A carregar...
2 resultados
Resultados da pesquisa
A mostrar 1 - 2 de 2
- Depressão, Ansiedade e Stress em Cuidadores pertencentes e não pertencentes à Geração Sandwich (GS)Publication . Moniz, Edna Maria Lima; Afonso, Rosa Marina Lopes Brás MartinsO número de pessoas idosas tem aumentado significativamente nas últimas décadas e encontra-se, frequentemente, associado ao aparecimento de doenças que podem originar dependência. O apoio pode ser dado por cuidadores da Geração Sandwich, que prestam cuidados a pessoas idosas e a crianças, e por outros cuidadores, que prestam cuidados a crianças ou a idosos. Este estudo tem como principal objetivo avaliar e comparar depressão, ansiedade e stress nos dois grupos. Assim como analisar as suas correlações. Participaram no estudo 178 pessoas, 98 pertencentes à GS e 80 cuidadores não pertencentes à GS. A média de idades para a GS de 44.88 anos e de 38.27 anos para os outros cuidadores, sendo 25,8% (n= 46) do sexo masculino e 74,2% (n= 132) do feminino. Os instrumentos usados foram um questionário sociodemográfico, o Brief Symptom Inventory 18 (BSI-18), Kingston Caregiver Stress Scale (KCSS) e a Escala de afeto positivo e negativo (PANAS-VRP). Os resultados indicaram diferenças estatisticamente significativas na depressão (U= 672,000; p=0,003) e ansiedade (U= 802,000; p= 0,041) em função do estatuto socioeconómico na GS e, também, na depressão (U= 501,500; p=0,023) e ansiedade (U= 478,500; p=0,012) nos cuidadores não pertencentes à GS. Seguidamente, no grupo dos cuidadores observou-se diferenças estatisticamente significativas no stress em função do género (U= 498,500; p= 0,020), em que as mulheres pertencentes a este grupo relataram maior stress do que os homens. Por sua vez, o stress está positivamente correlacionado com a depressão (rs= 0,470, p= 0,000) e ansiedade (rs= 0,425, p= 0,000) na GS e, também, nos outros cuidadores, depressão (rs = 0,463, p = 0,000) e ansiedade (rs= 0,370, p= 0,001). Os resultados permitem concluir que as dimensões avaliadas são superiores na GS, encontrando-se positivamente correlacionadas na GS e nos outros cuidadores.
- Solidão em Adultos residentes na Ilha de São Miguel (Açores)Publication . Moniz, Edna Maria Lima; Afonso, Rosa Marina Lopes Brás Martins; Pires, Luís Miguel da Silva; Carvalho, Célia de Oliveira Barreto CoimbraA solidão é concetualizada como um construto multidimensional, que tem impactos significativos na saúde mental, sendo influenciada por fatores individuais e contextuais. Esta investigação pretende analisar a experiência da solidão em adultos residentes na Ilha de São Miguel e incluiu quatro estudos: o primeiro estudo, de natureza quantitativa, pretendeu efetuar uma análise psicométrica mais robusta da UCLA Loneliness Scale version 3 (UCLA-LS-3). Os resultados revelaram uma excelente consistência interna e os resultados suportam a validade de constructo da UCLA-LS-3 na população adulta portuguesa, apoiando um modelo de três fatores relacionados (Isolamento, Conetividade Relacional e Conetividade Coletiva). Sobre a relação do resultado total na UCLA-LS-3 com outras variáveis, o resultado foi mais baixo em indivíduos casados, com maior escolaridade e estatuto socioeconómico, e maior em solteiros. O segundo estudo, de natureza qualitativa com grupos focais, explorou a solidão entre adultos na Ilha de São Miguel que residem em dois contextos: rural e urbano. Os sentimentos de tristeza e isolamento foram centrais em ambos os contextos. Os fatores associados à solidão que foram reportados em ambos os grupos abrangeram o viver sozinho, o divórcio e a reforma. Também a idade (quanto maior, maior a solidão) e a altura do dia ou do ano (sendo a vivência psicológica da solidão reportada como maior à noite e no inverno) foram reportados como associados à solidão. Por fim, a coesão social e o apoio comunitário foram reportados como fatores protetores no meio rural. Seguidamente, o terceiro estudo, de natureza quantitativa, examinou os determinantes da vivência psicológica da solidão e do isolamento social, considerando mediadores e moderadores como a personalidade, a autocompaixão, o suporte social e variáveis sociodemográficas (e.g., a idade). O neuroticismo revelou-se um forte preditor de maior solidão e isolamento. A autocompaixão atuou como fator protetor e mediador parcial dessa relação, sendo especialmente relevante na idade adulta avançada, uma vez que a mediação é moderada pela idade. Por sua vez, o suporte social moderou o efeito direto do neuroticismo, reduzindo o seu impacto sobre a vivência psicológica da solidão. Neste estudo averiguou-se também a forma como a vivência psicológica da solidão pode associar-se à presença (e maior severidade) de sintomatologia psicopatológica (i.e., ansiedade, depressão e stress). Esta associação foi mediada pela autocompaixão, reafirmando a importância do desenvolvimento de intervenções focadas neste constructo para combater os efeitos adversos da solidão. Por fim, o quarto estudo procurou comparar adultos a residir na ilha de São Miguel (n=600; idade: M= 38.74; género: feminino =414 e masculino =186) com adultos a residir em Portugal Continental (n=600; idade: M= 39.00; género; feminino =416 e masculino =184) num conjunto de variáveis sociodemográficas e de saúde mental, incluindo a avaliação dos níveis de vivência psicológica da solidão e isolamento social. Neste estudo foram encontrados níveis moderados de solidão, sem diferenças significativas entre os grupos. Em São Miguel, houve maior Conetividade Relacional e Coletiva, indicando maior coesão social. Em ambos os grupos, o neuroticismo correlacionou-se positivamente com a vivência psicológica da solidão, sendo um possível fator de risco, enquanto a autocompaixão e o suporte social se correlacionaram negativamente, sendo possíveis fatores protetores. Por sua vez, viver acompanhado, no Continente, uma associação negativa com a solidão, sendo um possível fator protetor. Os indivíduos de São Miguel apresentaram maior sintomatologia psicopatológica, o que parece indicar a importância de outros fatores para a presença (e severidade) desta sintomatologia, para além da vivência psicológica da solidão, que também foi encontrada em níveis moderados no grupo a residir no Continente. Finalmente, em ambos os grupos, as estratégias de coping mais usadas foram ver televisão e/ou vídeos no computador, trabalhar e/ou ter uma ocupação e conviver e conversar com as pessoas. Em suma, os resultados desta investigação sugerem que a solidão em adultos portugueses é multidimensional, influenciada por variáveis internas como a personalidade (neuroticismo), a autocompaixão, e o suporte social percebido. Para além de variáveis internas, destacam-se variáveis contextuais como a área de residência (rural vs urbana e ilha vs continente). É fulcral efetuar estudos futuros em outros contextos, dado que os ambientes sociais e geográficos têm um impacto significativo na saúde mental.
