; p=0,003). A maioria dos participantes considerou útil tanto o e-learning (93,1%) quanto o workshop clínico (85,9%). Os nunca-fumadores são os que mais concordam com a utilidade do e-learning (OR=3,135; p=0,018), o mesmo ocorrendo com os nunca-vapers (p=0,018). Além disso, 92,7% e 86,6% dos alunos relataram aumento na autoconfiança clínica após a participação no e-learning e no workshop, respetivamente. De notar que os exfumadores são os que menos concordam que o workshop aumente a sua autoconfiança (OR=0,251; p=0,007). Quanto ao nível de dificuldade, 75,3% dos participantes consideraram o e-learning “fácil”/”muito fácil”, enquanto 62% avaliaram o workshop da mesma forma. No entanto, os ex-fumadores consideraram o workshop mais difícil (OR=0,251, p=0,033). Por fim, 81,9% dos estudantes avaliaram o e-learning com "excelente"/"bom", sendo a prevalência superior no workshop (91,3%). A avaliação qualitativa reiterou a boa aceitação e a relevância desta formação para os alunos, em linha com os resultados do questionário quantitativo. No entanto, os alunos demonstram alguma dificuldade para valorizar e aderir aos instrumentos que são habitualmente usados na aprendizagem b-learning. Acresce que os estudantes consideram que a formação b-learning os confronta com a reflexão de serem modelos como não fumadores. Conclusão: Os resultados indicam que a formação de abordagem breve do tabagismo em modelo b-learning foi bem recebida pelos estudantes de medicina, contribuindo para a melhoria das suas competências clínicas em cessação tabágica. Os alunos reconhecem a importância da capacitação pré-graduada nesse tema, reforçando a necessidade de implementação desse tipo de programa em outras instituições de ensino, tanto nacional quanto internacionalmente.
